Cessar-fogo instável é mantido na Ucrânia; OSCE pede solução política

Por iG São Paulo |

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Há violações esporádicas, diz agência de segurança europeia; trégua faz parte de plano para encerrar conflito após 5 meses

O cessar-fogo entre forças ucranianas e separatistas pró-Rússia estava sendo mantido nesta segunda-feira (8) no leste da Ucrânia apesar de violações esporádicas, mas a agência de segurança europeia disse que ambos os lados precisam buscar um acordo político.

Hoje: Presidente da Ucrânia visita porto estratégico em área de conflito no leste

Reuters
O presidente ucraniano Petro Poroshenko canta hino nacional durante visita ao Ilyich Iron and Steel Works, na cidade costeira de Mariupol


Análise: Entenda a fragilidade do cessar-fogo na Ucrânia

A trégua, que passou a ser respeitada na noite de sexta, faz parte de um plano de paz cuja intenção é encerrar um conflito que já dura cinco meses e que, segundo as Nações Unidas, já deixou mais de 3 mil mortos. O embate também causou a mais profunda tensão entre a Rússia e o Ocidente deste a Guerra Fria.

O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, visitou nesta segunda o porto de Mariupol e prometeu defender a cidade dos separatistas pró-russos que avançaram em direção ao local na semana passada, antes de um acordo de cessar-fogo.

"Acabei de chegar em Mariupol. Esta é a nossa terra ucraniana e nós nunca vamos desistir dela por nada e nem ninguém!", escreveu o líder em sua conta oficial no Twitter.

Ontem: Trégua vacila e mulher é morta por fogo de artilharia na Ucrânia

Ao chegar à cidade de 500 mil habitantes, que é vital para as exportações de aço da Ucrânia, Poroshenko disse que "Ordenei (os militares) que garantam a defesa de Mariupol com vários lançadores de foguetes, tanques e cobertura aérea. O inimigo vai sofrer uma derrota esmagadora."

Mariupol, às margens do Mar de Azoy, também foi palco da pior violação da trégua no sábado, quando forças do governo disseram ter ficado sob ataques de artilharia dos rebeldes. Uma mulher foi morta e quatro pessoas ficaram feridas.

