EUA obtêm apoio de países árabes para campanha militar na Síria e no Iraque

Por Reuters | - Atualizada às

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Em conversas na Arábia Saudita, Egito, Iraque, Líbano e seis países do Golfo Pérsico concordaram em ajudar americanos

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Os EUA obtiveram, nesta quinta-feira (11), a adesão de países árabes para uma “campanha militar coordenada” contra os combatentes do Estado Islâmico. A novidade é um grande avanço na conquista de apoio regional para se colocar em prática o plano do presidente Barack Obama de atuar dos dois lados da fronteira entre Síria e Iraque, onde rebeldes do grupo proclamaram a fundação de um califado, em junho.

Veja fotos da tensão levada pelo Estado Islâmico ao Iraque:

Membros do Exército feminino treinam habilidades de combate antes de combaterem o Estado Islâmico em acampamento militar no Iraque (18/09). Foto: ReutersMilitar curdo lança morteiros em direção Zummar, controlada pelo Estado Islâmico, em Mosul, Iraque (15/09). Foto: ReutersMilitantes do Estado Islâmico levam soldados iraquianos capturados depois de assumir base em Tikrit, Iraque (junho/2014). Foto: APObama prometeu ofensiva com ataques aéreos na Síria e no Iraque para combater EI (12/09). Foto: ReutersMilitares curdos em tanque enfrentam militantes do Estado islâmico em Mosul, Iraque (7/09). Foto: ReutersMilitante curdo dá cobertura durante confrontos do Estado Islâmico na linha de frente da vila de Buyuk Yeniga, Iraque (4/09). Foto: ReutersMilicianos xiitas do Iraque disparam suas armas enquanto celebram a quebra de cerco do Estado Islâmico em Amerli (1/09). Foto: ReutersGrupo carrega caixão de militante xiita iraquiano da Organização Badr, que foi morto em confrontos com militantes do Estado Islâmico no Iraque (1/09). Foto: ReutersCriança chora em helicóptero militar após ser retirada pelas forças iraquianas de Amerli, ao norte de Bagdá (29/08). Foto: ReutersCurdos e militantes islâmicos lutam no norte do Iraque (12/08). Foto: ReutersIraquianos carregam retratos do primeiro-ministro iraquiano Nuri al-Maliki enquanto se reúnem em apoio a ele em Bagdá, Iraque (11/08). Foto: ReutersMilhares de iraquianos fugiram com avanço de militantes do EI, inclusive integrantes de minorias religiosas (9/08). Foto: APTropas curdas implantam segurança intensa contra os militantes islâmicos do Estado em Khazer (8/08). Foto: ReutersTropas curdas patrulham em um tanque durante operação contra militantes do Estado Islâmico em Makhmur, nos arredores da província de Nínive, Iraque (7/08). Foto: ReutersParentes choram a morte de homem da YPG, morto durante confrontos com combatentes do Estado Islâmico na cidade iraquiana de  Rabia, na fronteira do Iraque-Síria (6/08). Foto: ReutersVoluntários xiitas do Exército iraquiano se recuperam em hospital após serem feridos em confrontos com militantes do Estado Islâmico em Basra, sudeste de Bagdá (6/08). Foto: ReutersMulher visita túmulo de um parente em cemitério durante as celebrações do Eid al-Fitr, que marca o fim do Ramadã, em Bagdá (28/07). Foto: ReutersSoldado iraquiano perto de corpo de um membro do Estado Islâmico que morreu durante confrontos com forças iraquianas em Tikrit, Iraque (19/07). Foto: ReutersBandeira preta usada pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante flamula de delegacia danificada em Mosul, norte do Iraque (1/7). Foto: APVoluntário xiita do Conselho Supremo Islâmico Iraquiano aponta arma durante treinamento em Najaf, Iraque (26/6). Foto: ReutersMembros das forças de segurança iraquianas tomam suas posições durante reforço de segurança no oeste de Bagdá, Iraque (24/6). Foto: ReutersXiitas iraquianos se preparam para patrulhar a aldeia de Taza Khormato, na rica província petrolífera de Kirkuk, no Iraque (22/6). Foto: APCombatentes xiitas levantam suas armas e entoam palavras de ordem após autoridades pedirem ajuda para conter os insurgentes em Sadr, em Bagdá, Iraque (17/06). Foto: APManifestantes gritam em favor do Estado Islâmico do Iraque e do Levante em frente do governo provincial de Mosul (16/4). Foto: APCombatentes tribais xiitas mostram suas armas enquanto tomam parte de Dujail, ao norte de Bagdá, Iraque (16/06). Foto: ReutersCombatentes tribais xiitas levantam suas armas e gritam palavras de ordem contra sunita Exército Islâmico em Basra, Iraque (16/6). Foto: APImagem postada em site militante em 14/6 parece mostrar membros do EIIL mirando contra soldados à paisana depois de tomar base in Tikrit, Iraque. Foto: APImagem postada em site militante em 14/6 parece mostrar membros do EIIL com soldados iraquianos à paisana capturados após tomada de base em Tikrit, Iraque
. Foto: APImagem postada em site militante em 14/6 parece mostrar membros do EIIL com soldados iraquianos à paisana capturados após tomada de base em Tikrit, Iraque. Foto: APCombatentes iraquianos xiitas seguram suas armas enquanto gritam palavras de ordem contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante em Cidade Sadr, Bagdá (13/6). Foto: APVoluntários esperam para se juntar ao Exército e combater militantes predominantemente sunitas em Bagdá, Iraque (13/6). Foto: ReutersPresidente dos EUA, Barack Obama, fala sobre a situação no Iraque em pronunciamento na Casa Branca, em Washington (13/6). Foto: APImagem postada em Twitter militante mostra membro do Estado Islâmico do Iraque e do Levante com sua bandeira em base militar na Província de Ninevah, Iraque (12/6). Foto: APImagem publicada por militantes no Twitter mostra combatentes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante em local na fronteira entre o Iraque e a Síria (12/6). Foto: APMuitas famílias começaram a deixar Mosul depois de ocupação por insurgentes sunitas (13/6). Foto: ReutersForças de segurança curda se posicionam do lado de fora da cidade petrolífera de Kirkuk após abandono de tropas iraquianas (12/6). Foto: APVeículos queimados pertencentes às forças de segurança iraquianas são vistos em posto de controle no leste de Mosul (11/6). Foto: ReutersPolicial federal do Iraque monta aguarda enquanto colega faz buscas em carro em posto de controle de Bagdá, Iraque (11/6). Foto: APFamílias que fogem da violência na cidade de Mosul esperam em posto de controle nos arredores de Irbil, região do Curdistão iraquiano (10/6). Foto: ReutersRefugiados que deixam Mosul se dirigem à região autônoma curda em Irbil, Iraque, a 350 km a norte de Bagdá (10/6). Foto: APMilitares se preparam para assumir suas posições durante confrontos com militantes no norte da cidade de Mosul, Iraque (9/06). Foto: AP

