Sobe para 300 o número de mortos após chuvas de monções no Paquistão e na Índia

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Chuvas incessantes na Caxemira deixaram aproximadamente 120 mortos em uma das piores inundações a atingir essa área

Deslizamentos de terra e enchentes provocadas pelas chuvas de monções já deixaram cerca de 300 mortos em grandes áreas do norte da Índia e do Paquistão, disseram autoridades neste domingo (7).

Ontem: Chuvas matam 200 pessoas no Paquistão e norte da Índia

AP
Homens que vivem na Caxemira retiram mulheres e idosos de um bairro inundado em Srinagar


Leia mais: Fortes chuvas de monções matam ao menos 40 no Paquistão

Cinco dias de chuvas incessantes na Caxemira, controlada pela Índia, deixaram ao menos 120 mortos na pior inundação da região em mais de cinco décadas, inundando centenas de aldeias e provocando deslizamentos de terra, de acordo com as autoridades.

No vizinho Paquistão, mais de 160 morreram e milhares de casas desabaram, enquanto um funcionário diz que a situação está se tornando uma "emergência nacional".

Vídeo: Chuvas de monções voltam a preocupar o Paquistão

As equipes de resgate em ambos os países estavam usando helicópteros e barcos para tentar chegar a dezenas de milhares de pessoas isoladas em suas casas enquanto a água subia e deixava aldeias submersas. Os esforços de resgate em Srinagar, a principal cidade da Caxemira, foram prejudicados pelas enchentes após a água submergir grandes partes do local.

As chuvas pararam neste domingo, mas autoridades disseram que a água que transbordou do rio Jhelum estava muito agitada para permitir que barcos alcançassem pessoas isoladas em Srinagar durante grande parte do dia. No final da tarde, vários barcos foram mobilizados para iniciar os trabalhos de resgate, disse Omar Abdullah, alto funcionário eleito do estado da Caxemira.

Em muitos dos bairros de Srinagar, a água havia subido cerca de 4 metros, submergindo casas inteiras. Residentes de Stranded deixaram suas casas para viverem com amigos ou parentes em áreas mais seguras.

"Estou com 80 anos e nunca vi inundações como esta", disse Ghulam Nabi de uma janela do terceiro andar de sua casa em Srinagar. "Se o meu bairro está assim, não posso sequer imaginar a devastação em outras áreas."

As enchentes invadiram o primeiro andar do principal hospital maternidade do Estado, forçando mais de 200 pacientes e atendentes a passarem para os andares mais altos do prédio.

AP
Tropas do exército do Paquistão resgatam moradores de uma área alagada por causa das fortes chuvas nos arredores de Islamabad (5/09)

Milhares de policiais e equipes de resgate do Exército foram se espalhando por Jammu e Caxemira para ajudar com os esforços de socorro e salvamento. Em janelas e varandas, moradores preocupados olhavam as águas revoltas e esperavam por socorro.

"A situação é muito triste", disse a principal autoridade da região, civil Rohit Kansal. "Nós não somos capazes de chegar a muitas pessoas, porque a água está se movendo muito rapidamente."

O primeiro-ministro indiano Narendra Modi sobrevoou as áreas atingidas pelas enchentes de um helicóptero neste domingo e prometeu ajuda federal para os estados lidarem com essa situação, que ele descreveu como "desastre nacional".

Do lado indiano da Caxemira, pelo menos 450 aldeias foram submersas e outras 2 mil foram afetadas pelas inundações, disseram autoridades. Todas as escolas, faculdades e escritórios foram fechados.

No Paquistão, a chuva deixou 103 mortos na província oriental de Punjab a partir do colapso de casas, inundações e eletrocussão, disse Ali Syed Imam, um alto funcionário do órgão de resgate da província. Ele disse que mais de 5 mil haviam sido resgatados desde quinta-feira, acrescentando que três soldados haviam desaparecido durante operações de resgate.

Ahmed Kamal, porta-voz da Autoridade Nacional de Gestão de Desastres do Paquistão, disse que houve 48 mortes na área paquistanesa da Caxemira e 11 na área de Gilgit Baltistan e adjacentes desde o início da inundação.

"Helicópteros do Exército e barcos da Marinha estão resgatando pessoas e levando-as para aldeias seguras em Punjab", explicou Kamal.

Naeem Mushtaq, um agricultor de 30 anos que mora no distrito de Gujranwala, disse que ele e outros quatro subiram em árvores quando as águas inundaram sua aldeia no sábado. Eles esperaram nos galhos por mais de 20 horas antes de as equipes de resgate chegaram até eles, afirmou a um repórter da Associated Press.

Mais de 4 mil casas em todo o Paquistão entraram em colapso, deixando milhares de pessoas desabrigadas. Forças Armadas do Paquistão e socorristas civis montaram uma grande operação com helicópteros e barcos para chegar a aldeões para a segurança. Kamal disse que 95 campos de refugiados haviam sido criados para os desabrigados das enchentes.

Paquistão e Índia sofrem com as inundações todos os anos durante a estação das monções, que vai de junho a setembro. Em 2010, enchentes deixaram 1.700 mortos no Paquistão. A Caxemira é dividida entre a Índia e o Paquistão.

*Com AP

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