Ucrânia anuncia cessar-fogo permanente; Kremlin nega

Por BBC Brasil | - Atualizada às

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Presidente Petro Poroshenlo afirmou ter firmado acordo com Vladimir Putin para colocar um fim à violência no leste do país

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O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, anunciou nesta quarta-feira (3) um cessar-fogo permanente acordado com o presidente da Rússia, Vladimir Putin. O acordo foi firmado por telefone entre os dois líderes, segundo um comunicado emitido pela presidência ucraniana.

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Porta-voz do Kremlin confirmou que Putin discutiu com Poroshenko uma solução para o conflito na Ucrânia, mas negou que se tratasse de um cessar-fogo, já que "a Rússia não é parte do conflito".

O conflito na Ucrânia opõe as tropas oficiais do governo ucraniano e militantes rebeldes separatistas pró-Rússia. A Rússia é acusada de apoiá-los; no entanto o Kremlin sempre negou esta relação.

Esse anúncio já teve repercussões no mercado financeiro europeu, com alta do euro diante das outras moedas. Havia temores de que um prolongado conflito na Ucrânia pudesse prejudicar a economia europeia, ao abalar as relações comerciais da Europa com a Rússia.

Ainda nesta quarta-feira, o presidente Barack Obama se encontra com líderes da aliança militar Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) na Estônia.

Domingo: Moscou e Kiev fazem troca de soldados capturados

Ocidente x Rússia

A crise na Ucrânia começou no ano passado, quando a Ucrânia desistiu de aprofundar relações diplomáticas com a Europa, preteridas em favor de acordos bilaterais com a Rússia.

Comboio de caminhões brancos com ajuda humanitária deixa Alabino, nos arredores de Moscou, Rússia (12/08). Foto: APManifestante ao lado de transeuntes na Praça da Independência em Kiev (9/08). Foto: ReutersManifestante segura coquetel molotov enquanto tenta impedir que trabalhadores municipais e voluntários limpem barricadas em Kiev (9/08). Foto: ReutersMembro de equipe antibomba inspeciona cratera com os restos de um projétil depois de uma noite de combates em Donetsk, Ucrânia (6/08). Foto: APMulher deixa prédio danificado por suposto bombardeio levando seus pertences na área central de Donetsk, Ucrânia (29/07). Foto: ReutersRebeldes pró-Rússia em um tanque com a bandeira da Rússia em uma estrada a leste de Donetsk, Ucrânia (21/07). Foto: APPrimeiro-ministro ucraniano Arseniy Yatsenyuk, à dir., conversa com um oficial durante inspecção ao Exército fora da cidade de Slovyansk, Ucrânia (16/07). Foto: APPremiê ucraniano, Arseniy Yatsenyuk (E), cumprimenta soldado ao inspecionar tropas em Slovyansk, leste da Ucrânia (16/07). Foto: APMulher chora perto de prédio que desmoronou após ataque aéreo em Snizhne, a 100 km a leste da cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia (15/07). Foto: APCombatente da República Popular de Donetsk se despede de sua família, que deixa essa cidade no leste da Ucrânia para refugiar-se na Rússia (14/07). Foto: APCombatentes separatistas pró-russos esperam atrás de sacos de areia em posto de controle em Donetsk, Ucrânia (10/07). Foto: ReutersMilitares ucranianos perto das armas apreendidas de separatistas pró-russos perto Slaviansk, Ucrânia (8/07). Foto: ReutersMilitante mascarado pró-Rússia organiza o trânsito em posto de controle após ataque das tropas ucranianas em Slovyansk (24/4). Foto: APAtiradores mascarados pró-Rússia guardam entrada de escritório regional ucraniano do Serviço de Segurança em Luhansk com bandeira russa ao fundo (21/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional capturado em Donetsk. Cartaz diz: 'EUA, tirem as mãos do leste da Ucrânia' (19/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia olha para o lado de fora de janela em prédio da administração regional de Donetsk, Ucrânia (18/4). Foto: APAtirador pró-Rússia abre caminho para veículo de combate com homens armados em seu topo em Slovyansk, Ucrânia (16/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional em Donetsk, Ucrânia (15/4). Foto: APAtivista pró-Rússia é visto durante invasão de delegacia na cidade de Horlivka, leste da Ucrânia (14/4). Foto: APAtivistas armados pró-Rússia ocupam a delegacia de polícia no leste da Ucrânia, na cidade de Slaviansk (12/04). Foto: APAtivistas pró-Rússia ocupam delegacia de polícia e constroem uma barricada na cidade ucraniana oriental de Slovyansk (12/04). Foto: APHomens armados não identificados caminham em área perto de unidade militar ucraniana em Simferopol, Crimeia (18/3). Foto: APSoldado armado, provavelmente russo, anda perto de uma base militar ucraniana na aldeia de Perevalnoye (9/3). Foto: ReutersUm homem armado, que se acredita ser um soldado russo, anda perto da base naval ucraniana na Crimeia, no porto de Yevpatory (8/3). Foto: ReutersMarinheiro observa navio inativo Ochakov, que foi afundado por tropas russas e bloqueou o tráfego de cinco embarcações ucranianas em Myrnyi, oeste da Crimeia, Ucrânia (6/3). Foto: APCriança brinca perto de soldado russo (D) enquanto soldados ucranianos observam do outro lado do portão de base em Perevalne, Crimeia (4/3). Foto: APSoldado pró-Rússia bloqueia base naval na vila de Novoozerne, Crimeia, na Ucrânia (3/3). Foto: APGrupo de homens armados sem emblemas em uniformes cortam luz do Quartel-General das forças navais ucranianas em Sevastopol, Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APComboio russo se move de Sevastopol para Sinferopol na Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APHomem com uniforme sem identificação monta guarda enquanto tropas tomam controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, em Sevastopol (Crimeia), na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda em Balaklava, nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Península da Crimeia (1/3)
. Foto: APEmblema em veículo e placas de outros carros indicam que tropas são do Exército russo (1/3). Foto: APHomens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomens armados não identificados bloqueiam entrada de Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomem armado não identificado com uniforme de camuflagem bloqueia estrada que leva a aeroporto militar em Sevastopol, na Crimeia. Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Crimeia. Foto: APHomem com uniforme sem identificação patrula aeroporto de Simferopol, na Ucrânia (28/2). Foto: AP

