Em discurso transmitido em rede nacional nos EUA, presidente afirmou que não permitirá "nenhum porto seguro" aos rebeldes

Reuters

O presidente dos EUA, Barack Obama, disse em discurso televisionado em rede nacional, nesta quarta-feira (10), que não hesitará em atacar os militantes do Estado Islâmico na Síria e ressaltou, como princípio fundamental de seu mandato: não permitirá aos rebeldes "nenhum porto seguro".

Veja fotos das ações do grupo Estado Islâmico no Iraque:

"Eu tenho deixado claro que vamos caçar terroristas que ameaçam o nosso país onde quer que estejam", disse Obama. "Isso significa que não hesitarei em tomar medidas contra o EI na Síria, assim como no Iraque."

O Estado Islâmico, que mostrou vídeos com a decapitação de dois jornalistas norte-americanos recentemente, tomou porções gigantescas de territórios do Iraque e da Síria. E, embora autoridades norte-americanas digam que não há uma ameaça iminente de ataques aos EUA, há fortes temores de que indivíduos ocidentais que foram lutar ao lado do grupo possam retornar às suas terras natais para provocar o caos.

Leia mais:
Americana se declara culpada de conspiração para ajudar o Estado Islâmico
Kerry chega a Bagdá em busca de coalizão contra o Estado Islâmico

Além da ampla estratégia de longo prazo para derrotar os rebeldes, o discurso também teve o objetivo de convencer aliados dos norte-americanos a iniciarem com o país uma forte coalizão para combater os jihadistas nos dois países, onde recentemente proclamaram a formação de um califado.

Depois de mais de 150 ataques aéreos no Iraque no último mês, as forças iraquianas e curdas conseguiram conter o avanço da Estado Islâmico. Obama tem sinalizado há alguns dias que está querendo expandir a missão para a Síria, onde está a sede da organização responsável pela decapitação de dois jornalistas norte-americanos.

As medidas representam uma mudança significativa para um presidente que já esteve relutante em aumentar a presença militar dos EUA na região, e que há três anos retirou as últimas forças de combate do Iraque.

Presidente no discurso exibido em rede nacional na véspera do aniversário do 11 de Setembro
Reuters
Presidente no discurso exibido em rede nacional na véspera do aniversário do 11 de Setembro

Obama conversou com o rei Abdullah, da Árabia Saudita, mais cedo na quarta-feira como parte desses esforços, e o secretário de Estado John Kerry, que visita Bagdá, se encontrará com líderes da região nos próximos dias.

O presidente disse a líderes do Congresso na terça que não precisa de autorização adicional para conduzir seu plano, mas a Casa Branca está preocupada em conseguir seu apoio, assim como o da comunidade internacional.

Leia também:
Grã-Bretanha vai enviar metralhadoras e munição para exército iraquiano e curdos
Árabes e americanos marcam reunião sobre combate ao Estado Islâmico

Obama chegou perto de tomar ações militares diretas há um ano na Síria, em apoio ao que Washington considera forças rebeldes mais moderadas que combatem Bashar al Assad, mas não o fez por conta de fortes oposições no Congresso.

Pesquisas nessa semana mostram que a maioria dos norte-americanos apoia ações contra os militantes rebeldes. Mais de 70% deles apoia ataques aéreos no Iraque e 65% os apoiam na Síria, segundo uma pesquisa conjunta do Washington Post e da ABC News. Uma pesquisa da NBC News e do Wall Street Journal mostrou que 61% estão nos interesses dos EUA.


    Leia tudo sobre: estado islâmico
    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.