Ministro das relações exteriores lembra que EUA apoiaram a Al-Qaeda nos anos 1980 e querem impedir que país 'erre' de novo

Reuters

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, exortou governos ocidentais e árabes nesta segunda-feira (25) a superarem sua rejeição ao presidente sírio, Bashar al-Assad, e colaborar com ele na luta contra os insurgentes do Estado Islâmico.

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O presidente sírio Bashar Assad, centro, ora pelo fim do jejum muçulmano do Ramadã em mesquita de Damasco, Síria julho/2014)
AP
O presidente sírio Bashar Assad, centro, ora pelo fim do jejum muçulmano do Ramadã em mesquita de Damasco, Síria julho/2014)


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Em comentários que devem irritar Washington, Lavrov afirmou que os Estados Unidos cometeram com o Estado Islâmico o mesmo erro cometido com a Al-Qaeda, que emergiu nos anos 1980 quando combatentes islâmicos apoiados pelos norte-americanos enfrentaram a ocupação soviética no Afeganistão.

“Acho que os políticos ocidentais já estão percebendo a ameaça crescente, e de rápida disseminação, do terrorismo", afirmou Lavrov, referindo-se aos avanços do Estado Islâmico na Síria e no Iraque.

“E logo terão que escolher o que é mais importante: uma mudança no regime (sírio) para satisfazer antipatias pessoais, arriscando uma deterioração da situação para além de qualquer controle, ou encontrar formas pragmáticas de unir esforços contra a ameaça em comum."

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A Rússia tem sido o mais proeminente avalista internacional de Assad na guerra civil iniciada em 2011, na qual os EUA e vários países do Ocidente, assim como Estados árabes e do Golfo Pérsico, vêm apoiando os rebeldes que almejam depô-lo.

O Estado Islâmico se impôs como a facção rebelde mais poderosa, ocupando vastas porções da Síria e do Iraque e declarando um califado nos territórios que controla.

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"No começo, os norte-americanos e alguns europeus deram as boas vindas (ao Estado Islâmico) por estar lutando contra Bashar al-Assad. Acolheram-no como fizeram com os mujahideen (combatentes islâmicos) que mais tarde criaram a Al Qaeda, e então a Al Qaeda atacou como um bumerangue em 11 de setembro de 2001", declarou Lavrov.

"O mesmo está acontecendo agora", afirmou, acrescentando que os EUA só começaram a combater o grupo depois que este passou a devastar o Iraque e se aproximar da capital, Bagdá.

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Os Estados Unidos já realizaram mais de 90 ataques aéreos contra o Estado Islâmico em solo iraquiano, e Washington cogita levar a luta contra os militantes para a vizinha Síria.

O governo sírio declarou nesta segunda-feira que deveria ser incluído na coordenação de quaisquer ataques aéreos em seu território.

Apoiando essa posição, Lavrov afirmou: "Se houver planos para combater o Estado Islâmico no território da Síria e em outros países, é indispensável que isso seja feito em cooperação com autoridades legítimas (sírias)”.

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Muitas vezes criticado por Washington e outros por proteger Assad, Lavrov deixou claro que a Rússia se sente vingada.

"Em determinado momento fomos acusados de apoiar Bashar al-Assad e evitar sua deposição agora ninguém mais fala disso”, afirmou.

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