Catalunha torce pelo 'sim' em referendo escocês de olho na própria independência

Por BBC Brasil | - Atualizada às

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Governo espanhol rejeitou referendo da Catalunha, convocado para 9 de novembro; grupo foi à Justiça buscando a aprovação

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Às vésperas do referendo sobre a independência da Escócia, separatistas da região da Catalunha torcem por uma vitória do "sim" para dar impulso a uma controversa consulta semelhante na Espanha.

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O governo espanhol rejeitou o referendo da Catalunha, convocado para 9 de novembro, mas os separatistas foram à Justiça para buscar a sua aprovação. No Dia Nacional da Catalunha, que neste 11 de setembro marca o tricentenário da perda de sua independência, o assunto ganhou ainda mais força.

O presidente da comunidade autônoma da Catalunha, Artur Mas, disse em pronunciamento em rede regional de televisão na quarta-feira que o povo catalão "não quer impor uma decisão: quer ser escutado".

Para Mas, "silenciar a voz de um povo que quer falar é um erro; negar o voto a quem vê nas urnas a solução, e não o problema, é um erro duplo". O governo catalão defende o direito de voto dos escoceses, independentemente do resultado.

"Que eles possam votar, isso já é uma vitória", afirmou uma fonte oficial à BBC Brasil. "Somos a favor da autodeterminação, que os povos decidam democraticamente. Esse é o nosso principio ético e político."

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Para o governo espanhol, a independência da Escócia não abriria precedente jurídico para a Catalunha, como temem alguns.

Para eles, a Espanha poderia tentar vetar a entrada da Escócia na União Europeia como forma de se prevenir contra o processo na Catalunha.

O governo catalão diz que se o "sim" escocês vencer, haverá naturalmente um grande interesse dos cidadãos em saber como a União Europeia gerenciará a integração do novo Estado.

Em seu pronunciamento na véspera do Dia da Catalunha, Artur Mas disse que "uma parte significativa do povo catalão voltará a demonstrar ao mundo qual é a ‘via catalã’ de entender a democracia e a liberdade".

Via Catalã

A via catalã à que ele se refere é a manifestação mais expressiva que será realizada nesta quinta-feira, às 17h14, em alusão ao ano da queda de Barcelona na Guerra de Sucessão Espanhola (1702-1714).

A expectativa é de que mais de meio milhão de pessoas formem uma gigante letra "V" (de votar, vontade e vitória), ao longo de 11 quilômetros das duas principais avenidas da Barcelona – Gran Via e Diagonal.

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Reprodução/BBC
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No ponto principal, 947 urnas representam os municípios da região e o pedido da legalização da consulta.

A manifestação é aguardada com grande expectativa pela base aliada do governo catalão, porque servirá para medir o apoio social ao "direito de decidir".

A Via Catalã 2014 é organizada pela Assembleia Nacional Catalã (ANC) e a Òmnium Cultural, sob o lema "Agora é a hora".

Segundo Àlex Ribó, porta-voz da ANC, a reivindicação catalã vem de três séculos e vários momentos da história.

"Há um conflito direto dos catalães com o governo espanhol, tanto de direita quanto de esquerda. Depois de mais de três décadas da instauração da democracia, vemos que não é um problema de governo, mas de Estado", disse.

Ribó acredita que a vitória do "sim" escocês beneficiaria o processo catalão.

"Vai influenciar na medida em que saberemos que portas encontraremos abertas ou não na União Europeia", analisa.

Como pontos em comum, ele destaca a vontade de grande parte da população "de se governar melhor". E como maior diferença, destaca que o Reino Unido permitiu o voto, e a Espanha, não.

Contra a independência

Embora as manifestações favoráveis à separação sejam mais numerosas, a fatia da população contrária à independência da Catalunha também realiza programação nesta quinta-feira, mas fora de Barcelona.

"Não podemos competir com eles (independentistas) em número, mas queremos mostrar que somos uma Catalunha plural", explica Susana Beltrán, vice-presidente da Sociedade Civil Catalã (SCC), um grupo que contrário à independência.

A principal manifestação dos anti-independentistas será um "ato festivo" na cidade de Tarragona, para "explicar a verdadeira história de Catalunha".

"O honesto seria explicar que aquela foi uma guerra entre poderes, não entre catalães", resume. Ela não acredita no peso da Via Catalã no debate separatista.

Beltrán comenta que acompanha com atenção o processo da Escócia, ainda que sejam realidades muito diferentes.

"Não temos medo (do resultado escocês), é preciso esperar acontecer. Se vencer o sim, a Escócia ainda terá de resolver suas diferenças, como a moeda e sua situação na União Europeia", diz.

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