Mais de 1 mil militares russos estão na Ucrânia, confirma Otan

Por iG São Paulo |

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'Eles estão apoiando separatistas, lutando com eles', diz oficial na Bélgica; veículos blindados cercam fronteira entre os países

A Otan, Organização do Tratado do Atlântico Norte, afirma que bem mais de 1 mil militares russos estão operando dentro da Ucrânia, disse um oficial militar da Otan nesta quinta-feira (28).

Hoje: Forças russas atravessam fronteira e presidente da Ucrânia convoca reunião

AP
Voluntários fazem juramento antes de serem enviados para a parte oriental da Ucrânia e se juntar a batalhão contra rebeldes, em Kiev (17/08)


Ontem: Mais soldados russos entram em cidade ucraniana, segundo militares de Kiev

"Nós estimamos que bem mais de 1 mil militares russos estão operando agora dentro da Ucrânia", disse o oficial no quartel-general militar da Otan, no sul da Bélgica. "Eles estão apoiando separatistas, lutando com eles."

Invasão

"As forças russas entraram na Ucrânia", declarou mais cedo o presidente do país, Petro Poroshenko. Por causa do problema, o líder cancelou uma viagem ao exterior e pediu reunião de emergência com seu Conselho de Segurança. Relatórios dos EUA confirmaram as afirmações de Poroshenko.

"Hoje o lugar do presidente é em Kiev", disse o presidente ucraniano.

Poroshenko cancelou uma visita à Turquia pelo início do mandato do recém-eleito presidente Recep Tayyip Erdogan e chamou sessão de emergência do Conselho de Segurança da Ucrânia.

"Eu decidi cancelar minha visita à Turquia por causa da escalada da crise na região de Donetsk após as forças russas entrarem na Ucrânia", disse ele.

Rússia: Invasão de soldados russos no leste da Ucrânia foi um acidente

O mercado de ações da Rússia caiu com os receios de que o país aumentou seu papel na escalada de violência na Ucrânia, movimento que poderia provocar novas sanções da União Europeia e dos Estados Unidos sobre empresas e indivíduos russos. Os índices MICEX da Rússia caíram quase 2% nesta quinta e as bolsas dos principais bancos estatais russo VTB e Sberbank caíram mais de 4%.

Durante entrevista à TV estatal russa, o líder da insurgência, Alexander Zakharchenko, disse que entre 3 mil e 4 mil russos lutaram ao lado separatista desde que o conflito armado começou em abril.

O governo dos EUA acusou a Rússia de orquestrar uma nova campanha militar na Ucrânia, ajudando as forças rebeldes a expandir sua luta com tanques, lançadores de foguetes e veículos blindados.

"Essas incursões indicam uma contra-ofensiva russa dirigida em provável andamento em Donetsk e Luhansk", disse porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki, na quarta-feira. Ela manifestou preocupação com entregas de material no sudeste da Ucrânia durante a noitee disse que a Rússia estava sendo desonesta sobre suas ações, até mesmo para seu próprio povo.

Segundo ela, as forças russas estão sendo enviadas a 48 quilômetros dentro do território ucraniano, sem que os soldados ou suas famílias saibam onde estão indo. Ela disse que há relatos de enterros na Rússia para aqueles soldados que morreram no conflito e que feridos estão sendo tratados em um hospital de São Petersburgo.

Terça: Ucrânia captura dez soldados russos; líderes dos países se reúnem

Na manhã desta quinta, um jornalista da Associated Press viu rebeldes na periferia de Novoazovsk, local onde a imprensa foi impedida de entrar. Um dos rebeldes disse que não houve combates na cidade.

