União Europeia acusa Rússia de agredir Ucrânia e estuda novas sanções; entenda

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Presidente Petro Poroshenko afirma em pronumciamento que Ucrânia está próxima da 'guerra total' e prepara um plano de paz para a ser apresentado na próxima semana

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Rebeldes pró-russos armados patrulham a praça Lenin na cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia (28/08)

A crise na Ucrânia vem se intensificando rapidamente nas últimas horas. Kiev e seus aliados ocidentais acusam a Rússia de enviar tropas e armamentos para os separatistas no leste ucraniano, que estão em conflito há meses com forças do governo.

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O presidente ucraniano Petro Poroshenko fez um pronunciamento em Bruxelas, na Bélgica, que seu país está "num ponto quase sem volta" em direção a uma "guerra total".

Neste momento, líderes europeus participam de um encontro na capital belga para discutir a aplicação de novas sanções contra a Rússia.

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O ministra de Relações Exteriores da União Europeia (UE), Catherine Ashton, acusou Moscou de "agredir diretamente" o leste ucraniano e que isso é "muito preocupante".

Ashton exigiu que a Rússia interrompa a entrada de armas, equipamentos militares e equipes na Ucrânia.

No entanto, Moscou nega estar apoiando os grupos pró-Rússia no leste da Ucrânia, que vêm ganhando terreno contra o Exército do país.

Sem consenso

A UE e os Estados Unidos já aplicaram sanções contra dezenas de autoridades russas, comandantes dos grupos separatistas e empresas acusadas de minar a soberania ucraniana.

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No entanto, ainda não há consenso na UE sobre como lidar daqui em diante com a situação, diz Chris Morris, correspondente da BBC em Bruxelas.

O primeiro-ministro finlandês, Alexander Stubb, disse que "ainda não foi batido o martelo" sobre a efetividade das sanções já aplicadas. "Precisamos de cessar-fogo, um plano de paz", ele acrescentou.

