Leste da Ucrânia tem calma após cessar-fogo, mas moradores continuam céticos

Por Reuters | - Atualizada às

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Aprovada por ucranianos, separatistas, russos e europeus, trégua é parte de roteiro para acordo de paz entre os países

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O cessar-fogo entre forças ucranianas e separatistas pró-Rússia no Leste da Ucrânia parecia estar sendo mantido na noite desta sexta-feira (5), apesar do princípio de um bombardeio no bastião rebelde de Donetsk. Entretanto, muitos moradores e combatentes se mostraram céticos de que a medida será duradoura após seis meses de conflito. Os dois lados continuam discordando sobre o futuro da região.

Veja fotos da crise humanitária na Ucrânia:

Leste da Ucrânia 'corre risco de crise humanitária'. Foto: BBCLeste da Ucrânia 'corre risco de crise humanitária'. Foto: BBCLeste da Ucrânia 'corre risco de crise humanitária'. Foto: BBCLeste da Ucrânia 'corre risco de crise humanitária'. Foto: BBCLeste da Ucrânia 'corre risco de crise humanitária'. Foto: BBCLeste da Ucrânia 'corre risco de crise humanitária'. Foto: BBCLeste da Ucrânia 'corre risco de crise humanitária'. Foto: BBC

A trégua foi aprovada por enviados da Ucrânia, da liderança separatista, da Rússia e da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) em uma reunião em Minsk, capital de Belarus, e é parte de um roteiro para um acordo de paz que ainda incluiria uma troca de prisioneiros e a criação de um corredor humanitário para refugiados e assistência humanitária.

Minutos depois de o cessar-fogo entrar em vigor, às 12h (horário de Brasília), três explosões foram ouvidas ao norte de Donetsk, seguidas de disparos esparsos de morteiros e de artilharia, mas de curta duração.

Os combates prosseguiram durante a maior parte do dia em duas regiões conflagradas no leste ucraniano – perto do porto estratégico de Mariupol, no Mar de Azov, e mais ao norte de Donetsk, sobretudo no entorno do aeroporto da cidade, que permanece em mãos do governo.

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Kiev afirma que suas forças vêm tentando repelir uma grande ofensiva dos rebeldes para tomar Mariupol, cujo porto está localizado entre a Rússia e a península da Crimeia, anexada pelos russos em março, e é crucial para as exportações de aço da Ucrânia.

Comandantes ucranianos negaram as afirmações rebeldes de que forças separatistas adentraram Mariupol nesta sexta-feira.

Mariupol se tornou uma grande preocupação para a Ucrânia depois que os rebeldes irromperam de seus enclaves principais mais ao norte no final de agosto – apoiados, sustenta Kiev, por forças oficiais russas.

A Rússia nega estar enviando soldados e armas para a Ucrânia, apesar do que a Organização para o Tratado do Atlântico Norte (Otan) afirma serem provas contundentes do contrário.

Um porta-voz militar ucraniano declarou em um informe à imprensa em Kiev que cerca de dois mil militares russos foram mortos no conflito até agora, número impossível de confirmar de maneira independente. Recentemente a Organização das Nações Unidas (ONU) estimou o saldo total de mortos em mais de 2.600 até o momento.

Sem otimismo
As pessoas das áreas mais afetadas no leste da Ucrânia ficaram aliviadas com o cessar-fogo, mas poucos acreditam que ele dure.

“Saímos para uma caminhada depois de três dias escondidos, isso é um grande alívio. Mas não estou otimista, já vimos vários cessar-fogo violados”, disse Lesya, moradora de 30 anos de Mariupol e mãe de um recém-nascido.

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Outros afirmaram que, se mantida, a trégua permitirá aos separatistas consolidarem seus avanços, criando condições semelhantes às dos “conflitos congelados” em outras partes da ex-União Soviética, que ajudaram a Rússia a manter sua influência.

Em Donetsk, onde os moradores tendem a culpar o lado ucraniano pelo conflito, o ambiente também era de desânimo.

(Reporta

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