'Onde estão os tempos em que Paris não sucumbia à pressão dos EUA como, por exemplo, sobre o Iraque?', disse porta-voz

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Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov fala com secretário-geral do Conselho da Europa, Thorbjorn Jagland, durante encontro em Moscou
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Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov fala com secretário-geral do Conselho da Europa, Thorbjorn Jagland, durante encontro em Moscou

Autoridades russas questionaram nesta quinta-feira (4) a confiabilidade da França como parceira comercial depois que o governo francês suspendeu a entrega de um navio militar devido à crise na Ucrânia, e indicaram que os franceses podem ter cedido à pressão dos Estados Unidos.

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"Onde estão os tempos em que Paris não sucumbia à pressão dos Estados Unidos, como, por exemplo, sobre o Iraque?", escreveu no Facebook a vice-porta-voz do Ministério de Relações Exteriores Maria Zakharova.

Ela também descreveu a decisão da França como uma vergonha. "A reputação da França como uma parceira confiável que cumpre suas obrigações contratuais foi jogada na caldeira das ambições políticas norte-americanas", escreveu Zakharova.

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O presidente francês, François Hollande, resistiu durante meses à pressão de Washington e de outros aliados para abandonar um contrato de 1,2 bilhão de euros para entregar dois porta-helicópteros Mistral à Rússia.

Na véspera de uma cúpula da Otan, o gabinete de Hollande informou na quarta-feira que a França adiaria a entrega do primeiro navio. O governo francês acusou a Rússia de cometer ações na Ucrânia que vão "contra as bases da segurança na Europa".

Durante o governo do presidente Jacques Chirac, a França, assim como a Rússia, se opôs à invasão do Iraque em 2003, liderada pelos Estados Unidos, para derrubar o regime de Saddam Hussein.

Ucrânia

Ainda nesta quinta a Rússia acusou os Estados Unidos de apoiarem o que Moscou descreveu como "partido da guerra" em Kiev, e disse que está esperando a resposta da liderança da Ucrânia e de rebeldes no leste do país ao plano de cessar-fogo apresentado pelo Kremlin.

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"O aumento na retórica anti-Rússia que temos visto exatamente quando há um esforço muito ativo para se buscar uma solução política mostra que o partido da guerra em Kiev tem apoio externo ativo, neste caso, dos Estados Unidos", disse Lavrov.

Em contraste, disse ele, a Rússia está "fazendo e fará" tudo que estiver a seu alcance em busca da paz no leste da Ucrânia.

Lavrov fez uma advertência à Otan, Organização do Tratado do Atlântico Norte, para que não proponha adesão à Ucrânia durante a cúpula da aliança atlântica nesta quintaa e disse para os Estados Unidos que não devem tentar impor sua vontade sobre a ex-república soviética.

Ele também exortou o governo em Kiev e os rebeldes pró-Rússia que combatem as forças ucranianas no leste da Ucrânia a apoiarem as iniciativas de paz delineadas pelo presidente russo, Vladimir Putin, e evitar "uma crise em grande escala" no coração da Europa.

Putin revelou o seu plano de sete pontos na quarta-feira, na véspera da cúpula da Otan, na qual a crise na Ucrânia será discutida.

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"É justamente em um momento como este, quando surge a oportunidade de começar a resolver problemas específicos entre Kiev e as milícias, que alguns setores do governo de Kiev fazem exigências para que a Ucrânia deixe seu status não-alinhado e comece a entrar na Otan", disse Lavrov em conversações com a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, entidade voltada para promoção de direitos e segurança.

"É uma flagrante tentativa de inviabilizar todos os esforços de iniciar um diálogo sobre a garantia da reconciliação nacional", afirmou.

A Rússia tem dito que vai considerar a adesão da Ucrânia à Otan como uma ameaça à sua segurança nacional.

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