Comboio de caminhões brancos com ajuda humanitária deixa Alabino, nos arredores de Moscou, Rússia (12/08). Foto: APManifestante ao lado de transeuntes na Praça da Independência em Kiev (9/08). Foto: ReutersManifestante segura coquetel molotov enquanto tenta impedir que trabalhadores municipais e voluntários limpem barricadas em Kiev (9/08). Foto: ReutersMembro de equipe antibomba inspeciona cratera com os restos de um projétil depois de uma noite de combates em Donetsk, Ucrânia (6/08). Foto: APMulher deixa prédio danificado por suposto bombardeio levando seus pertences na área central de Donetsk, Ucrânia (29/07). Foto: ReutersRebeldes pró-Rússia em um tanque com a bandeira da Rússia em uma estrada a leste de Donetsk, Ucrânia (21/07). Foto: APPrimeiro-ministro ucraniano Arseniy Yatsenyuk, à dir., conversa com um oficial durante inspecção ao Exército fora da cidade de Slovyansk, Ucrânia (16/07). Foto: APPremiê ucraniano, Arseniy Yatsenyuk (E), cumprimenta soldado ao inspecionar tropas em Slovyansk, leste da Ucrânia (16/07). Foto: APMulher chora perto de prédio que desmoronou após ataque aéreo em Snizhne, a 100 km a leste da cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia (15/07). Foto: APCombatente da República Popular de Donetsk se despede de sua família, que deixa essa cidade no leste da Ucrânia para refugiar-se na Rússia (14/07). Foto: APCombatentes separatistas pró-russos esperam atrás de sacos de areia em posto de controle em Donetsk, Ucrânia (10/07). Foto: ReutersMilitares ucranianos perto das armas apreendidas de separatistas pró-russos perto Slaviansk, Ucrânia (8/07). Foto: ReutersMilitante mascarado pró-Rússia organiza o trânsito em posto de controle após ataque das tropas ucranianas em Slovyansk (24/4). Foto: APAtiradores mascarados pró-Rússia guardam entrada de escritório regional ucraniano do Serviço de Segurança em Luhansk com bandeira russa ao fundo (21/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional capturado em Donetsk. Cartaz diz: 'EUA, tirem as mãos do leste da Ucrânia' (19/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia olha para o lado de fora de janela em prédio da administração regional de Donetsk, Ucrânia (18/4). Foto: APAtirador pró-Rússia abre caminho para veículo de combate com homens armados em seu topo em Slovyansk, Ucrânia (16/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional em Donetsk, Ucrânia (15/4). Foto: APAtivista pró-Rússia é visto durante invasão de delegacia na cidade de Horlivka, leste da Ucrânia (14/4). Foto: APAtivistas armados pró-Rússia ocupam a delegacia de polícia no leste da Ucrânia, na cidade de Slaviansk (12/04). Foto: APAtivistas pró-Rússia ocupam delegacia de polícia e constroem uma barricada na cidade ucraniana oriental de Slovyansk (12/04). Foto: APHomens armados não identificados caminham em área perto de unidade militar ucraniana em Simferopol, Crimeia (18/3). Foto: APSoldado armado, provavelmente russo, anda perto de uma base militar ucraniana na aldeia de Perevalnoye (9/3). Foto: ReutersUm homem armado, que se acredita ser um soldado russo, anda perto da base naval ucraniana na Crimeia, no porto de Yevpatory (8/3). Foto: ReutersMarinheiro observa navio inativo Ochakov, que foi afundado por tropas russas e bloqueou o tráfego de cinco embarcações ucranianas em Myrnyi, oeste da Crimeia, Ucrânia (6/3). Foto: APCriança brinca perto de soldado russo (D) enquanto soldados ucranianos observam do outro lado do portão de base em Perevalne, Crimeia (4/3). Foto: APSoldado pró-Rússia bloqueia base naval na vila de Novoozerne, Crimeia, na Ucrânia (3/3). Foto: APGrupo de homens armados sem emblemas em uniformes cortam luz do Quartel-General das forças navais ucranianas em Sevastopol, Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APComboio russo se move de Sevastopol para Sinferopol na Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APHomem com uniforme sem identificação monta guarda enquanto tropas tomam controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, em Sevastopol (Crimeia), na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda em Balaklava, nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Península da Crimeia (1/3)
. Foto: APEmblema em veículo e placas de outros carros indicam que tropas são do Exército russo (1/3). Foto: APHomens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomens armados não identificados bloqueiam entrada de Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomem armado não identificado com uniforme de camuflagem bloqueia estrada que leva a aeroporto militar em Sevastopol, na Crimeia. Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Crimeia. Foto: APHomem com uniforme sem identificação patrula aeroporto de Simferopol, na Ucrânia (28/2). Foto: AP

Poroshenko, disse estar preparando um plano de paz que espera publicar na próxima semana e que a aplicação de novas sanções dependerá do sucesso ou fracasso deste plano.

'Praticamente em guerra'

A presidente da Lituânia, Dalia Grybauskaite, afirmou que a Rússia "está praticamente em guerra contra a Europa".

"Temos que apoiar a Ucrãnia e enviar ajuda militar para que o país possa se defender. Hoje, a Ucrânia está lutando em nome de toda a Europa"

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse que a UE enfrenta uma "situação completamente inaceitável com a presença de tropas russas em solo ucraniano" e alertou que haverá consequências casa esta situação se mantenha.

O presidente francês, Francois Hollande, afirmou que esta é a maior crise desde o fim da Guerra Fria: "O que está acontecendo é tão sério que o Conselho Europeu será obrigado a reagir aumentando o nível das sanções se tudo se mantiver como está".

Mas como a situação chegou a este ponto? Para ajudar a esclarecer esta e outras dúvidas sobre os últimos desdobramento da crise na Ucrânia, preparamos uma série de perguntas e respostas.

