Caminhões ficaram retidos na fronteira entre os dois países por quase uma semana devido às preocupações do governo de Kiev

Reuters

Os primeiros caminhões de um comboio russo de ajuda humanitária atravessaram nesta quinta-feira (21) um posto de fronteira e seguiram rumo à Ucrânia, disse um repórter da Reuters no local.

Terça: Ucrânia proíbe canais de TV da Rússia por "propaganda" de guerra

Carros da Cruz Vermelha e caminhões de comboio russo com ajuda humanitária são vistos em um ponto de passagem na fronteira Rússia-Ucrânia
Reuters
Carros da Cruz Vermelha e caminhões de comboio russo com ajuda humanitária são vistos em um ponto de passagem na fronteira Rússia-Ucrânia


Ataques: Exército ucraniano e rebeldes se enfrentam perto da fronteira com a Rússia

Esses caminhões se dirigiram à zona neutra entre os postos de fronteira russo e ucraniano e não ficou imediatamente claro se os veículos ingressaram em território da Ucrânia ou pararam no posto de controle ucraniano.

Comboio ficou retido na fronteira entre os dois países por quase uma semana devido às preocupações do governo de Kiev de que poderia ter como objetivo velado infiltrar suprimentos militares destinados a separatistas.

Moscou negou as acusações e disse estar disposta a ajudar a aliviar o desastre humanitário na região.

Violência

Forças ucranianas travaram batalhas de rua com separatistas na cidade de Ilovaisk, no leste do país, durante a madrugada de quarta, buscando isolar as posições rebeldes perto da fronteira com a Rússia, disse um representante do Ministério do Interior.

Dia 18: Míssil lançado por rebeldes atinge comboio de refugiados no leste da Ucrânia

Nove combatentes voluntários que apoiavam as forças de Kiev foram mortos nos combates de Ilovaisk, que fica parcialmente na estrada que vai de Donetsk, principal cidade da região, à fronteira com a Rússia, disse o funcionário do ministério, Anton Gerashchenko.

Dia 17: Tropas ucranianas obtêm progresso avançando em áreas rebeldes

Separadamente, autoridades de saúde disseram que 34 civis foram mortos como resultado dos combates nas 24 horas de combate até o meio-dia (horário local) na região de Donetsk, uma das duas grandes províncias do leste industrial da Ucrânia.

Autoridades locais na cidade de Luhansk disseram que a cidade foi abalada pelos ataques de artilharia e disparos de armas automáticas na quarta-feira, à medida que forças do governo mantiveram seu avanço contra os rebeldes que ocupam os principais prédios municipais desde abril, quando irrompeu a rebelião separatista.

Sem acordo: Alemanha diz que solução política para impasse na Ucrânia está distante

Luhansk tem sido isolada há semanas e está sem água e fornecimento regular de eletricidade, prejudicando as conexões telefônicas fixas e móveis. Apenas itens vitais de alimentação estão à venda, ao passo que são formadas filas para pegar pão, distribuído por vans de turismo.

“A crise humanitária é crítica. Já que não há eletricidade, as pessoas agora cozinham suas refeições no quintal, em fogueiras”, disse Oleksander Sabenko, um representante municipal, ao canal ucraniano de notícias 112.ua.

Crise: Alemanha defende novo ímpeto político na crise da Ucrânia

Assim como a piora das condições para as pessoas nos locais, o primeiro-ministro Arseny Yatseniuk disse que os combates estão acabando com o potencial da economia a cada dia, afetando minas, estações de energia, ferrovias e pontes.

“A Rússia está ciente de que a reconstrução de Donbass (o leste industrial) não custará milhões, mas sim bilhões”, disse.

Conflito: Ucrânia diz que suas tropas avançam em reduto rebelde

No entanto, as forças do governo têm ganhando vantagem após quatro meses de lutas para conter as rebeliões no leste, onde a população fala russo, e estão firmemente apertando o cerco contra os rebeldes nos dois grandes bastiões de Donetsk e Luhansk.

O governo em Kiev e seus aliados ocidentais acusam Moscou de orquestrar a rebelião e de armar os separatistas com tanques, mísseis e outros armamentos pesados. Moscou nega.

A ONU estima que 2.086 pessoas, incluindo civis e combatentes, tenham morrido no conflito. O número quase dobrou desde o começo de julho, quando forças ucranianas aceleraram sua ofensiva e os combates começaram em áreas urbanas.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.