Pacote inclui 250 milhões de dólares 'para ajudar os refugiados e comunidades de apoio nos países vizinhos', anunciou Kerry

Reuters

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, anunciou nesta sexta-feira (12) ajuda humanitária de cerca de 500 milhões de dólares para as pessoas e países afetados pela guerra civil na Síria.

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Barack Obama bate-papo com o ex-presidente Bill Clinton em uma cerimônia no gramado sul da Casa Branca, em Washington
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O pacote de ajuda inclui mais de 250 milhões de dólares "para ajudar os refugiados e comunidades de acolhimento nos países vizinhos afetados pela crise", disse Kerry em comunicado.

Há cerca de 3 milhões de refugiados sírios registrados em países vizinhos, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), mas muitos continuam deslocados na própria Síria por causa do avanço dos militantes islâmicos ou estão tendo dificuldade para chegar a passagens de fronteira abertas.

A agência de refugiados da ONU (Acnur) disse há duas semanas que quase metade de todos os sírios tinham sido forçados a deixar suas casas por causa do conflito, e um total de 6,5 milhões estariam deslocadas dentro da Síria.

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As maiores concentrações de refugiados em países vizinhos estão no Líbano (1,17 milhão), Turquia (830 mil) e Jordânia (613 mil), de acordo com o Acnur. Outros 215.000 estão no Iraque, Egito e outros países.

Apoio

O líder republicano da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos expressou seu apoio à campanha liderada pelo presidente Barack Obama contra os militantes do Estado Islâmico, mas membros de seu partido questionaram se o plano, que depende basicamente de realizar ataques aéreos e armar sírios rebeldes, é forte o suficiente.

Obama enviou um grupo de altos funcionários do governo para o Capitólio para persuadir o Congresso dos Estados Unidos a ampliar as operações contra os militantes sunitas, incluindo ataques aéreos dos EUA na Síria pela primeira vez e mais conselheiros militares no Iraque.

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Em um discurso televisionado na quarta-feira à noite, o presidente democrata declarou que lideraria uma aliança para erradicar o Estado Islâmico, mergulhando os Estados Unidos em dois conflitos em que quase todos os países do Oriente Médio têm uma participação.

A Casa Branca argumentou que Obama não precisa de uma autorização formal do Congresso para a empreitada, mas quer o apoio dos congressistas para mostrar uma frente unida contra os adversários.

O presidente da Câmara, John Boehner, disse que Obama tinha feito uma "persuasão convincente pela ação", mas afirmou que o presidente deve fornecer aos republicanos mais detalhes sobre sua estratégia. "É importante dar ao presidente o que ele pediu", disse ele em entrevista coletiva.

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Os líderes republicanos do Congresso em geral apoiam os planos de Obama, mas devem trabalhar para unir as várias facções dentro do seu partido, incluindo membros profundamente céticos quanto à liderança e os gastos dos planos de Obama e outros que querem que os Estados Unidos reduzam drasticamente seu envolvimento militar fora do país.

Boehner disse que os membros republicanos da Casa têm dúvidas sobre se o plano de Obama pode cumprir sua missão de destruir um grupo militante cujos combatentes mataram milhares de pessoas nos últimos meses.

"Um F-16 não é uma estratégia. E ataques aéreos por si só não vão conseguir o que estamos tentando atingir. O presidente deixou claro que ele não quer pôr os pés no chão, bem então os pés de alguém terão de pisar no terreno", disse o representante de Ohio.

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O Estado Islâmico é um grupo sunita que abarca uma visão radical de um Oriente Médio governado por preceitos do século 7. Seus combatentes lutam contra um governo liderado pelos xiitas no Iraque e um governo liderado pelo presidente sírio Bashar al-Assad, um seguidor de uma ramificação do islamismo xiita.

Boehner disse que nenhuma decisão tinha sido tomada sobre como a Casa pode votar pedido de Obama para autorização de financiamento de 500 de milhões de dólares em financiamentos para armar e treinar rebeldes moderados que travam três anos de uma longa guerra contra Assad.

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Um porta-voz disse que a Casa Branca gostaria que o Congresso incluísse a autorização em um projeto de lei para financiar as operações do governo, pedindo uma resolução perene, que deve ser voltada na próxima semana.

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