Conversas sobre governo de união fracassam e crise se aprofunda no Afeganistão

Por Reuters | - Atualizada às

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Rompimento de negociações para entendimento acontece dias depois de equipe de 2º colocado abandonar auditoria da ONU

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As conversas sobre um acordo de divisão de poder entre os candidatos presidenciais afegãos fracassaram e reacenderam os temores de conflitos sectários por conta do polêmico resultado da eleição, disse um líder proeminente do país, nesta segunda-feira (1º). 

AP
Segundo colocado nas eleições presidenciais, Abdullah Abdullah contesta auditoria do pleito

Nos termos do acordo mediado pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, o segundo colocado na votação deveria nomear um “executivo-chefe” para um governo de união nacional concebido para apaziguar as tensões políticas.

Abdullah Abdullah ficou em segundo lugar nos resultados oficiais do pleito. Mohammad Mohaqeq, um dos candidatos a vice-presidente na chapa de Abdullah, disse que os dois lados não concordam sobre os poderes do executivo-chefe, acusando o grupo do vencedor da eleição, Ashraf Ghani, de endurecer sua posição.

“As conversas fracassaram dois dias atrás. O processo político está em um impasse agora, não vemos saída”, declarou Mohaqeq, líder da minoria hazara, enquanto a luta pelo poder na sucessão do presidente afegão, Hamid Karzai, se arrasta há meses sem sinal de resolução.

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Mais tarde, a campanha de Abdullah informou que irá se retirar do processo político se suas demandas não forem contempladas até terça-feira (2). Atta Mohammad Noor, aliado poderoso e governador da província de Balkh, no Norte do país, exortou seus apoiadores a se prepararem para manifestações de rua.

O rompimento das negociações para um entendimento político acontece dias depois de a equipe de Abdullah abandonar uma auditoria da Organização das Nações Unidas, (ONU) do segundo turno de 14 de junho, segundo a qual se dizia insatisfeita com a maneira como se estava lidando com os votos fraudulentos.

Juntos, os dois fracassos deixaram o acordo mediado pelos EUA em farrapos e aprofundaram a incerteza sobre o momento em que Karzai poderá entregar o cargo a um sucessor.

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Anteriormente, Karzai havia planejado a posse do novo mandatário para terça-feira, a tempo de comparecer a uma cúpula da Organização para o Tratado do Atlântico Norte (Otan) no País de Gales dois dias mais tarde. No entanto, a data foi adiada depois que a ONU disse só poder concluir a auditoria perto do dia 10 de setembro - período no qual Karzai permanecerá no cargo, segundo um porta-voz.

O impasse se dá no momento em que os EUA, maiores doadores de ajuda a Cabul, e outras nações da Otan retiram suas tropas após 13 anos de combates contra insurgentes do Taliban. Autoridades e diplomatas temem que o problema desencadeie conflitos étnicos, além da questão da insurgência.

Ghani, ex-ministro das Finanças e economista do Banco Mundial, é membro da etnia pashtun, majoritária no Sul e no Leste do Afeganistão, e Abdullah é parte pashtun e parte tadjique, mas atrai a maior fatia de seu apoio do segundo grupo, dos hazaras e de outras etnias menores, sobretudo no Centro e no Norte afegãos.

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