O curdo Hoshiyar Zebari, ex- ministro das Relações Exteriores, disse também que grupo ajudará a formar governo inclusivo

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Forças dos curdos iraquianos disseram ter recuperado o controle da maior represa do país dos militantes do Estado Islâmico nesta segunda-feira (18), embora um funcionário no local tenha dito que os jihadistas ainda controlam pontos-chave da vulnerável estrutura.

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Curdo exibe cinto de munição a venda em mercado de armas em Arbil, capital da região autônoma curda do norte do Iraque (17/08)
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Curdo exibe cinto de munição a venda em mercado de armas em Arbil, capital da região autônoma curda do norte do Iraque (17/08)


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Hoshiyar Zebari, curdo que foi ministro das Relações Exteriores do gabinete iraquiano demissionário, também afirmou que autoridades de sua comunidade irão participar das conversas sobre a formação de um novo governo inclusivo, considerado vital para combater os militantes sunitas que tomaram boa parte do país.

O novo primeiro-ministro, Haider al-Abadi, xiita com uma postura menos centralizadora que seu antecessor, Nuri al Maliki, foi indicado para formar um governo que inclua as principais minorias iraquianas.

Zebari declarou que uma decisão final sobre a suspensão da participação dos curdos étnicos no gabinete será tomada mais tarde.

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A ocupação da hidrelétrica de Mosul, no norte do Iraque, por parte dos islâmicos marcou um revés contundente para as autoridades xiitas de Bagdá e despertou temores de que os militantes pudessem interromper o fornecimento de energia e de água, ou até explodir a represa, causando grande perda de vidas e danos no vale do rio Tigre.

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As autoridades iraquianas saudaram o que disseram ter sido uma vitória estratégica na retomada do controle da represa, e anunciaram que o próximo objetivo será reconquistar Mosul, maior cidade do norte do Iraque.

Entretanto, qualquer ameaça remanescente do Estado Islâmico à estrutura tornaria a cidade refém do grupo.

Zebari declarou que as forças da região autônoma curda capturaram a hidrelétrica – assolada por problemas estruturais desde que foi construída por engenheiros da ex-Alemanha Ocidental para Saddam Hussein nos anos 1980 – com a ajuda de ataques aéreos dos Estados Unidos nas proximidades em uma operação difícil.

“Conquistar a represa demorou mais que o esperado, porque o Estado Islâmico tinha plantado minas terrestres”, disse ele à Reuters.

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Autoridades de Bagdá expressaram sua determinação para virar o jogo contra o grupo militante, cuja campanha para criar um califado regional ameaçou dividir o Iraque.

“A nova tática de lançar um ataque rápido e em segredo se mostrou bem-sucedida, e estamos determinados a mantê-la com a ajuda da inteligência fornecida pelos norte-americanos”, disse Sabah Nouri, porta-voz da unidade de countra-terrorismo iraquiana, à Reuters.

"A próxima escala é Mosul".

Mas um empregado da represa contestou a versão do governo. “Combatentes do Estado Islâmico ainda detêm o pleno controle das instalações da represa, e a maioria deles está se abrigando perto de locais sensíveis da represa para evitar os ataques aéreos”, afirmou ele à Reuters.

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