Insurgentes tomam cidade ucraniana e iniciam nova fase de conflitos; entenda

Por BBC Brasil | - Atualizada às

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Rebeldes reiniciaram combates no sul do país com a tomada da cidade costeira de Novoazovsk; eles têm possível apoio russo

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O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, cancelou nesta quinta-feira (28) uma viagem internacional, alegando que a Rússia "enviou tropas" ao leste de seu país.

Mais cedo: Situação é 'difícil, mas controlável', diz presidente da Ucrânia sobre crise

AFP
Novoazovsk é nova frente de combates entre Ucrânia e separatistas e está na rota entre Rússia e Crimeia


Hoje: Mais de 1 mil militares russos estão na Ucrânia, confirma Otan

As declarações ocorrem num momento em que rebeldes pró-Rússia abrem uma nova frente de combate no sul ucraniano, com a tomada da cidade costeira de Novoazovsk. A Otan (aliança militar ocidental) diz ter detectado um aumento significativo no suprimento de armas russas a rebeldes ucranianos nas últimas duas semanas.

A Rússia, por sua vez, nega que suas tropas tenham cruzado a fronteira com a Ucrânia e continua insistindo que não fornece assistência ou armas aos rebeldes. Preparamos um guia com as informações mais recentes do conflito, que deixou ao menos 2.119 pessoas mortas nos últimos quatro meses:

O que está acontecendo?

O conflito na Ucrânia vinha se concentrando na região de duas cidades importantes do leste do país: Donetsk e Lugansk. Agora, rebeldes teriam avançado mais ao sul, na costa do Mar de Azov.

As autoridades ucranianas confirmam que a cidade de Novoazovsk, perto da fronteira com a Rússia, foi capturada pelos rebeldes que foram descritos como "soldados russos".

Crise: Forças russas atravessam fronteira e presidente da Ucrânia convoca reunião

As forças armadas ucranianas disseram que tiveram que recuar suas tropas da cidade para salvar vidas, e que soldados ucranianos estão agora reforçando as defesas da cidade de Mariupol, um porto estratégico mais a oeste onde até agora não foram registrados confrontos.

Novoazovsk fica na rota que conecta a Rússia à península da Crimeia (anexada por Moscou em março) - despertando temores de que os separatistas estejam tentando criar um elo terrestre entre a Rússia e a Crimeia.

Se isso ocorrer, os separatistas (ou mesmo Moscou) podem obter o controle sobre a região do Mar de Azov e suas reservas estimadas de gás e minérios.

Como anda o conflito em outras partes do leste do Ucrânia?

As tropas ucranianas haviam conseguido avanços significativos contra os rebeldes nas últimas semanas, mas o avanço separatista em duas áreas distintas da região de Donetsk agora colocam essas conquistas em dúvida.

Ontem: Mais soldados russos entram em cidade ucraniana, segundo militares de Kiev

