Secretário de Estado dos EUA pressionou o líder xiita do Iraque a oferecer mais poder aos sunitas e assim deter o grupo sunita

Com um novo governo iraquiano em atividade e um consenso crescente no Oriente Médio em derrotar insurgentes, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, pressionou o líder xiita do Iraque, nesta quarta-feira (10), a oferecer mais poder aos sunitas ou colocar em risco qualquer esperança de derrotar o Estado Islâmico .

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Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, à esq., conversa com o novo premiê iraquiano Haider al-Abadi durante reunião em Bagdá, no Iraque
AP
Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, à esq., conversa com o novo premiê iraquiano Haider al-Abadi durante reunião em Bagdá, no Iraque

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Kerry aterrissou na capital iraquiana apenas dois dias após o recém-empossado premiê Haider al-Abadi definir os principais ministros de seu governo, um passo crucial para restaurar a estabilidade em um país onde a segurança está fora de controle desde o início do ano.

A viagem marca o primeiro encontro da autoridade com al-Abadi desde que ele se tornou primeiro-ministro e simboliza o apoio do governo Obama ao Iraque quase três anos depois de as tropas americanas deixaram o país devastado pela guerra.

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Mas é também um sinal para al-Abadi, um muçulmano xiita, de que os EUA estão observando o governo para ter certeza de que ele dará aos sunitas iraquianos mais controle sobre suas estruturas de poder local e forças de segurança, como o prometido.

O antecessor de Al-Abadi, o ex-primeiro-ministro Nouri al-Maliki, deixou os sunitas fora do poder durante anos e se recusou a pagar às milícias tribais salários ou dar-lhes empregos públicos - e, por sua vez semeou ressentimento generalizado que os extremistas do Estado Islâmico aproveitaram como ferramenta de recrutamento.

Al-Abadi hospedou Kerry no ornamentado palácio presidencial onde Saddam Hussein esteve e onde oficiais dos EUA lançaram seu escritório imediatamente após a invasão do Iraque, em 2003. Em breves observações seguintes ao encontro, al-Abadi observou que a violência no Iraque é, em grande parte, uma sobra da guerra civil na Síria, onde os militantes Estado Islâmico formaram um "porto seguro".

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"É claro que o nosso papel é defender o nosso país, mas a comunidade internacional tem a responsabilidade de proteger o Iraque e toda a região", disse al-Abadi em Inglês.

"O que está acontecendo na Síria está vindo para o Iraque. Nós não podemos controlar essa fronteira - é uma fronteira internacional, mas há um papel para a comunidade internacional, para as Nações Unidas e os EUA agir imediatamente para conter essa ameaça".

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Kerry elogiou a nova liderança iraquiana e a descreveu como "ousada" em formar rapidamente um novo governo, além de prometer apoiar as reformas políticas que dariam mais autoridade aos sunitas e resolveria uma disputa de petróleo de longa data entre Bagdá e o governo curdo semi-autônomo no norte do país.

"Nós estamos muito animados", disse Kerry. Ele assegurou a al-Abadi que o presidente Barack Obama irá delinear planos e que "os EUA estão preparados para fazer, juntamente com muitos outros países, uma ampla coalizão a fim de assumir estrutura contra os terroristas, cujos padrões são inaceitáveis em todo o mundo."

Kerry também se reuniu com o novo porta-voz do Parlamento iraquiano, Salim al-Jabouri, um dos mais graduados sunitas do país, que expressou esperança de que o Iraque vai superar ameaças terroristas e estabelecer uma democracia vital - duas questões que perseguem a nação por anos.

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"Estamos diante de um período muito crítico e sensível na história do Iraque", disse al-Jabouri a Kerry.

Atentado

Três carros-bomba explodiram em um bairro xiita no leste de Bagdá nesta quarta-feira matando nove e ferindo outras 29 pessoas, disse um policial. As explosões, detonadas em um intervalo de minutos de uma para outra no bairro Nova Bagdá, ocorrem enquanto o secretário de Estado dos Estados Unidos visita a capital iraquiana e expressa apoio ao governo do novo primeiro-ministro na luta contra o grupo militante Estado Islâmico e encorajar reformas políticas.

*Com AP e Reuters

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