Para Jay Nixon, governador de Missouri, a Guarda Nacional vai ajudar a 'restabelecer a paz e a ordem' após a morte de Brown

O governador de Missouri mobilizou, nesta segunda-feira (18), a Guarda Nacional para controlar protestos em um subúrbio de St. Louis convulsionado por manifestações após a morte de um adolescente negro desarmado, uma noite após a polícia usar gás lacrimogêneo para tirar os manifestantes das ruas antes do toque de recolher.

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Manifestantes se reúnem em Ferguson, Missouri, para protestar contra a morte de jovem negro nos EUA (17/08)
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Manifestantes se reúnem em Ferguson, Missouri, para protestar contra a morte de jovem negro nos EUA (17/08)


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Jay Nixon disse que a Guarda Nacional ajudaria a "restabelecer a paz e a ordem" em Ferguson, onde os protestos pela morte de Michael Brown, 18, por um policial branco entraram em sua segunda semana. A polícia disse ter agido em resposta a tiros, saques, vandalismo e ativistas que atiraram coquetéis molotov contra as tropas.

"Esses atos violentos são um desserviço à família de Michael Brown e à sua memória e para as pessoas desta comunidade que anseiam por justiça e por se sentirem seguras em suas próprias casas", disse Nixon por meio de um comunicado.

Os protestos ocorrem desde a morte de Brown, que aumentaram as tensões raciais entre a comunidade predominantemente negra e o Departamento de Polícia de Ferguson, composto por maioria branca. Ativistas de direitos civis têm comparado a morte do jovem a outros casos racistas, especialmente o de Trayvon Martin em 2012, um adolescente negro desarmado baleado na Flórida por um vigia de bairro que mais tarde foi absolvido da acusação de assassinato.

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Esses recentes confrontos em Ferguson acontecem no mesmo dia em que o procurador-geral Eric Holder ordenou que um médico legista federal realizasse outra autópsia no corpo de Brown, e resultado preliminar relatado no The New York Times descobriu que Brown foi baleado pelo menos seis vezes - duas delas na cabeça.

Quando a noite de domingo caiu em Ferguson, outro protesto pacífico rapidamente acabou e as ruas estavam vazias bem antes do toque de recolher da meia-noite. O capitão Ron Johnson, da Patrulhia Rodoviária de Missouri, disse que pelo menos duas pessoas ficaram feridas em tiroteios.

As "circunstâncias extraordinárias" que cercam a morte de Brown e um pedido por sua família levou à decisão do Departamento de Justiça em realizar uma terceira autópsia, porta-voz da agência de Brian Fallon disse em um comunicado. Os novos resultados da autópsia realizada pelo Estado seriam levados em conta, juntamente com o exame federal de investigação do Departamento de Justiça, disse Fallon.

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Um dia antes, autoridades disseram que 40 agentes do FBI estavam indo de porta em porta recolhendo informações no bairro Ferguson onde Brown foi morto a tiros no dia 9 de agosto.

O dr. Michael Baden, ex-legista chefe da cidade de Nova York, disse ao The New York Times que uma das balas entrou no topo do crânio de Brown, sugerindo que sua cabeça estava inclinada para a frente quando ele sofreu uma lesão fatal. Brown também foi baleado quatro vezes no braço direito e todas as balas foram disparadas em sua frente, disse Baden.

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A polícia deu poucas informações sobre o encontro entre Brown e o policial, exceto que se tratava de uma briga que acabou com o funcionário da polícia ferido e Brown, baleado. Testemunhas disseram que o adolescente estava com as mãos no ar quando o policial disparou.

Toque de recolher

A polícia prendeu sete manifestantes em Ferguson, Missouri, no domingo (17), durante o toque de recolher imposto para acalmar a violência que tomou conta da cidade há dias, depois que um jovem adolescente negro e desarmado foi morto a tiros por um policial branco.

O mais recente confronto aconteceu quando manifestantes permaneceram nas ruas do subúrbio de St. Louis após o toque de recolher, que entrou em vigor à meia-noite. Sete pessoas foram presas por não se dispersarem, disse a polícia. Uma pessoa foi baleada e gravemente ferida durante a noite. Não ficou claro o motivo e o atirador ainda está foragido, segundo a polícia.

Nixon, impôs o toque de recolher no sábado, depois de uma semana de protestos raciais e saques devido à morte de Brown. O departamento de polícia de Ferguson está sofrendo duras críticas tanto pelo tiro quanto pela sua maneira de conduzir a situação. 

Assim que o toque de recolher entrou em vigor na noite de sábado, policiais usaram alto-falantes para dizer aos manifestantes para se dispersarem. Policiais, equipados com máscaras contra gases e escudos de corpo inteiro, ficaram entre e em cima de veículos blindados.

A pessoa que levou um tiro em um restaurante durante a noite está em estado grave, disse o capitão Ron Johnson, da Polícia Rodoviária do estado do Missouri. A polícia não conseguiu identificar a vítima, que ele disse que não foi baleada pela polícia.

Johnson, encarregado pelo governador de restaurar a ordem, disse que bombas de fumaça e mais tarde de gás lacrimogêneo, foram lançadas como parte das tentativas da polícia de chegar até a vitima do tiroteio, "e não devido ao toque de recolher". A pessoa ferida foi levada ao hospital por transeuntes, antes que a polícia conseguisse alcançá-lo.

*Com Reuters e AP

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