Comboio de caminhões brancos com ajuda humanitária deixa Alabino, nos arredores de Moscou, Rússia (12/08). Foto: APManifestante ao lado de transeuntes na Praça da Independência em Kiev (9/08). Foto: ReutersManifestante segura coquetel molotov enquanto tenta impedir que trabalhadores municipais e voluntários limpem barricadas em Kiev (9/08). Foto: ReutersMembro de equipe antibomba inspeciona cratera com os restos de um projétil depois de uma noite de combates em Donetsk, Ucrânia (6/08). Foto: APMulher deixa prédio danificado por suposto bombardeio levando seus pertences na área central de Donetsk, Ucrânia (29/07). Foto: ReutersRebeldes pró-Rússia em um tanque com a bandeira da Rússia em uma estrada a leste de Donetsk, Ucrânia (21/07). Foto: APPrimeiro-ministro ucraniano Arseniy Yatsenyuk, à dir., conversa com um oficial durante inspecção ao Exército fora da cidade de Slovyansk, Ucrânia (16/07). Foto: APPremiê ucraniano, Arseniy Yatsenyuk (E), cumprimenta soldado ao inspecionar tropas em Slovyansk, leste da Ucrânia (16/07). Foto: APMulher chora perto de prédio que desmoronou após ataque aéreo em Snizhne, a 100 km a leste da cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia (15/07). Foto: APCombatente da República Popular de Donetsk se despede de sua família, que deixa essa cidade no leste da Ucrânia para refugiar-se na Rússia (14/07). Foto: APCombatentes separatistas pró-russos esperam atrás de sacos de areia em posto de controle em Donetsk, Ucrânia (10/07). Foto: ReutersMilitares ucranianos perto das armas apreendidas de separatistas pró-russos perto Slaviansk, Ucrânia (8/07). Foto: ReutersMilitante mascarado pró-Rússia organiza o trânsito em posto de controle após ataque das tropas ucranianas em Slovyansk (24/4). Foto: APAtiradores mascarados pró-Rússia guardam entrada de escritório regional ucraniano do Serviço de Segurança em Luhansk com bandeira russa ao fundo (21/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional capturado em Donetsk. Cartaz diz: 'EUA, tirem as mãos do leste da Ucrânia' (19/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia olha para o lado de fora de janela em prédio da administração regional de Donetsk, Ucrânia (18/4). Foto: APAtirador pró-Rússia abre caminho para veículo de combate com homens armados em seu topo em Slovyansk, Ucrânia (16/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional em Donetsk, Ucrânia (15/4). Foto: APAtivista pró-Rússia é visto durante invasão de delegacia na cidade de Horlivka, leste da Ucrânia (14/4). Foto: APAtivistas armados pró-Rússia ocupam a delegacia de polícia no leste da Ucrânia, na cidade de Slaviansk (12/04). Foto: APAtivistas pró-Rússia ocupam delegacia de polícia e constroem uma barricada na cidade ucraniana oriental de Slovyansk (12/04). Foto: APHomens armados não identificados caminham em área perto de unidade militar ucraniana em Simferopol, Crimeia (18/3). Foto: APSoldado armado, provavelmente russo, anda perto de uma base militar ucraniana na aldeia de Perevalnoye (9/3). Foto: ReutersUm homem armado, que se acredita ser um soldado russo, anda perto da base naval ucraniana na Crimeia, no porto de Yevpatory (8/3). Foto: ReutersMarinheiro observa navio inativo Ochakov, que foi afundado por tropas russas e bloqueou o tráfego de cinco embarcações ucranianas em Myrnyi, oeste da Crimeia, Ucrânia (6/3). Foto: APCriança brinca perto de soldado russo (D) enquanto soldados ucranianos observam do outro lado do portão de base em Perevalne, Crimeia (4/3). Foto: APSoldado pró-Rússia bloqueia base naval na vila de Novoozerne, Crimeia, na Ucrânia (3/3). Foto: APGrupo de homens armados sem emblemas em uniformes cortam luz do Quartel-General das forças navais ucranianas em Sevastopol, Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APComboio russo se move de Sevastopol para Sinferopol na Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APHomem com uniforme sem identificação monta guarda enquanto tropas tomam controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, em Sevastopol (Crimeia), na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda em Balaklava, nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Península da Crimeia (1/3)
. Foto: APEmblema em veículo e placas de outros carros indicam que tropas são do Exército russo (1/3). Foto: APHomens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomens armados não identificados bloqueiam entrada de Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomem armado não identificado com uniforme de camuflagem bloqueia estrada que leva a aeroporto militar em Sevastopol, na Crimeia. Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Crimeia. Foto: APHomem com uniforme sem identificação patrula aeroporto de Simferopol, na Ucrânia (28/2). Foto: AP

Novoazovsk, que fica ao longo da estrada que liga a Rússia à península da Criméia, anexada este ano, foi bombardeada durante três dias, com rebeldes ocupando a região na quarta. Esta área escapou dos conflitos anteriores que atingiram o norte, e a única maneira de os rebeldes atingirem o sudeste ucraniano, que estava sob controle de Kiev, seria pela Rússia.

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Confirmação internacional

O representante ucraniano no órgão de segurança europeu OSCE disse nesta quinta que forças russas regulares tomaram o controle da cidade de Novoazovsk, no sudeste da Ucrânia, mas seu homólogo russo disse que as forças do país não atravessaram a fronteira.

Ihor Prokopchuk, enviado da Ucrânia na Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE, na sigla em inglês), disse a repórteres que foi registrada "uma invasão direta dos militares russos nas regiões leste da Ucrânia". Ele disse que a Ucrânia considera isso uma "ato de agressão".

O embaixador russo, Andrey Kelin, disse separadamente a repórteres durante uma reunião extraordinária da OSCE: "Nenhuma força russa atravessou em qualquer ponto a fronteira com a Ucrânia".

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Coluna blindada

Um repórter da Reuters viu nesta quinta uma coluna de veículos blindados e soldados perto de uma aldeia russa a cerca de 3 quilômetros da fronteira com a Ucrânia. A coluna, que não tinha marcas de identificação militar, estava seguindo na direção leste, para longe da fronteira.

O repórter da Reuters disse que a coluna era composta de dois veículos blindados, seis caminhões militares e uma escavadeira militar. Os soldados sentados em cima dos veículos blindados tinham os rostos sujos, e um estava com um curativo no rosto.

Um dos caminhões tinha um para-brisas e faróis esmagados e estava sendo rebocado por um segundo veículo. Um helicóptero Mi-8 militar com a estrela vermelha, insígnia militar russa, e tripulado com homens em uniforme de camuflagem, sem sinais de identificação, pousou em um acampamento nas proximidades.

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Jornalistas da AP na fronteira entre os dois países também dizem ter visto rebeldes com uma vasta gama de equipamentos militares sem identificação - incluindo tanques, lançadores de mísseis Buk e veículos blindados - e depararam-se com muitos russos entre os combatentes rebeldes. A Ucrânia também prende dez soldados de uma divisão paraquedista russa na segunda em Amvrosiivka, cidade a 20 km da fronteira com a Rússia.

Em Donetsk, onde fica o maior reduto rebelde da Ucrânia, 11 pessoas foram mortas por projéteis na noite de quarta, de acordo com autoridades do local. 

*Com AP e Reuters

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