Síria é a 'maior crise humanitária da nossa era', segundo a ONU

Por BBC Brasil | - Atualizada às

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Guerra no país gerou mais de três milhões de refugiados; maior parte deles fugiu para países vizinhos, como a Líbia, diz a Acnur

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A guerra na Síria já gerou mais de três milhões de refugiados e é a "maior crise humanitária da nossa era", com quase metade da população forçada a deixar suas casas, segundo a ONU.

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AFP
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Um em cada oito sírios deixou o país, e outros 6,5 milhões foram deslocados dentro da Síria, disse a Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur). Metade dos atingidos são crianças. Grande parte dos refugiados foi para os países vizinhos, sendo que a maioria deles - mais de 1,1 milhão - está no Líbano.

Famílias chegam a campos de refugiados exaustas e com medo, disse a ONU. Algumas pessoas contam histórias de terem passado mais de um ano se mudando entre vilarejos dentro da Síria. Segundo a Acnur, a jornada para deixar a Síria tornou-se mais difícil, e mais pessoas recorrem a grupos armados para fazer a travessia.

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"A crise síria tornou-se a maior emergência humanitária da nossa era e, apesar disso, o mundo não consegue atender às necessidades dos refugiados e países que os recebem", disse o alto-comissário da ONU para refugiados, António Gueterres.

"A resposta à crise síria tem sido generosa, mas a verdade cruel é que ainda não é suficiente".

Os vizinhos da Síria estimam que centenas de milhares de sírios buscaram refúgio em seus países, causando pressões sociais e econômicas.

Há menos de um ano, dois milhões de sírios estavam registrados como refugiados.

Mais de 190 mil pessoas morreram no conflito sírio, iniciado em março de 2011, a partir da repressão violenta do presidente Bashar al-Assad a manifestantes que pediam sua saída do cargo.

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Reuters
Sírios perderam a esperança de ajuda internacional no conflito, iniciado em 2011

Desde então, forças do governo têm enfrentado grupos de oposição. A situação piorou nos últimos meses com a formação e avanço do grupo Estado Islâmico (EI), que agora controla grandes partes da Síria e do Iraque.

O grupo, antes denominado Estado Islâmico do Iraque e da Síria (Isis, na sigla em inglês), tem seu reduto na Síria, onde impõe regras duras à população local.

'Violência a um novo nível'

O presidente da França, François Hollande, lamentou que o Ocidente não conseguiu "encontrar uma solução para a situação na Síria", dizendo que as consequências eram claras para todos.

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"O regime de Bashar al-Assad continua sua política de repressão sem moderação. Os números (de refugiados) aumentam a cada dia nos países vizinhos. E grupos terroristas estão ganhando mais território - este é o resultado", disse ele.

A vice-chefe-humanitária da ONU, Kyung-wha Kang, disse que o Estado Islâmico estava levando a violência contra civis na Síria "a um novo nível" e ameaçando as operações de ajuda no país.

Mas o presidente dos EUA, Barack Obama, insistiu na quinta-feira que o Ocidente não contemplaria trabalhar com Assad contra o grupo extremista.

"Não acho que há uma situação na qual temos de escolher entre Assad ou os tipos de pessoas que realizam a violência que temos visto lá", disse Obama a repórteres na Casa Branca.

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Outros conflitos

Segundo a ONU, há quatro grandes crises humanitárias no mundo, causadas por conflitos e que resultam em milhares de mortos e milhões de desalojados e refugiados.

No Iraque, mais 1,2 milhão de pessoas foram desalojadas dentro do país neste ano devido à nova onda de violência e o avanço do EI. Cerca de 40 mil iraquianos deixaram o país, que recebeu mais de 215 mil refugiados sírios.

Na República Centro-Africana, o conflito destruiu comunidades e forçou milhares de moradores a deixarem suas casas. Há mais de meio milhão de pessoas deslocadas dentro do país e mais de 400 mil refugiados.

Já no Sudão do Sul, há quase 1,3 milhão de desalojados e cerca de 450 mil refugiados em países vizinhos.

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