Trégua entrou em vigor ontem e visa a, entre outros, dar fim ao bloqueio imposto em 2006 que isola 1,8 milhão de palestinos

A trégua permanente acertada entre Israel e o Hamas foi respeitada durante toda a noite, disse porta-voz israelense nesta quarta-feira (27).

Ontem: Israelenses e palestinos definem trégua duradoura na Faixa de Gaza

Porta-voz do Hamas, Fawzi Barhoum é erguido por palestinos enquanto comemora o que eles disseram ter sido uma vitória sobre Israel após cessar-fogo em Gaza (26/08)
Reuters
Porta-voz do Hamas, Fawzi Barhoum é erguido por palestinos enquanto comemora o que eles disseram ter sido uma vitória sobre Israel após cessar-fogo em Gaza (26/08)


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"Não foram disparados foguetes sobre o território israelense e não houve nenhum ataque aéreo na Faixa de Gaza desde a noite de terça-feira", acrescentou porta-voz.

Israel e os palestinos anunciaram na terça um acordo permanente para a trégua depois de o conflito de 50 dias matar ao menos 2.100 palestinos e 70 israelenses.

O cessar-fogo entrou em vigor às 19h (horário local, 13h, horário de Brasília) de terça e prevê, segundo o mediador egípcio, o fim do bloqueio imposto desde 2006 por Israel e que isola 1,8 milhão de habitantes da Faixa de Gaza.

Acordo

Israel e os palestinos concordaram nesta terça-feira com um plano mediado pelo Egito para acabar com o conflito na Faixa de Gaza. A seguir estão os parâmetros gerais do acordo, que negociadores israelenses e palestinos têm trabalhado por meio de conversas indiretas na capital egípcia, Cairo, nas últimas semanas.

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Como parte do acordo, os dois lados concordaram em tratar de questões mais complexas que os dividem via negociações também indiretas daqui a um mês. Entre esses temas estão a libertação de prisioneiros palestinos e as demandas de Gaza por um porto marítimo, por exemplo.

Medidas imediatas

- O Hamas e outros grupos militantes em Gaza concordaram em suspender todos os foguetes e bombas de morteiros contra Israel;

- Israel vai suspender todas as ações militares, incluindo ataques aéreos e operações terrestres;

- Israel concordou em abrir mais de suas fronteiras com Gaza para permitir o fluxo mais fácil de mercadorias, incluindo equipamento de ajuda humanitária e de reconstrução, ao enclave costeiro;

- Em um acordo separado, bilateral, o Egito vai concordar em abrir a sua fronteira de 14 quilômetros com Gaza, em Rafah;

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- A Autoridade Palestina, liderada pelo presidente Mahmoud Abbas, deverá assumir a responsabilidade de administrar as fronteiras de Gaza no lugar do Hamas. Israel e Egito esperam que isso evite a entrada de armas, munições e qualquer produto de "dupla utilização" em Gaza;

- A Autoridade Palestina vai coordenar o esforço de reconstrução em Gaza com doadores internacionais, incluindo a União Europeia;

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- Israel deverá diminuir a área de segurança no interior da fronteira de Gaza, reduzindo para 100 metros, ante 300 metros, se a trégua for mantida. A mudança vai permitir aos palestinos mais acesso a terras agrícolas perto da fronteira;

- Israel vai estender o limite de pesca ao longo da costa de Gaza para seis milhas, ante as atuais três milhas, com a possibilidade de alargar o espaço gradualmente se a trégua persistir. Em última análise, os palestinos querem voltar ao limite internacional pleno de 12 milhas.

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Impasses de longo prazo a serem discutidos

- O Hamas quer que Israel liberte centenas de prisioneiros palestinos detidos na Cisjordânia após o sequestro e assassinato de três seminaristas judeus, em junho, um ataque que levou à guerra. O Hamas inicialmente negou envolvimento nas mortes, mas um alto funcionário do movimento na Turquia admitiu na semana passada a autoria do ataque;

- O presidente Abbas, que lidera o partido Fatah, quer liberdade para prisioneiros palestinos presos há um longo tempo cujo processo de libertação foi abandonado após o fracasso das negociações de paz entre Israel e a Autoridade Palestina;

- Israel quer que o Hamas e outros grupos militantes em Gaza entreguem todos os restos mortais e objetos pessoais de soldados israelenses mortos durante a guerra;

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- O Hamas quer a construção de um porto marítimo em Gaza que permita o transporte de pessoas e bens para dentro e fora do enclave. Israel rejeita os planos há tempos, mas é possível que um progresso possa ser feito em relação ao tema se houver garantia de segurança absoluta;

- O Hamas quer o descongelamento de fundos para permitir o pagamento de 40 mil policiais, funcionários do governo e outro pessoal administrativo que estão em grande parte sem salários desde o ano passado;

- Os palestinos também querem a reconstrução do aeroporto de Gaza. O Aeroporto Internacional Yasser Arafat foi inaugurado em 1998, mas foi fechado em 2000 depois de ter sido bombardeado por Israel.

*Com Reuters e Agência Brasil

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