Inglaterra e EUA iniciam caçada internacional por assassino de jornalista; vídeo

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Vídeo divulgado pelo Estado Islâmico mostra jornalista dos EUA decapitado; premiê britânico interrompeu suas férias pelo caso

Uma caçada internacional pelo militante que decapitou o jornalista americano James Foley começou - e seu foco está sobre a Grã-Bretanha, de acordo com a CNN.

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Reuters
Militante do Estado Islâmico mascarado segura faca enquanto fala ao lado do jornalista americano James Foley em local desconhecido (19/08)



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No vídeo, militante do Estado Islâmico cobriu o rosto inteiro, exceto os olhos, para não deixar rastros de sua identidade. Mas chamou a atenção pelo que parece ser um sotaque britânico.

Relatos da mídia do Reino Unido estão repletos de especulações sobre a cidade onde ele pode ter nascido. Segundo especialistas em linguística, seu sotaque indica que ele é de sudeste da Inglaterra ou de Londres.

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Quando a notícia da execução a sangue frio de Foley surgiu, o primeiro-ministro britânico David Cameron interrompeu suas férias de verão para dirigir reunião do comitê de emergência do governo, conhecido como COBRA (sigla em inglês), em Londres.

Durante coletiva, ele definiu o caso como "um assassinato sem qualquer justificação" e disse que, enquanto o algoz do jornalista não for identificado, "é provável que seja visto como um cidadão britânico."

Processo demorado

Com uma estimativa de 400 a 500 militantes britânicos na Síria e no Iraque, pode levar algum tempo para que o assassino seja identificado. E o ministro do Exterior britânico, Philip Hammond, disse que o governo está ciente da ameaça que os jihadistas britânicos representam tanto dentro quanto fora do país.

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"Dizemos há muito tempo que há um número significativo de cidadãos britânicos, tanto na Síria quanto no Iraque, operando com organizações extremistas", afirmou ele.

"Muitas dessas pessoas podem querer voltar para o Reino Unido em algum momento e eles, então, representariam uma ameaça direta à nossa segurança nacional. Isso é um veneno, um câncer. O que está acontecendo no Iraque e na Síria corre o risco de se espalhar para outras partes da comunidade internacional e afetar a todos diretamente."

Militantes

Analistas que seguem o Estado Islâmico dizem que não se surpreendem com o papel desempenhado por um possível britânico no assassinato de Foley.

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"Os militantes britânicos que foram para o Estado Islâmico, que temos acompanhado agora e durante muitos anos, realmente querem estar na vanguarda deste conflito", Shiraz Maher, um pesquisador sênior do Kings College London, disse à CNN. "E não como coadjuvantes."

Assista ao vídeo da execução

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Europeus procurados

Um desertor, que concordou em conversar com a CNN, mas preferiu esconder sua identidade, disse que os recrutas europeus foram mais procurados e tratados como uma classe diferente pelos recrutadores.

"Há tratamento diferenciado para os europeus", ele disse. "Um britânico se apresentou como Ibrahim e disse ser de Manchester. Ele perguntou ao emir (chefe de sua unidade) se deveria lutar em seu próprio país or vir para a Síria. O líder respondeu que se Deus não lhe der o martírio na Síria, ele pode travar uma guerra em seu próprio país."

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Maajid Nawaz, co-fundador e presidente da Quilliam, organização contra o extremismo com sede em Londres, disse à CNN que jihadistas britânicos haviam deixado claro sua intenção de exercer a jihad quando voltasse para casa. Alguns postaram fotos de si mesmos nas redes sociais posando com bombas caseiras.

Estimativa de Nawaz diz que os cerca de 500 militantes britânicos na região equivale a cerca de um em cada 800 homens britânicos muçulmanos sunitas em idade de combate.

"Militantes não emergem do nada"

"Uma enorme proporção de muçulmanos no país sucumbiram a esse nível de violência", disse ele. "Esses lutadores não emergem do nada, eles não simplesmente surgem do vácuo. Deve haver algum tipo de atmosfera que prevalece nessas comunidades muçulmanas que, de alguma forma, incuba essa mentalidade. Portanto, é definitivamente muito preocupante para nós."

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Segundo Nawaz, "Há cerca de 3 mil deles em toda a Europa e é claro que podem viajar para qualquer país sem visto - o que significa que qualquer nação pode sucumbir a este tipo de ataques assim que eles voltarem para casa."

Passado e presente

Analistas dizem que uma parte da identidade desses militantes estrangeiros ocidentais encontra-se em contradição entre o passado e presente.

"Quando se vê um britânico decapitando um civil americano, se vê também a desconstrução de qualquer limite da ex-vida desse militante como cidadão britânico", disse Charlie Cooper, pesquisador da Fundação Quilliam.

"Ele deixou seu país e passou a lutar pelo Estado islâmico e ao fazê-lo, rejeitou completamente sua vida anterior. Ele rejeitou todos os ideais que sempre usou para se viver e agora está feliz por decapitar alguém desarmado em frente de uma câmera para promover uma mensagem e ameaçar o resto do mundo, principalmente os Estados Unidos. Para promover essa ação de nível tão elevado em alguém, fazer uma lavagem cerebral dessas, é preciso ser muito poderoso."

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A Polícia Metropolitana de Londres confirmou na quarta que seu departamento contra o terrorismo investiga o vídeo. A agência de inteligência da Grã-Bretanha MI5 também está envolvida na caçada, assim como autoridades dos EUA.

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