Comboio de caminhões brancos com ajuda humanitária deixa Alabino, nos arredores de Moscou, Rússia (12/08). Foto: APManifestante ao lado de transeuntes na Praça da Independência em Kiev (9/08). Foto: ReutersManifestante segura coquetel molotov enquanto tenta impedir que trabalhadores municipais e voluntários limpem barricadas em Kiev (9/08). Foto: ReutersMembro de equipe antibomba inspeciona cratera com os restos de um projétil depois de uma noite de combates em Donetsk, Ucrânia (6/08). Foto: APMulher deixa prédio danificado por suposto bombardeio levando seus pertences na área central de Donetsk, Ucrânia (29/07). Foto: ReutersRebeldes pró-Rússia em um tanque com a bandeira da Rússia em uma estrada a leste de Donetsk, Ucrânia (21/07). Foto: APPrimeiro-ministro ucraniano Arseniy Yatsenyuk, à dir., conversa com um oficial durante inspecção ao Exército fora da cidade de Slovyansk, Ucrânia (16/07). Foto: APPremiê ucraniano, Arseniy Yatsenyuk (E), cumprimenta soldado ao inspecionar tropas em Slovyansk, leste da Ucrânia (16/07). Foto: APMulher chora perto de prédio que desmoronou após ataque aéreo em Snizhne, a 100 km a leste da cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia (15/07). Foto: APCombatente da República Popular de Donetsk se despede de sua família, que deixa essa cidade no leste da Ucrânia para refugiar-se na Rússia (14/07). Foto: APCombatentes separatistas pró-russos esperam atrás de sacos de areia em posto de controle em Donetsk, Ucrânia (10/07). Foto: ReutersMilitares ucranianos perto das armas apreendidas de separatistas pró-russos perto Slaviansk, Ucrânia (8/07). Foto: ReutersMilitante mascarado pró-Rússia organiza o trânsito em posto de controle após ataque das tropas ucranianas em Slovyansk (24/4). Foto: APAtiradores mascarados pró-Rússia guardam entrada de escritório regional ucraniano do Serviço de Segurança em Luhansk com bandeira russa ao fundo (21/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional capturado em Donetsk. Cartaz diz: 'EUA, tirem as mãos do leste da Ucrânia' (19/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia olha para o lado de fora de janela em prédio da administração regional de Donetsk, Ucrânia (18/4). Foto: APAtirador pró-Rússia abre caminho para veículo de combate com homens armados em seu topo em Slovyansk, Ucrânia (16/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional em Donetsk, Ucrânia (15/4). Foto: APAtivista pró-Rússia é visto durante invasão de delegacia na cidade de Horlivka, leste da Ucrânia (14/4). Foto: APAtivistas armados pró-Rússia ocupam a delegacia de polícia no leste da Ucrânia, na cidade de Slaviansk (12/04). Foto: APAtivistas pró-Rússia ocupam delegacia de polícia e constroem uma barricada na cidade ucraniana oriental de Slovyansk (12/04). Foto: APHomens armados não identificados caminham em área perto de unidade militar ucraniana em Simferopol, Crimeia (18/3). Foto: APSoldado armado, provavelmente russo, anda perto de uma base militar ucraniana na aldeia de Perevalnoye (9/3). Foto: ReutersUm homem armado, que se acredita ser um soldado russo, anda perto da base naval ucraniana na Crimeia, no porto de Yevpatory (8/3). Foto: ReutersMarinheiro observa navio inativo Ochakov, que foi afundado por tropas russas e bloqueou o tráfego de cinco embarcações ucranianas em Myrnyi, oeste da Crimeia, Ucrânia (6/3). Foto: APCriança brinca perto de soldado russo (D) enquanto soldados ucranianos observam do outro lado do portão de base em Perevalne, Crimeia (4/3). Foto: APSoldado pró-Rússia bloqueia base naval na vila de Novoozerne, Crimeia, na Ucrânia (3/3). Foto: APGrupo de homens armados sem emblemas em uniformes cortam luz do Quartel-General das forças navais ucranianas em Sevastopol, Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APComboio russo se move de Sevastopol para Sinferopol na Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APHomem com uniforme sem identificação monta guarda enquanto tropas tomam controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, em Sevastopol (Crimeia), na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda em Balaklava, nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Península da Crimeia (1/3)
. Foto: APEmblema em veículo e placas de outros carros indicam que tropas são do Exército russo (1/3). Foto: APHomens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomens armados não identificados bloqueiam entrada de Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomem armado não identificado com uniforme de camuflagem bloqueia estrada que leva a aeroporto militar em Sevastopol, na Crimeia. Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Crimeia. Foto: APHomem com uniforme sem identificação patrula aeroporto de Simferopol, na Ucrânia (28/2). Foto: AP

Rússia: Invasão de soldados russos no leste da Ucrânia foi um acidente

Foi esse quadro que levou o presidente ucraniano a convocar uma reunião de emergência de seu conselho de segurança.

"Decidi cancelar minha viagem de trabalho à Turquia por causa do agravamento da situação na região de Donetsk (leste do país), já que tropas russas foram levadas para dentro da Ucrânia", disse Poroshenko em comunicado.

Seu premiê, Arseny Yatsenyuk, afirmou que a Rússia "iniciou uma guerra na Europa" e pediu "ações efetivas" da comunidade internacional.

O que fala sobre a presença de soldados russos no leste da Ucrânia?

Segundo a Otan, mais de mil soldados russos estariam dentro de território ucraniano, ajudando os separatistas nas várias frentes - algo que a Rússia nega.

Terça: Ucrânia captura dez soldados russos; líderes dos países se reúnem

O líder separatista Alexander Zakharchenko disse à TV russa que entre 3 mil e 4 mil cidadãos russos estão participando de forma voluntária dos combates ao governo central ucraniano.

O brigadeiro da Otan Niko Tak disse à BBC que há "uma significativa escalada no nível e na sofisticação da interferência militar russa na Ucrânia" nas últimas duas semanas.

"Detectamos grandes quantidades de armas avançadas, incluindo sistemas aéreos de defesa, artilharia, tanques e homens armados sendo entregues a forças separatistas na Ucrânia", afirmou. "A Rússia está reforçando e suprindo separatistas em uma tentativa de mudar o conflito, que até o momento é vencido pelo Exército ucraniano."

Por sua vez, o embaixador da Rússia na União Europeia, Vladimir Chizhov, disse que a Otan “nunca apresentou sequer uma prova” dessas acusações contra a Rússia.

Ele disse que os únicos soldados russos que entraram no território ucraniano foram os dez paraquedistas capturados no início desta semana e que, segundo Moscou entraram por engano na Ucrânia.

Segunda: Presidente da Ucrânia dissolve Parlamento e convoca eleições

O que vem a seguir?

Além da reunião de emergência convocada por Poroshenko, o Conselho de Segurança da ONU realiza uma reunião de emergência nesta quinta-feira para discutir a situação.

O presidente ucraniano afirmou que a situação é "extremamente difícil", mas "é possível gerenciá-la de forma a que não entremos em pânico e continuemos calculando nossas ações".

A chanceler (premiê) alemã Angela Merkel exigiu uma explicação do presidente russo, Vladimir Putin, a respeito da suposta nova incursão na Ucrânia. E o presidente francês, François Hollande, falou que tal incursão seria "intolerável".

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