Segundo testemunhas, os militantes do Estado Islâmico teriam separado as mais jovens na cidade de Sinjar e levado o grupo

Deslocados Yazidi, que fugiram da violência na cidade iraquiana de Sinjar, esperam para embarcar em ônibus no campo de refugiados em Qamishli, Síria (17/08)
Reuters
Deslocados Yazidi, que fugiram da violência na cidade iraquiana de Sinjar, esperam para embarcar em ônibus no campo de refugiados em Qamishli, Síria (17/08)

Mais de 1.500 mulheres da minoria Yazidi sitiadas por extremistas sunitas no Iraque estão sendo forçadas a "casar" com seus sequestradores, segundo informações divulgadas por sobreviventes. As informações são do Daily Mail.

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Testemunhas na cidade de Sinjar dizem que militantes do Estado Islâmico separaram as mulheres mais jovens do resto da população local e as colocaram em ônibus ou caminhões. Acredita-se que essa seria uma tentativa de torná-las mulheres dos terroristas.

Mais de 3 mil mulheres e garotas foram sequestradas por jihadistas no norte do país em apenas 15 dias - centenas de homens que se recusam a se converter foram mortos a tiros.

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Os sequestros parecem ter acontecido em aldeias onde os moradores se armaram para enfrentar os terroristas - as mulheres estão sendo mantidas separadas dos homens em Tal Afar, cidade controlada pelo grupo sunita, a leste do Monte Sinjar.

Cerca de 200 mil pessoas fugiram para região curda do Iraque, mas outras permanecem na montanha. Donatella Rovera, consultora sênior de Resposta para Crise da Anistia Internacional, disse à agência de notícias France-Presse que há "Vítimas de todas as idades, desde bebês até idosos."

"Parece que eles levaram famílias inteiras, todos os que não conseguiram fugir. Temo que os homens tenham sido executados."

Duas mulheres - Leila Khalaf e Wadhan Khalaf - estão entre as raptadas na vila Mujamma Jazira, de acordo com Dakhil Atto Solo, parente das vítimas.

Ele acrescentou que os sequestros aconteceram depois que os moradores tentaram resistir ao ataque.

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"Claro que tentamos defender nossas aldeias, mas eles tinham armas muito maiores", disse ele. "Tudo o que tínhamos eram nossos fuzis Kalashnikov. Mas eles [militantes] executaram 300 homens e levaram as mulheres. Só Deus pode salvá-las agora."

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"As mulheres estão em uma casa cercada pelos terroristas. Tivemos de fugir. Agora, as crianças choram por suas mães o tempo todo. 'Mamãe, mamãe', lamentam. Mas não há nenhuma mamãe, nós dizemos a eles."

Seus comentários sobre a terrível situação foram feitos enquanto extremistas islâmicos mataram dezenas de homens Yazidi, alinhando-os em pequenos grupos e abrindo fogo com rifles antes de levarem suas esposas e filhos.

Um político Yazidi citou o assassinato em massa em Kocho como prova de que seu povo ainda corria risco de morte mesmo após ataques aéreos dos EUA e do Iraque contra os militantes. Enquanto isso, aviões de guerra atingiram alvos insurgentes em torno de uma grande barragem que foi capturada pelo grupo extremista no início deste mês.

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O Comando Central dos EUA disse que os ataques foram lançados para apoiar os esforços humanitários no Iraque, bem como proteger o pessoal e as instalações dos EUA. O órgão diz que nove ataques aéreos foram realizados até agora e haviam destruído ou danificado, entre outros, quatro veículos blindados e sete veículos armados.

Os EUA começaram os disparos contra os extremistas há uma semana, em parte para evitar o massacre de dezenas de milhares de Yazidis no norte do Iraque. Um político Yazidi, um oficial de segurança curdo e um funcionário iraquiano da cidade vizinha a Sinjar fizeram relatos semelhantes sobre o caso, dizendo que militantes do Estado islâmico haviam massacrado muitos homens Yazidi na sexta após ocuparem Kocho.

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"Eles pensaram que estávamos mortos e quando foram embora, saímos correndo. Nos escondemos em um vale até o anoitecer e então, fugimos para as montanhas."

Não ficou claro exatamente quantos homens foram mortos. Autoridades iraquianas e curdas disseram que pelo menos 80 homens foram baleados. Na segunda, a Grã-Bretanha enviou um avião espião ao norte do Iraque para controlar a crise e os movimentos dos militantes.

O Boeing KC-135, chamada de Joint Rivet, estava monitorando chamadas de celular e outros meios de comunicação.

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