O embaixador Pinhas Avivi se reuniu no Brasil com o chanceler Luiz Alberto Figueiredo e terá encontros ainda no Chile e Peru

Agência Brasil

Após cessar-fogo na Faixa de Gaza, Israel busca agora curar as feridas que o conflito na região gerou em suas relações com os países da América Latina.

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Premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, durante conferência sobre a luta contra o terrorismo no Centro Interdisciplinar de Herzliya, perto de Tel Avi (11/09)
Reuters
Premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, durante conferência sobre a luta contra o terrorismo no Centro Interdisciplinar de Herzliya, perto de Tel Avi (11/09)

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Enviado pelo Ministério de Relações Exteriores de Israel especialmente para missão de reaproximação, o embaixador Pinhas Avivi se reuniu no Brasil com o chanceler Luiz Alberto Figueiredo e terá ainda encontros na Argentina, Chile e Peru. Segundo ele, as relações com a América Latina se desgastaram na última década.

"Nos últimos dez anos, alguma coisa mudou. Não sei por que, não quero culpar ninguém, talvez tenhamos de culpar a nós mesmos também. Mas, com certeza, agora vamos fazer um esforço para reconstruir essas relações especiais entre Israel e esta parte do mundo", disse Avivi a jornalistas na quinta-feira (11) em Brasília.

Em janeiro de 2009, a Venezuela e a Bolívia romperam relações com o Estado de Israel como sinal de protesto contra a ofensiva militar israelense na Faixa de Gaza. O então presidente venezuelano Hugo Chávez ordenou a expulsão do embaixador israelense no país e de parte dos funcionários.

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Durante os conflitos deste ano entre Israel e o grupo Hamas, as relações também ficaram estremecidas com o Brasil, que convocou seu embaixador em Tel Aviv como sinal de insatisfação com o conflito.

Em relação ao Brasil - que após posicionamento do Itamaraty condenando as mortes de civis no último conflito foi chamado de "anão diplomático" pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Yagal Palmor -, o enviado disse que o desentendimento foi superado. Segundo ele, o Brasil é um dos principais atores na "arena internacional."

"O fato de o Ministério [de Relações Exteriores] ter decidido me enviar é a melhor resposta de que consideramos o Brasil um ator muito importante", disse.

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Ele lembrou as relações históricas entre os dois lados, desde o reconhecimento do Estado de Israel. "Nós nunca esqueceremos que a independência de Israel é resultado do trabalho do embaixador [brasileiro] Osvaldo Aranha".

Avivi disse ainda que as conversas com os chanceleres dos países sul-americanos visitados nesta missão especial têm o papel principal de explicar a situação enfrentada no Oriente Médio, principalmente os conflitos na Faixa de Gaza e o perigo representado pelo grupo Hamas.

Além disso, o embaixador tenta levantar possibilidades futuras de cooperação em áreas ligadas à sustentabilidade, que, segundo ele, é a principal questão para os problemas mundiais, envolvendo, por exemplo, manejo de água e produção de alimentos.

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