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Essa reaproximação com a Rússia indignou muitos ucranianos que foram às ruas de Kiev. Em fevereiro, eles derrubaram o presidente Viktor Yanukovych, visto como aliado do Kremlin.

A queda de Yanukovych provocou um conflito entre dois grandes grupos no país - os nacionalistas ucranianos e os ucranianos de ascendência russa -, alguns deles formando milícias separatistas.

Em março, a Rússia anunciou a anexação da Crimeia, região na península do Mar Morto com grande população russa. A medida foi amplamente condenada por países da aliança militar Otan.

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Ramificações

A comunidade internacional também se viu envolvida no conflito. A Rússia foi acusada de apoiar militantes separatistas, mas sempre negou qualquer envolvimento. O Ocidente ajudou os nacionalistas ucranianos com material não-militar.

Em abril, rebeldes ucranianos pró-Rússia tomaram prédios governamentais em Donetsk e Luhansk, no leste do país, dando início a um conflito armado.

Em maio, os ucranianos elegeram Petro Poroshenko, um oligarca com influência junto ao Ocidente e apoio de europeus e americanos. A principal plataforma de Poroshenko era trazer estabilidade à região.

Estados Unidos e Europa adotaram sanções econômicas contra a Rússia, para forçar o presidente Vladimir Putin a negociar uma solução na Ucrânia.

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Em meses de conflito, a violência matou 2,6 mil pessoas e forçou um milhão de pessoas a deixar suas casas, segundo a ONU. Mais de 814 mil deixaram a Ucrânia para morar na Rússia. Há relatos de supostas atrocidades cometidas em Luhansk.

A crise é vista como analistas como o mais grave conflito de segurança na Europa desde o fim da Guerra Fria, por colocar em lados opostos duas potências militares: a Rússia e a Otan.

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