Presidente Petro Poroshenlo afirmou ter firmado acordo com Vladimir Putin para colocar um fim à violência no leste do país

BBC

O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, anunciou nesta quarta-feira (3) um cessar-fogo permanente acordado com o presidente da Rússia, Vladimir Putin. O acordo foi firmado por telefone entre os dois líderes, segundo um comunicado emitido pela presidência ucraniana.

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AFP
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Porta-voz do Kremlin confirmou que Putin discutiu com Poroshenko uma solução para o conflito na Ucrânia, mas negou que se tratasse de um cessar-fogo, já que "a Rússia não é parte do conflito".

O conflito na Ucrânia opõe as tropas oficiais do governo ucraniano e militantes rebeldes separatistas pró-Rússia. A Rússia é acusada de apoiá-los; no entanto o Kremlin sempre negou esta relação.

Esse anúncio já teve repercussões no mercado financeiro europeu, com alta do euro diante das outras moedas. Havia temores de que um prolongado conflito na Ucrânia pudesse prejudicar a economia europeia, ao abalar as relações comerciais da Europa com a Rússia.

Ainda nesta quarta-feira, o presidente Barack Obama se encontra com líderes da aliança militar Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) na Estônia.

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Ocidente x Rússia

A crise na Ucrânia começou no ano passado, quando a Ucrânia desistiu de aprofundar relações diplomáticas com a Europa, preteridas em favor de acordos bilaterais com a Rússia.

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Essa reaproximação com a Rússia indignou muitos ucranianos que foram às ruas de Kiev. Em fevereiro, eles derrubaram o presidente Viktor Yanukovych, visto como aliado do Kremlin.

A queda de Yanukovych provocou um conflito entre dois grandes grupos no país - os nacionalistas ucranianos e os ucranianos de ascendência russa -, alguns deles formando milícias separatistas.

Em março, a Rússia anunciou a anexação da Crimeia, região na península do Mar Morto com grande população russa. A medida foi amplamente condenada por países da aliança militar Otan.

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Ramificações

A comunidade internacional também se viu envolvida no conflito. A Rússia foi acusada de apoiar militantes separatistas, mas sempre negou qualquer envolvimento. O Ocidente ajudou os nacionalistas ucranianos com material não-militar.

Em abril, rebeldes ucranianos pró-Rússia tomaram prédios governamentais em Donetsk e Luhansk, no leste do país, dando início a um conflito armado.

Em maio, os ucranianos elegeram Petro Poroshenko, um oligarca com influência junto ao Ocidente e apoio de europeus e americanos. A principal plataforma de Poroshenko era trazer estabilidade à região.

Estados Unidos e Europa adotaram sanções econômicas contra a Rússia, para forçar o presidente Vladimir Putin a negociar uma solução na Ucrânia.

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Em meses de conflito, a violência matou 2,6 mil pessoas e forçou um milhão de pessoas a deixar suas casas, segundo a ONU. Mais de 814 mil deixaram a Ucrânia para morar na Rússia. Há relatos de supostas atrocidades cometidas em Luhansk.

A crise é vista como analistas como o mais grave conflito de segurança na Europa desde o fim da Guerra Fria, por colocar em lados opostos duas potências militares: a Rússia e a Otan.

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