Primeiro-ministro renuncia ao cargo na França

Por iG São Paulo |

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A renúncia de Manuel Valls foi aceita pelo presidente francês François Hollande; o novo governo deve ser anunciado na terça

O presidente francês, François Hollande, dissolveu o governo nesta segunda-feira (25) depois de rixas em seu gabinete sobre a economia estagnada do país.

Março: Premiê renuncia e ex-ministro do Interior, Manuel Valls, assume na França

AP
Premiê francês Manuel Valls, à dir., e o ministro da economia Arnaud Montebourg durante uma visita a empresa de eletrônicos perto de Paris, França (abril/2014)


Abril: Novo premiê francês Valls obtém voto de confiança do Parlamento

Manuel Valls, premiê francês, ofereceu sua renúncia depois de acusar abertamente o ministro da economia de passar dos limites com suas críticas contundentes contra o atual governo. Hollande aceitou a renúncia e ordenou que Valls forme um novo governo até terça.

Antes disso, o ministro da Economia, Arnaud Montebourg, pediu novas políticas econômicas e questionar a "obsessão" da vizinha Alemanha com o rigor orçamentário.

Hollande, pediu há apenas quatro meses a Valls que formasse um novo governo, mas o primeiro-ministro vinha permanentemente tentando conciliar diferenças de visão política entre esquerdistas como Montebourg e membros mais centristas do governo liderado pelos socialistas.

O gabinete do presidente disse por meio de comunicado que o novo governo seria formado em conformidade com a "direção que ele (o presidente) definiu para o nosso país".

Montebourg disse no fim de semana que medidas para a redução de déficits implementadas desde a crise financeira de 2008 estavam paralisando as economias da zona do euro e pediu aos governos que mudem com urgência o curso, do contrário perderão votos para populistas ou extremistas de direita.

A França não teve nenhum crescimento econômico efetivo este ano. A taxa de desemprego no país está em torno de 10% e os índices de aprovação de Hollande estão caindo. O país está ainda sob pressão da União Europeia para colocar as finanças em ordem, mas o ministro da economia questionou se a pressão da UE vai lançar o país ao crescimento.

As promessas de Hollande para cortar impostos e facilitar as operações empresariais estão paralisadas em grande parte por causa das divisões entre os socialistas.

"Uma grande mudança em nossa política de economia", foi o que Montebourg disse ser necessário apenas alguns dias após Hollande ter dito expressamente que não haveria mudança na direção de sua política.

Os comentários do ministro irritou o líder socialista, que disse que o trabalho de Montebourg era apoiar o governo, e não criticá-lo.

"Ele não está em seu cargo para iniciar um debate, mas sim para colocar a França de volta no caminho do crescimento", Carlos da Silva, o porta-voz do Partido Socialista, disse ao jornal Le Figaro.

A crítica de Montebourg sobre a austeridade - e suas observações pontuais sobre a chanceler alemã, Angela Merkel - já havia sido motivo de irritação anteriormente.

Em uma entrevista na semana passada depois de a economia da Alemanha também mostrar sinais de estagnação, Montebourg disse que o vizinho do país havia sido "preso pela política de austeridade". Ele passou a dizer que "quando eu digo Alemanha, eu quero dizer a ala direita alemã que apóia Angela Merkel. Não é trabalho de França alinhar-se às verdades ideológicas da direita alemã."

Montebourg representa a base socialista de extrema-esquerda e sua saída do governo deve irritar muitos dos eleitores que trouxeram Hollande ao cargo em 2012. Desde então, a economia da França só piorou, e o senso de crise iminente tem pesado.

Merkel não quis comentar diretamente a mudança de governo da França nesta segunda, mas disse desejar "sucesso ao presidente francês com sua agenda de reformas."

*Com AP e Reuters

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