Casa Branca explicou que militar se referiu a cenário hipotético no qual poderia fazer recomendação ao presidente Obama

Reuters

A maior autoridade militar dos EUA levantou nesta terça-feira (16) a possibilidade de tropas norte-americanas precisarem assumir um papel mais amplo por terra na luta contra os militantes do Estado Islâmico no Iraque. A Casa Branca, no entanto, voltou a ressaltar que não haveria missões de combate para forças terrestres dos EUA.

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Chefe do Estado Maior das Forças Armadas dos EUA, o general Martin Dempsey disse que não havia intenção de colocar consultores militares norte-americanos em combate, pois o plano dos EUA se apoia em outras contribuições, incluindo ataques aéreos.

Ainda assim, ele disse em audiência no Senado: "Eu mencionei, no entanto, que se eu achasse que a circunstância demandasse, eu mudaria, é claro, minha recomendação".

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Dempsey contemplou cenários nos quais uma maior participação poderia ser viável, incluindo juntar as forças dos Estados Unidos com os iraquianos durante uma ofensiva complicada, como numa eventual batalha para retomar a cidade de Mosul, no norte do Iraque, dos combatentes do Estado Islâmico.

"Poderia muito bem ser parte daquela missão particular para disponibilizar orientações de combate ou acompanhamento naquela missão", disse. "Mas, para as atividades diárias, acredito que vá evoluir com o tempo... Não vejo necessidade para isso agora."

O chefe do Estado Maior das Forças Armadas dos EUA, general Martin Dempsey
AP
O chefe do Estado Maior das Forças Armadas dos EUA, general Martin Dempsey

O presidente norte-americano, Barack Obama, disse na semana passada que vai liderar uma aliança para derrotar os militantes do Estado Islâmico no Iraque e na Síria, mergulhando os EUA em um conflito no qual quase todos os países do Oriente Médio têm alguma participação. No entanto, ele descartou a possibilidade de uma missão de combate que pudesse levar o país a uma nova guerra terrestre no Iraque.

Respondendo sobre os comentários de Dempsey, a Casa Branca disse que os conselheiros militares de Obama tinham de se planejar para muitas possibilidades e que a política geral não tinha mudado: o presidente não deslocaria tropas norte-americanas para missões de combate no Iraque ou na Síria.

O porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, disse a jornalistas que Dempsey estava "se referindo a um cenário hipotético no qual possa haver uma situação futura na qual o general faria uma recomendação tática ao presidente em relação a tropas terrestres".

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Dempsey se pronunciou ao lado do secretário de Defesa norte-americano, Chuck Hagel, diante do Comitê de Serviços Armados do Senado. Na mesma hora, o governo de Obama apresentou ao Congresso seu plano para ampliar as operações militares contra os militantes sunitas, incluindo ataques aéreos na Síria pela primeira vez.

Síria
Hagel disse que o plano militar será apresentado a Obama pelo Comando Central dos EUA, nesta quarta-feira. A proposta inclui ataques aos redutos mais seguros do grupo militante para comprometer suas capacidades de infraestrutura, logística e capacidades de comando.

Dempsey disse que os ataques aéreos afetariam as capacidades do grupo enquanto esforços mais amplos são desenvolvidos, incluindo o treinamento de 5.400 combatentes sírios na Arábia Saudita.

O Congresso deve aprovar nesta semana um pedido de Obama por US$ 500 milhões para armar e treinar rebeldes sírios moderados, uma das partes de seu programa.

"Não será como uma campanha de 'choque e espanto', porque simplesmente não é o jeito que o Estado Islâmico se organiza. Mas será uma campanha persistente e sustentável", disse Dempsey ao comitê do Senado.

"Choque e espanto" era um termo popularmente utilizado para descrever os primeiros ataques aéreos a Bagdá na campanha norte-americana para derrubar Saddam Hussein, em 2003, e se refere ao uso exagerado da força para minar a vontade do inimigo de lutar.

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