Ativistas enfrentam polícia e invadem TV no Paquistão; soldados retomam canal

Por Reuters |

compartilhe

Tamanho do texto

Grupo, liderado por Imran Khan, ex-jogador de críquete que se tornou político, e Tahir ul-Qadri, clérigo, quer derrubar premiê

Reuters

Soldados paquistaneses e forças paramilitares retomaram a sede da estação estatal de televisão PTV em Islamabad nesta segunda-feira (1), após uma multidão de manifestantes contrários ao governo ter invadido o prédio e tirado o canal do ar.

Junho: Maior cidade do Paquistão teme violência após prisão de líder em Londres

Reuters
Clérigo Sufi e líder do partido Tehreek Awami (PAT) é ovacionado depois de companheiros de partido invadirem rede de TV estatal paquistanesa


Julho: Ao menos 28 rebeldes são mortos em ofensiva militar no norte do Paquistão

Manifestantes liderados pelos líderes da oposição Imran Khan, um famoso ex-jogador de críquete que virou político, e Tahir ul-Qadri, um clérigo, estão nas ruas há semanas tentando derrubar o governo do primeiro-ministro Nawaz Sharif.

Sharif, que venceu as eleições de maio do ano passado com facilidade, se recusa a deixar o cargo. As manifestações se transformaram em um confrontos violentos no sábado, com pelo menos três pessoas mortas em choques com a polícia.

Novos enfrentamentos irromperam na manhã desta segunda-feira (horário local) e o canal estatal PTV e seu serviço de informações em língua inglesa foram tirados do ar após manifestantes invadirem o prédio.

“Funcionários da PTV fazendo seus trabalhos jornalísticos estão sendo espancados”, disse um âncora de programas noticiosos pouco antes de a tela ter ficado branca.

Machismo: Paquistanesa sobrevive à emboscada do pai para viver romance

Uma fonte da PTV disse à Reuters que os manifestantes haviam tomado o controle da principal sala e destruído alguns equipamentos. Mais tarde, fotos na televisão mostraram membros paramilitares uniformizados e soldados andando calmamente no local.

Uma testemunha da Reuters disse que os soldados retiraram os manifestantes e colocaram o prédio sob sua proteção. Não havia sinais de violência e os manifestantes pareciam ter deixado o local pacificamente. A rede de TV voltou ao ar depois.

Em um país com armas nucleares, onde o poder frequentemente mudou de mãos através de golpes militares no lugar de eleições, o Exército deverá ter um papel central nos desdobramentos do conflito, mas ainda não interveio diretamente. Militares apenas se reuniram com os protagonistas e pediram que eles ajam com moderação.

O comandante-chefe do Exército, general Raheel Sharif, encontrou-se com o primeiro-ministro Sharif nesta segunda-feira, disse uma fonte militar que não quis revelar o que foi discutido.

Violência: Paquistanesa sobrevive após ser baleada pelo pai em 'crime de honra'

O general pediu no domingo que o governo e líderes da oposição resolvam a crise através de conversas e alertou contra o uso da força para encerrar as manifestação.

Se os protestos ficarem fora de controle e houver grandes episódios de violência, o Exército poderia intervir decisivamente, impondo um toque de recolher e até lei marcial.

Em outro cenário, os militares poderiam aderir aos manifestantes e pressionar a renúncia de Sharif, levando à formação de um governo interino e eleições. No entanto, poucos observadores acreditam que, nesta altura, o Exército esteja inclinado a tomar o poder novamente.

Leia tudo sobre: primeiro ministropaquistaoexercitoptvsharifkhanul qadri

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas