Anúncio da OSCE foi feito enquanto representantes da Ucrânia, Rússia, da Organização e dos insurgentes estavam em Minsk

Ucrânia e rebeldes pró-russos assinaram acordo de cessar-fogo, que começa em menos de duas horas, informou funcionário europeu sobre as negociações nesta sexta-feira (5).

Hoje: Forças ucranianas e rebeldes se enfrentam antes do anúncio de cessar-fogo

Soldado ucraniano carrega tanque em um posto de controle na cidade costeira de Mariupo, Ucrânia
Reuters
Soldado ucraniano carrega tanque em um posto de controle na cidade costeira de Mariupo, Ucrânia


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O anúncio de Heidi Tagliavini, da OSCE, foi feito enquanto representantes da Ucrânia, Rússia, rebeldes pró-russos e da própria Organização para a Segurança e Cooperação na Europa ainda estavam reunidos na capital bielorrussa de Minsk. Ela disse que o cessar-fogo começaria no início da tarde desta sexta (horário de Brasília).

Desde meados de abril, os separatistas apoiados por Moscou têm lutado contra as tropas do governo no leste da Ucrânia em um conflito que já matou cerca de 2.600, de acordo com estimativas da ONU. Na quinta-feira, um oficial militar da Otan, Organização do Tratado do Atlântico Norte, disse à Associated Press que fileiras de soldados russos diretamente envolvidos no conflito haviam crescido na região.

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No início desta sexta, repórteres da Associated Press ouviram um forte bombardeio ao norte e leste de Mariupol. O porto fica na região sudeste do país às margens do mar de Azov, entre o leste da Rússia e a Península da Criméia, a oeste, que a Rússia anexou em março. Os projéteis indicavam que os rebeldes haviam cercado parcialmente a área.

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A ocupação de Mariupol daria aos rebeldes uma forte presença no Mar de Azov e aumentaria a ameaça de eles construírem corredor terrestre entre a Rússia e a Crimeia. Se isso acontecesse, a Ucrânia perderia outro grande pedaço de sua costa e o acesso aos ricos recursos de hidrocarbonetos encontrados em Azov. A Ucrânia já perdeu metade de seu litoral, alguns dos principais portos e incontáveis ​​bilhões em direitos de exploração mineral do Mar Negro com a anexação da Criméia pela Rússia.

"Mariupol é um ponto estratégico. Se perdermos isso, então poderemos perder todo o litoral, todo o sul da Ucrânia", disse Tatyana Chronovil, ativista ucraniana no extremo leste da cidade.

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Há duas semanas, a maré da guerra virou contra as forças da Ucrânia, que até recentemente pareciam estar perto de esmagar a rebelião que já dura cinco meses no leste ucraniano. A Ucrânia e o Ocidente dizem que o contra-ataque rebelde foi liderado por unidades do exército russo regulares, acusação que o Kremlin negou.

Dizendo estar "pronto para fazer o meu melhor para que a guerra termine", o presidente ucraniano Petro Poroshenko expressou "otimismo cuidadoso" sobre a reunião desta sexta. No início desta semana, ele discutiu as linhas gerais de um acordo de paz com o presidente russo, Vladimir Putin, que também expressou otimismo sobre as chances de chegar a um acordo.

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Para todas as avaliações otimistas, no entanto, o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, ainda era cético em relação a verdadeira motivação russa.

"O que conta é o que está realmente acontecendo no local", disse ele ao chegar para a reunião de cúpula no País de Gales na quinta-feira. "Já ouvimos declarações e iniciativas semelhantes por parte da Rússia, que tem sido peça fundamental para a desestabilização na Ucrânia."

O coronel Andriy Lysenko, um porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Ucrânia, em Kiev, disse que sete soldados haviam sido mortos no dia anterior, elevando o número de baixas das forças ucranianas para 846.

*Com AP

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