Comboio de caminhões brancos com ajuda humanitária deixa Alabino, nos arredores de Moscou, Rússia (12/08). Foto: APManifestante ao lado de transeuntes na Praça da Independência em Kiev (9/08). Foto: ReutersManifestante segura coquetel molotov enquanto tenta impedir que trabalhadores municipais e voluntários limpem barricadas em Kiev (9/08). Foto: ReutersMembro de equipe antibomba inspeciona cratera com os restos de um projétil depois de uma noite de combates em Donetsk, Ucrânia (6/08). Foto: APMulher deixa prédio danificado por suposto bombardeio levando seus pertences na área central de Donetsk, Ucrânia (29/07). Foto: ReutersRebeldes pró-Rússia em um tanque com a bandeira da Rússia em uma estrada a leste de Donetsk, Ucrânia (21/07). Foto: APPrimeiro-ministro ucraniano Arseniy Yatsenyuk, à dir., conversa com um oficial durante inspecção ao Exército fora da cidade de Slovyansk, Ucrânia (16/07). Foto: APPremiê ucraniano, Arseniy Yatsenyuk (E), cumprimenta soldado ao inspecionar tropas em Slovyansk, leste da Ucrânia (16/07). Foto: APMulher chora perto de prédio que desmoronou após ataque aéreo em Snizhne, a 100 km a leste da cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia (15/07). Foto: APCombatente da República Popular de Donetsk se despede de sua família, que deixa essa cidade no leste da Ucrânia para refugiar-se na Rússia (14/07). Foto: APCombatentes separatistas pró-russos esperam atrás de sacos de areia em posto de controle em Donetsk, Ucrânia (10/07). Foto: ReutersMilitares ucranianos perto das armas apreendidas de separatistas pró-russos perto Slaviansk, Ucrânia (8/07). Foto: ReutersMilitante mascarado pró-Rússia organiza o trânsito em posto de controle após ataque das tropas ucranianas em Slovyansk (24/4). Foto: APAtiradores mascarados pró-Rússia guardam entrada de escritório regional ucraniano do Serviço de Segurança em Luhansk com bandeira russa ao fundo (21/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional capturado em Donetsk. Cartaz diz: 'EUA, tirem as mãos do leste da Ucrânia' (19/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia olha para o lado de fora de janela em prédio da administração regional de Donetsk, Ucrânia (18/4). Foto: APAtirador pró-Rússia abre caminho para veículo de combate com homens armados em seu topo em Slovyansk, Ucrânia (16/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional em Donetsk, Ucrânia (15/4). Foto: APAtivista pró-Rússia é visto durante invasão de delegacia na cidade de Horlivka, leste da Ucrânia (14/4). Foto: APAtivistas armados pró-Rússia ocupam a delegacia de polícia no leste da Ucrânia, na cidade de Slaviansk (12/04). Foto: APAtivistas pró-Rússia ocupam delegacia de polícia e constroem uma barricada na cidade ucraniana oriental de Slovyansk (12/04). Foto: APHomens armados não identificados caminham em área perto de unidade militar ucraniana em Simferopol, Crimeia (18/3). Foto: APSoldado armado, provavelmente russo, anda perto de uma base militar ucraniana na aldeia de Perevalnoye (9/3). Foto: ReutersUm homem armado, que se acredita ser um soldado russo, anda perto da base naval ucraniana na Crimeia, no porto de Yevpatory (8/3). Foto: ReutersMarinheiro observa navio inativo Ochakov, que foi afundado por tropas russas e bloqueou o tráfego de cinco embarcações ucranianas em Myrnyi, oeste da Crimeia, Ucrânia (6/3). Foto: APCriança brinca perto de soldado russo (D) enquanto soldados ucranianos observam do outro lado do portão de base em Perevalne, Crimeia (4/3). Foto: APSoldado pró-Rússia bloqueia base naval na vila de Novoozerne, Crimeia, na Ucrânia (3/3). Foto: APGrupo de homens armados sem emblemas em uniformes cortam luz do Quartel-General das forças navais ucranianas em Sevastopol, Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APComboio russo se move de Sevastopol para Sinferopol na Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APHomem com uniforme sem identificação monta guarda enquanto tropas tomam controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, em Sevastopol (Crimeia), na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda em Balaklava, nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Península da Crimeia (1/3)
. Foto: APEmblema em veículo e placas de outros carros indicam que tropas são do Exército russo (1/3). Foto: APHomens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomens armados não identificados bloqueiam entrada de Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomem armado não identificado com uniforme de camuflagem bloqueia estrada que leva a aeroporto militar em Sevastopol, na Crimeia. Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Crimeia. Foto: APHomem com uniforme sem identificação patrula aeroporto de Simferopol, na Ucrânia (28/2). Foto: AP

Acordo: Cessar-fogo se mantém no leste da Ucrânia neste sábado

"No geral, o cessar-fogo foi mantido, embora esteja pouco firme", disse o embaixador suíço Thomas Greminger, atual presidente da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), acrescentando que os próximos dias seriam cruciais.

O presidente suíço, Didier Burkhalter, disse não estar otimista sobre a manutenção do cessar-fogo e acrescentou que apenas isso não era suficiente. "Os diferentes atores devem realmente pressionar por um avanço (político)."

Sexta: Governo da Ucrânia assina acordo de trégua com rebeldes pró-russos

Ambos os lados divergem sobre o futuro do leste da Ucrânia, que abriga muitas das indústrias pesadas do país. No fim de semana, os rebeldes repetiram a afirmação de que queriam independência para a região ou união com a Rússia, e que não aceitariam o comando do governo ucraniano.

Tanto os rebeldes quanto os militares ucranianos insistem que estão respeitando estritamente o cessar-fogo e culpam os oponentes por quaisquer violações.

"As forças ucranianas estão observando o regime de cessar-fogo, mas quando enfrentam uma ameaça direta a suas vidas, elas revidam fogo. Mas elas permanecem nas posições que estavam no momento que o cessar-fogo foi assinado", disse o porta-voz militar, Andriy Lysneko, em uma coletiva de imprensa em Kiev.

Leia: Otan acusa Rússia de atacar a Ucrânia; presidente ucraniano promete trégua

O centro de imprensa militar ucraniano listou cinco violações dos rebeldes ao cessar-fogo durante da noite de domingo para segunda-feira, enquanto os separatistas acusaram forças do governo de preparar uma ofensiva sobre uma cidade perto do bastião rebelde de Donetsk.

Um repórter da Reuters ouviu disparos de morteiro nas cercanias do aeroporto ao norte de Donetsk na tarde de segunda-feira.

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