Presidente disse que a aliança deve manter as portas abertas a novos membros para conter o que chamou de 'agressão russa'

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O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu à Otan, Organização do Tratado do Atlântico Norte, que ajuda a fortalecer o Exército da Ucrânia e disse nesta quarta-feira (3) que a aliança deve manter as portas abertas a novos membros para conter o que chamou de agressão da Rússia ao país.

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Presidente dos EUA, Barack Obama, fala durante seu discurso em Tallinn
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Presidente dos EUA, Barack Obama, fala durante seu discurso em Tallinn


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Obama falou na Estônia, uma das três ex-repúblicas soviéticas bálticas na fronteira com a Rússia que temem que a rebelião separatista no leste da Ucrânia possa resultar em problemas para elas, que também têm minorias étnicas russas.

Obama, que vai participar de uma cúpula da Otan no País de Gales na quinta-feira, acusou a Rússia de realizar um "ataque descarado" à Ucrânia, que luta há cinco meses contra separatistas pró-Rússia que Moscou descreve como uma força de defesa se protegendo de agressores ucranianos.

"A Otan precisa assumir compromissos concretos para ajudar a Ucrânia a modernizar e fortalecer suas forças de segurança. Precisamos fazer mais para ajudar nossos parceiros na Otan, incluindo Geórgia e Moldávia, a fortalecer suas defesas também", disse ele em discurso em uma sala de concerto lotada na capital da Estônia.

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Mais cedo, o presidente dos EUA disse que um cessar-fogo na Ucrânia pode ser eficaz apenas se Moscou parar de "fingir" que não estava controlando separatistas pró-Rússia e parar de mandar tropas e armas para o país vizinho.

A Ucrânia anunciou nesta quarta que seu presidente havia concordado com Putin sobre as medidas para um "regime de cessar-fogo" no conflito de Kiev com os separatistas, mas o Kremlin negou qualquer acordo real de trégua, o que causou confusão às vésperas de uma cúpula da aliança militar Otan.

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"Temos consistentemente apoiado o esforço do presidente (Petro) Poroshenko de alcançar um significativo cessar-fogo que possa conduzir a um acordo político", disse Obama em uma coletiva de imprensa em Tallinn durante uma breve visita, cuja intenção era salientar o comprometimento dos EUA com um Estado da Otan na linha de frente.

"Até agora não isso não vingou, seja porque a Rússia não tem sido séria sobre a questão ou tenha fingido que não está controlando os separatistas, os quais, quando consideraram ser mais vantajoso para eles, não cumpriram o cessar-fogo."

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A Rússia nega ter enviado veículos blindados e soldados para o leste da Ucrânia, uma área cuja maioria da população fala russo e tem lutado pela independência desde abril. Mais de 2.600 pessoas morreram no conflito, que provocou a maior crise nas relações da Rússia com o Ocidente desde a Guerra Fria.

"Em termos de ações, temos visto agressão e apelos às paixões nacionais que historicamente foram muito perigosos na Europa e são certamente uma causa de preocupação", disse Obama.

"Nenhum acordo político realista pode ser alcançado se a Rússia efetivamente diz que vai continuar a enviar tanques e soldados e armas e conselheiros sob o disfarce de separatistas."

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Obama chegou a Tallinn, de onde seguirá para uma cúpula da Otan no País de Gales, a fim de reassegurar os três Estados bálticos - Lituânia, Letônia e Estônia - de que a organização os apoiaria e que os EUA estão comprometidos a proteger a fronteira leste da aliança militar.

Sob o tratado da Otan. um ataque a qualquer Estado-membro seria tratado como um ataque a todos os membros da aliança. Os Estados bálticos se juntaram à Otan e à União Europeia em 2004. A Ucrânia não faz parte de nenhum dos dois.

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