Houve uma invasão russa?

Na quinta-feira, a Otan divulgou imagens de satélite que alegou mostrar forças russas dentro da Ucrânia. Seriam mais de 1.000 soldados.

Antes, Poroshenko havia declarado em Kiev que se reuniria com seu conselho de segurança para discutir o que chamou de "invasão russa" a seu país.

Nos Estados Unidos, onde muitos esperavam uma resposta às notícias de envio de tropas russas à Ucrânia, o presidente Barack Obama se recusou a chamar de "invasão" as últimas ações russas, mas responsabilizou Moscou pela violência na região.

Mas a Otan foi contundente na sexta-feira. O secretário-geral da organização, Anders Fogh Rasmussen, declarou que estava claro que a Rússia "havia cruzado ilegalmente" a fronteira da Ucrânia. E pediu que Moscou interrompesse o que chamou de "ações militares ilegais".

Os confrontos seguem?

No início desta semana, o Exército ucraniano conseguiu recuperar o que disse ser "grande parte" do território até então controlado por separatistas ao redor das cidades de Donetsk e Lugansk.

Mas, na quinta-feira, quando teve início a crise se agravou ainda mais, houve relatos de que rebeldes pró-russos haviam tomado a cidade costeira de Novoazovsk e ameaçavam capturar o estratégico porto de Mariupol, no sul do país.

Combates também estariam ocorrendo ao redor de Donetsk e Lugansk.

Este avanço dos rebeldes marcou o início de uma nova frente no conflito entre o governo da Ucrânia e separatistas pró-Rússia.

Posteriormente, em um discurso incomum dirigido aos separatistas pró-Rússia na Ucrânia, o presidente russo, Vladimir Putin, elogiou o que chamou de êxitos da ofensiva na região. Pediu também o estabelecimento de um "corredor humanitário" para permitir a retirada de unidades do Exército ucraniano cercadas.

Isso significa que a Rússia está ajudando os rebeldes?

A Ucrânia indicou que o fato dos rebeldes terem recebido um recado direto de Putin mostra que quem os controla é a Rússia.

E tanto Kiev quanto seus aliados têm reiterado que Moscou está por trás da ofensiva rebeldes no leste do país.

A pergunta que muitos se fazem é: qual o tamanho da ajuda que está sendo orquestrada pelos alto níveis do Kremlin?

Moscou nega que esteja ajudando ou armando rebeldes. Mas um dos líderes rebelde em Donetsk declarou na quinta-feira que entre 3 mil e 4 mil cidadãos russos estariam entre suas forças.

As imagens da Otan publicadas na quinta-feira mostram o que, segundo a organização, há comboios militares russos dentro de território ucraniano.

Por que esse conflito importa para a Europa e o resto do mundo?

Esta é vista como a maior crise de segurança na região desde a Guerra Fria.

Há anos, a UE trabalha para estabelecer vínculos com a Ucrânia. Mas a Rússia também tem se esforçado para que a Ucrânia se una a seus tratados de comércio com outras ex-repúblicas soviéticas.

A Ucrânia está situada em uma importante área geopolítica: dividida entre o Ocidente e o Oriente e com tensões internas que não conseguiu resolver desde o colapso da União Soviética, em 1991.

A Otan, a UE e os EUA acusam a Rússia de intimidar a Ucrânia e dizem que as táticas que Moscou usa são inaceitáveis.

No entanto, nenhum dos aliados tem respondido às críticas às táticas que a Ucrânia usa contra separatistas, que incluem o bombardeio de áreas civis nos enclaves rebeldes.

Um relatório da ONU do início de agosto indica que 2.119 pessoas morreram no leste da Ucrânia desde o início do conflito.

Calcula-se que 115.800 pessoas partiram para outras partes da Ucrânia e cerca de 188.000 foram para a Rússia.

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