Os diplomatas afirmam que a Alemanha tem pressionado pela implementação de sanções, mas outros países querem esperar

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Embaixadores de países da União Europeia não chegaram a uma decisão nesta quarta-feira (10) sobre a implementação de novas sanções contra a Rússia pelo envolvimento militar de Moscou no conflito na Ucrânia, e vão se reunir novamente na quinta-feira para discutir o tema, disseram diplomatas da UE.

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Os diplomatas afirmaram ainda que a Alemanha tem pressionado pela implementação das sanções, enquanto vários outros países da UE querem esperar, uma vez que o cessar-fogo está sendo respeitado. Diplomatas da UE disseram que a ideia geral ainda é impor as sanções por meio de publicação no Diário Oficial da UE na sexta-feira.

Mais cedo, a chanceler alemã Angela Merkel defendeu que a União Europeia deveria ir em frente com o anúncio de novas sanções econômicas contra a Rússia, e acrescentou que, de qualquer modo, elas poderão ser suspensas se houver progressos substanciais no sentido de um plano de paz para a Ucrânia.

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"Em vista da situação atual, que, de fato, trouxe uma melhoria em relação às atividades militares - não é um cessar-fogo 100 por cento, mas é uma melhoria -, e a falta de clareza em muitos outros pontos que citei, somos a favor de que essas sanções sejam implementadas agora", declarou ela ao Parlamento alemão.

A chanceler acrescentou que a Alemanha seria "a primeira" a recomendar a suspensão das sanções se um plano de paz de 12 pontos para a Ucrânia for implementado.

Crimes de guerra

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A Anistia Internacional disse nesta quarta ter documentos que provam crimes de guerra cometidos por ambos os lados do conflito entre forças ucranianas e separatistas pró-Rússia no leste da Ucrânia.

secretário-geral da OSCE - organização de defesa dos direitos humanos -, Salil Shetty, disse em uma coletiva de imprensa em Moscou que alguns separatistas, apoiados por tropas russas, e o batalhão ucraniano cometeram abusos contra os direitos humanos em meio ao conflito que já dura cinco meses.

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Citando imagens de satélite e relatos de testemunhas, Shetty disse que o envolvimento da Rússia na violência no leste ucraniano significa que o país é parte no conflito, que poderia ser responsabilizado no caso da ocorrência de crimes de guerra.

"Nós temos repetidamente levantado a questão de crimes de guerra, e em nosso relatório mais recente temos evidência documentada de crimes de guerra de ambos os lados", afirmou Shetty, repetindo as denúncias em Moscou, onde as autoridades tem negado envolvimento no conflito ucraniano.

Shetty disse que a organização pediu audiências com o presidente russo, Vladimir Putin, e o chanceler, Sergei Lavrov, mas nenhum dos dois concordou em recebê-lo ou responder às acusações. A Rússia tem negado ser uma das partes envolvidas no conflito e recusou as denúncias de que tenha enviado soldados e armas em apoio aos separatistas.

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Shetty disse que as violações de direitos humanos, incluindo espancamentos e sequestros, foram perpetradas por separatistas "que sabemos estarem sendo apoiados por forças russas" e pelo batalhão ucraniano Aidar, um grupo voluntário de defesa do território.

Ele também pediu a abertura de uma investigações sobre as acusações de ambos os lados sobre o bombardeio indiscriminado com o uso de morteiros, que levou à morte de 1 mil civis.

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