Arseny Yatseniuk voltou a afirmar que "o verdadeiro plano de Putin é destruir a Ucrânia e restaurar a União Soviética"

Reuters

O presidente russo, Vladimir Putin, delineou planos para um cessar-fogo no Leste da Ucrânia nesta quarta-feira (3), mas o primeiro-ministro ucraniano rejeitou a proposta, chamando-a de "decepção". 

Veja fotos dos russos em território ucraniano:

Enquanto o premiê Arseny Yatseniuk criticou o plano, o presidente do país europeu, Petro Poroshenko, que conversou com Putin sobre ele por telefone, disse acreditar que Kiev e os separatistas pró-Rússia podem chegar a um acordo nas conversas planejadas para serem realizadas em Minsk, Belarus, nesta sexta (5).

“Nossas visões sobre a maneira de resolver o conflito, me pareceu, são muito próximas”, declarou Putin aos repórteres durante uma visita à capital da Mongólia, Ulan Bator, descrevendo as sete etapas que propôs para garantir um desfecho para a crise.

Entre elas estão a suspensão de operações ofensivas dos separatistas, o recuo das forças ucranianas, o fim dos ataques aéreos ucranianos, a criação de corredores de ajuda humanitária, a reconstrução da infraestrutura danificada e a troca de prisioneiros.

Leia mais:
Ucrânia anuncia cessar-fogo permanente; Kremlin nega
Para Obama, Otan precisa ajudar a fortalecer Exército da Ucrânia
Vídeo mostra soldados ucranianos sendo humilhados por rebeldes

Para Poroshenko, a conversa com Putin injetou algum ânimo nos esforços para encerrar o conflito que já matou mais de 2.600 pessoas desde abril, dizendo esperar que “o processo de paz finalmente comece” nas tratativas de sexta e que ele e Putin alcancem um “entendimento mútuo” sobre os passos rumo à paz.

Mas, às vésperas de uma cúpula da Organização para o Tratado do Atlântico Norte (Otan) para discutir o país do Leste europeu, o premiê Yatseniuk reafirmou com aspereza que “o verdadeiro plano de Putin é destruir a Ucrânia e restaurar a União Soviética”.

Presidente dos EUA, Barack Obama também se mostrou cauteloso, afirmando que o conflito só pode terminar se a Rússia parar de fornecer armas e soldados aos rebeldes, acusação que Moscou nega.

Em mais um sinal da desconfiança ocidental crescente e da desaprovação a Moscou por sua conduta na Ucrânia, a França declarou que não irá levar adiante a entrega já planejada do primeiro de dois porta-helicópteros Mistral à Rússia.

Moscou afirmou que a rejeição do negócio de 1,2 bilhão de euros prejudicaria mais a França do que a Rússia, e o Ministério da Defesa russo disse não ver “nenhuma tragédia” na decisão. Entretanto, o gesto deve irritar o Kremlin e ressaltar o isolamento cada vez maior do país governado por Putin.

Cessar-fogo
As propostas de cessar-fogo tiveram pouco impacto no Leste da Ucrânia, palco dos conflitos. Os bombardeios na cidade de Donetsk, controlada pelos rebeldes, continuaram e colunas de fumaça foram vistas na área que inclui o aeroporto da cidade.

Líderes rebeldes disseram ter pouca fé de que as forças ucranianas respeitem qualquer trégua nos combates. Mas um cessar-fogo pode ser bem-vindo para o país restaurar sua já combalida economia. 

O porta-voz de Putin, Dmitry Peskov, procurou abordar as preocupações com as propostas de trégua dizendo que elas não tratam da situação das áreas ocupadas pelos rebeldes.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.