Presença ressalta que Kiev não vai concordar voluntariamente com a perda do que resta de seu domínio sobre essa região

O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, fez uma viagem surpresa ao porto de Mariupol nesta segunda-feira (8), no leste do país, em uma demonstração de solidariedade aos cidadãos de uma área sob ataque entre forças do governo e insurgentes pró-russos.

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O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, centro, aperta a mão de um trabalhador durante sua visita à cidade costeira de Mariupol, Ucrânia
Reuters
O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, centro, aperta a mão de um trabalhador durante sua visita à cidade costeira de Mariupol, Ucrânia


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Durante a visita, o presidente prometeu defender a cidade dos separatistas que avançaram em direção ao local na semana passada, antes de um acordo de cessar-fogo.

"Acabei de chegar em Mariupol. Esta é a nossa terra ucraniana e nós nunca vamos desistir dela por nada e nem ninguém!", escreveu o líder em sua conta oficial no Twitter.

Ao chegar à cidade de 500 mil habitantes, que é vital para as exportações de aço da Ucrânia, Poroshenko disse que "Ordenei (os militares) que garantam a defesa de Mariupol com vários lançadores de foguetes, tanques e cobertura aérea. O inimigo vai sofrer uma derrota esmagadora."

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Poroshenko se encontrou ainda com os trabalhadores de uma fábrica de metal em uma demonstração simbólica de força na área estratégica para o governo ucraniano e que tem estado sob fogo dos rebeldes nos últimos dias. Sua presença ressalta que Kiev não deve acordar voluntariamente com a perda do que resta de seu domínio sobre o leste.

No restante do leste da Ucrânia, uma paz frágil parecia reinar nesta segunda. O conselho da cidade de Donetsk disse que não houve registros de vítimas durante a noite, e nenhuma explosão foi ouvida na parte da manhã no centro.

Em Luhansk, outra cidade oriental controlada pelos rebeldes que tem visto alguns dos piores confrontos, o conselho da cidade não registrou confrontos pela terceira noite consecutiva.

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O Coronel Andriy Lysenko, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Ucrânia, disse que nenhum funcionário havia sido morto e forças rebeldes haviam parado de usar artilharia pesada.

"Essa é uma grande conquista", disse ele. "Nós entendemos que o cessar-fogo impõe uma certa disciplina aos nossos inimigos."

Mas Lysenko disse a jornalistas que os rebeldes haviam violado a trégua meia dúzia de vezes, pelo menos. A Câmara Municipal Donetsk disse na tarde desta segunda que os moradores falaram de em uma possível explosão na cidade.

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O sucesso da trégua seria um marco para todos os lados em um conflito que se arrasta há quase cinco meses e custou ao menos 3 mil vidas, de acordo com uma estimativa da ONU divulgada nesta segunda.

Mas, apesar do cessar-fogo, tem havido pouco consenso entre Kiev e os rebeldes separatistas por uma solução política que acabaria definitivamente com o impasse no leste da Ucrânia.

O sudeste tem sido uma região chave. A área em torno de Mariupol havia permanecido relativamente intocada pela violência até as últimas duas semanas, quando as forças rebeldes empurraram o conflito nessa direção.

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O porto da cidade está estrategicamente localizado no Mar de Azov, aumentando os temores de que, caso caísse, a cidade seria ligada à Rússia continental pelos separatistas por meio da Criméia, península do Mar Negro anexada por Moscou em março. A medida custaria para a Ucrânia também outro grande pedaço de seu litoral e todas as riquezas minerais que o Mar de Azov deve possuir.

Em outros desdobramentos, 15 soldados ucranianos foram libertados pelas forças rebeldes, disse a agência de notícias Interfax-Ucrânia nesta segunda. Lysenko disse que uma troca de prisioneiros com os rebeldes era "tarefa Número 1" para o governo durante o cessar-fogo.

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A trégua começou na sexta-feira, mas foi colocada em perigo no fim de semana pelo bombardeio de Mariupol e combates perto do aeroporto de Donetsk. Os dez dias de cessar-fogo anteriores, em junho, foi crivado por denúncias de violações de ambos os lados.

*Com Reuters e AP

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