Depois de conversas em Jidá, segunda maior cidade da Arábia Saudita, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, conquistou o endosso de dez países árabes – Egito, Iraque, Jordânia, Líbano e seis Estados do Golfo Pérsico, incluindo os ricos rivais Arábia Saudita e Catar – para uma coalizão para enfrentar os militantes sunitas.

A Turquia, potência regional não-árabe, também participou das conversas. Mas dois poderosos países da região, o xiita Irã e a própria Síria, foram excluídos, um sinal da dificuldade de se formar uma coalizão que supere as divisões sectárias do Oriente Médio.

No comunicado conjunto, as nações árabes concordaram em fazer mais para deter o fluxo de fundos e combatentes para o Estado Islâmico e ajudar a reerguer as comunidades “brutalizadas” pelo grupo radical.

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“Os Estados participantes concordaram em fazer a sua parte na luta abrangente contra o Estado Islâmico, inclusive, como é apropriado, unindo-se nos muitos aspectos de uma campanha militar coordenada contra o Estado Islâmico”, declararam.

Kerry afirmou que os países árabes irão desempenhar um papel crucial na coalizão, embora tenha acrescentado que nenhum país da aliança esteja cogitando o envio de tropas terrestres.

Ele se reuniu com líderes árabes para angariar apoio um dia depois de Obama anunciar seus planos de atacar os militantes no Iraque e na Síria. Autoridades dos EUA disseram que Kerry também buscou permissão para ampliar o uso das bases na região e sobrevoar seu espaço aéreo, temas que não foram mencionados no comunicado.

Divisões regionais
Os sauditas, que apoiam outros grupos sunitas armados na Síria mas consideram o Estado Islâmico uma facção terrorista, ainda prometeram auxiliar a campanha de Obama, oferecendo campos de treinamento para combatentes sunitas sírios moderados.

Mas o Irã, principal potência xiita do Oriente Médio e apoiador do presidente sírio (Bashar al-Assad), disse ter sérias reservas em relação à nova coalizão encabeçada pelos EUA, e duvidou que ela realmente enfrente “as causas de fundo do terrorismo”, que atribui explicitamente a países árabes sunitas como a Arábia Saudita.

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A Casa Branca declarou que o Estado Islâmico também é uma ameaça ao Ocidente, já que atrai combatentes de todo o mundo que poderiam voltar a seus países de origem e cometer atentados.

Uma aliança contra o grupo radical irá implicar na cooperação entre países que se consideram inimigos. Washington apoia o governo xiita iraquiano recém-empossado, mas se opõe a Assad na Síria e é aliado da maioria das nações árabes sunitas, mas hostil ao Irã.

Kerry ainda irá exortar canais de televisão regionais - especialmente a Al Jazeera, do Catar, e a saudita Al Arabiya - a veicularem mensagens anti-extremismo e ordenará os governos regionais a pressionarem as mesquitas a pregarem contra o Estado Islâmico.

A perspectiva de uma ação armada norte-americana na Síria também despertou preocupação da Rússia, que vem apoiando Assad. Em Moscou, o Ministério das Relações Exteriores declarou que ataques aéreos ao país sem um mandato do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) seriam um ato de agressão.

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