'Há uma mudança dramática no âmbito da segurança', afirmou Anders Fogh Rasmussen ao chegar para reunião da cúpula hoje

Reuters

A principal autoridade da Otan acusou a Rússia, nesta quinta-feira (4), de atacar a Ucrânia, enquanto os líderes dos países membros da aliança se reuniram numa cúpula com o objetivo de reforçar o apoio ao governo ucraniano e fortalecer as defesas contra a Rússia, que agora a veem como hostil pela primeira vez desde o fim da Guerra Fria.

Mais cedo: Rússia faz advertência sobre a Ucrânia

Secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, à dir., cumprimenta o presidente ucraniano Petro Poroshenko na chegada para reunião no País de Gales
Reuters
Secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, à dir., cumprimenta o presidente ucraniano Petro Poroshenko na chegada para reunião no País de Gales


Hoje: Putin pede apoio de rebeldes na Ucrânia após prever acordo de paz

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e seus 27 aliados reunidos em um clube de golfe no País de Gales, na Grã-Bretanha, também vão discutir como lidar com o Estado Islâmico - que ocupa partes do Iraque e da Síria e emergiu como uma nova ameaça ao flanco sul da aliança - e como estabilizar o Afeganistão quando forças da Otan deixarem o país no final do ano.

"Estamos diante de uma mudança dramática no âmbito da segurança", disse o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, a jornalistas na chegada à cúpula. "A leste, a Rússia está atacando a Ucrânia."

Sua declaração elevou a retórica ocidental contra Moscou e definiu o tom para a cúpula de dois dias, marcada pelo retorno do confronto Leste-Oeste 25 anos após a queda do Muro de Berlim.

Ontem: Acordo entre Ucrânia e rebeldes pode ser alcançado até sexta-feira, diz Putin

Rasmussen disse ainda que os aliados da Otan vão analisar seriamente qualquer pedido do Iraque de ajuda para enfrentar a crescente insurgência de militantes sunitas.

Cessar-fogo 

O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, disse que vai ordenar na sexta um cessar-fogo para as forças ucranianas que enfrentam separatistas pró-Rússia, abrindo caminho para a implementação de um "plano de paz etapa por etapa" para o país.

Sem acordo: Ucrânia anuncia cessar-fogo permanente; Kremlin nega

Em Newport, onde a Otan realiza uma reunião de cúpula, Poroshenko disse nesta quinta-feira que o cessar-fogo depende da realização de um encontro programado para ocorrer em Minsk, na sexta-feira, entre representantes da Ucrânia, da Rússia e da Organização para Segurança e Cooperação da Europa (OSCE).

"Às 14h no horário local (8h no horário de Brasília), desde que a reunião (em Minsk) aconteça, vou pedir ao Estado-Maior que implemente um cessar-fogo bilateral, e esperamos que a implementação do plano de paz comece amanhã", disse Poroshenko.

Advertência russa

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, fez uma advertência à Otan para que não proponha adesão à Ucrânia durante a cúpula da aliança atlântica nesta quinta e disse para os Estados Unidos que não devem tentar impor sua vontade sobre a ex-república soviética.

Negociação: Secretário-geral da ONU descarta solução militar para crise na Ucrânia

Lavrov também exortou o governo em Kiev e os rebeldes pró-Rússia que combatem as forças ucranianas no leste da Ucrânia a apoiarem as iniciativas de paz delineadas pelo presidente russo, Vladimir Putin, e evitar "uma crise em grande escala" no coração da Europa.

Putin revelou o seu plano de sete pontos na quarta-feira, na véspera da cúpula da Otan, na qual a crise na Ucrânia será discutida.

"É justamente em um momento como este, quando surge a oportunidade de começar a resolver problemas específicos entre Kiev e as milícias, que alguns setores do governo de Kiev fazem exigências para que a Ucrânia deixe seu status não-alinhado e comece a entrar na Otan", disse Lavrov em conversações com a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, entidade voltada para promoção de direitos e segurança.

"É uma flagrante tentativa de inviabilizar todos os esforços de iniciar um diálogo sobre a garantia da reconciliação nacional", afirmou.

A Rússia tem dito que vai considerar a adesão da Ucrânia à Otan como uma ameaça à sua segurança nacional.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.