Além de Putin, temas como a guerra no Afeganistão e o Estado Islâmico (EI) no Oriente Médio dominarão reunião desta quinta

BBC

Líderes da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) que reúne Estados Unidos, Canadá e países europeus, se encontram a partir desta quinta-feira (4) na cidade de Newport, no País de Gales, para uma cúpula que deve ser fundamental para decidir os rumos que a aliança militar seguirá nas próximas décadas.

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Encontro deve ser fundamental para decidir novos rumos da aliança
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Encontro deve ser fundamental para decidir novos rumos da aliança


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O encontro - que conta com a presença do presidente americano, Barack Obama, e do primeiro-ministro britânico, David Cameron, entre outros - deve ser dominado por temas que recentemente vêm afetando os países da aliança e de outras partes do mundo, entre eles a guerra no Afeganistão e o surgimento do Estado Islâmico (EI) no Oriente Médio.

Mas a questão que deve se sobrepor na agenda de discussões deve ser a relação da aliança com a Rússia, estremecida desde o início da crise na Ucrânia, onde conflitos entre tropas governistas e rebeldes separatistas já mataram cerca de 2,6 mil pessoas nos últimos cinco meses.

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Segundo as Nações Unidas, mais de 1 milhão de pessoas foram obrigadas a deixar suas casas no leste da Ucrânia devido aos confrontos.

De acordo com os líderes ocidentais, existem evidências de que os rebeldes separatistas na Ucrânia têm recebido treinamento e armas por parte da Rússia, o que é negado pelo governo de Vladimir Putin.

A tensões na Ucrânia fizeram com que as relações entre a Rússia e o Ocidente atingissem seu pior nível em anos, e há temores de que hostilidades similares às da Guerra Fria estejam retornando, em um momento em que outras ex-repúblicas soviéticas temem interferências por parte da Rússia.

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Mas a crise no país do leste europeu não é o único ponto de atrito entre as duas partes. Veja as principais questões que tensionaram as relações entre a Rússia e os países ocidentais nos últimos anos.

Expansão da Otan para o leste

O fim do comunismo na União Soviética fez com que os governos de países do leste e do centro da Europa passassem a enxergar a adesão à Otan como uma espécie de proteção contra eventuais agressões por parte da Rússia e como um sinal de comprometimento com os valores ocidentais.

Em 1999, uma década após a queda do Muro de Berlim, a Otan admitiu como membros três antigos integrantes do Pacto de Varsóvia (a aliança militar liderada pela União Soviética, extinta em 1991): República Tcheca, Hungria e Polônia.

Outros ex-países do bloco comunista acabaram por aderir à aliança ocidental em 2004: os Estados bálticos (Estônia, Letônia e Lituânia), Bulgária, Romênia, Eslováquia e Eslovênia.

A expansão da Otan para os países bálticos irritou a Rússia de maneira particular, já que estes Estados faziam parte da antiga União Soviética e são tradicionalmente considerados por Moscou como "vizinhos próximos", expressão comumente utilizada por políticos russos para argumentar que estes países não deveriam agir contra os interesses estratégicos do Kremlin.

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Durante a cúpula no País de Gales nesta semana, a Finlândia – que não é membro da aliança – irá assinar um tratado de "Nação Anfitriã" com a Otan. Isto vai fazer com que o país, que divide uma grande extensão de fronteira com a Rússia, passe a dar apoio logístico – embora não vá servir como base – às operações do consórcio.

A Suécia também planeja assinar um acordo semelhante, em data ainda não confirmada, o que vai abrir caminho para adesão formal dos dois países nórdicos ao bloco no futuro.

Em 2008 a Otan também sinalizou a possível adesão da Géorgia, no que foi visto pelo Kremlin como uma provocação direta, assim como aconteceu diante da possibilidade de uma aproximação da Ucrânia com a aliança ocidental.

Sistema de defesa antimísseis

Rasmussen, Obama e Cameron chegam para reunião de cúpula no País de Gales
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Rasmussen, Obama e Cameron chegam para reunião de cúpula no País de Gales

O desenvolvimento de um sistema de defesa antimísseis balísticos por parte dos Estados Unidos, com infraestrutura em países do leste europeu, também é um dos pontos de atrito da aliança com a Rússia.

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A Otan argumenta que o escudo de interceptação de mísseis será exclusivamente defensivo, sem oferecer nenhuma ameaça à Rússia, e que sua instalação teria o objetivo de evitar ataques de países como a Coreia do Norte e o Irã.

A Rússia expressou o desejo de participar do desenvolvimento do sistema, mas essa opção não foi levada à frente. Mesmo assim, a Otan iniciou a implantação de interceptores de mísseis e radares na Romênia, República Tcheca e Polônia.

Em dezembro de 2013, a Rússia instalou mísseis móveis táticos Iskander em seu enclave em Kaliningrado – que fica entre a Polônia e a Lituânia – em resposta ao projeto da Otan.

Guerra contra Geórgia

O breve conflito entre a Rússia e a Geórgia em agosto de 2008 também estremeceu as relações entre Moscou e a Otan.

Durante a guerra, os russos apoiaram os separatistas nas regiões georgianas da Ossétia do Sul e da Abecásia e enviaram tropas para o território da Geórgia, chegando a se aproximar inclusive da capital, Tbilisi. À época, os países ocidentais classificaram as ações da Rússia como desproporcionais, o que não impediu que – a despeito da posição da maior parte da comunidade internacional – Moscou ainda reconhecesse posteriormente as duas regiões como países independentes.

Como resultado, a Otan suspendeu o conselho formado pela aliança e a Rússia em 2002, e o Kremlin determinou o fim da cooperação militar com a Otan.

Guerra em Kosovo

A Rússia é um aliado histórico da Sérvia e ofereceu apoio a Belgrado durante as tensões relacionadas à independência de Kosovo.

A Sérvia nunca aceitou a secessão de Kosovo, conquistada com apoio da Otan em 1999. Muitos outros países também rejeitaram a declaração formal de independência do antigo território sérvio em 2008.

Logo após os bombardeios lançados pela Otan contra a Sérvia em 1999, Moscou também congelou a cooperação militar com a aliança.

Habitado majoritariamente por populações de etnia albanesa, Kosovo iniciou um processo de secessão em relação à Sérvia no final dos anos 1990, que foi respondido com violência por parte das forças de segurança sérvias. A Otan interveio no conflito depois que civis passaram a buscar refúgio em países vizinhos, fugindo em massa das tropas sérvias.

Disputa sobre Tratado

Em 2007, a Rússia suspendeu a observância do Tratado sobre Forças Convencionais na Europa, que limitava a quantidade de forças militares em determinadas regiões do continente. O acordo foi assinado por países ocidentais e antigos membros do Pacto de Varsóvia em 1990 e houve uma tentativa de revisá-lo em 1999.

A Otan, no entanto, se recusou a aprovar atualizações ao tratado alegando que a Rússia deveria antes retirar suas tropas remanescentes na Geórgia e na Moldávia.

Além disso, a Otan anunciou nos últimos dias planos para estabelecer uma força de resposta rápida composta por milhares de homens na Europa Oriental, próximo à fronteira russa.

A força poderia ser mobilizada em 48 horas, em uma medida que iria comprometer ainda mais o Tratado sobre Forças Convencionais, embora a Otan insista que a nova força não teria bases permanentes.

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