Comboio de 280 caminhões russos levou ajuda até a fronteira; Kiev suspeitou que esse fosse um disfarce para operação militar

Reuters

Guardas de fronteira ucranianos e agentes alfandegários começaram a inspecionar, nesta sexta-feira (15), o comboio russo com ajuda humanitária para o leste da Ucrânia em um ponto fronteiriço dentro do território da Rússia, informaram as Forças Armadas ucranianas em nota.

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Comboio russo que transportam ajuda humanitária para a Ucrânia estacionado em um campo perto Kamensk-Shakhtinsky, na região de Rostov
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Comboio russo que transportam ajuda humanitária para a Ucrânia estacionado em um campo perto Kamensk-Shakhtinsky, na região de Rostov


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Um comboio de 280 caminhões russos levou a ajuda até a fronteira, em uma operação que despertou a suspeita de Kiev de que pudesse ser um disfarce para uma operação militar russa na Ucrânia.

A ajuda é destinada ao leste da Ucrânia, onde um confronto entre forças do governo e separatistas pró-Rússia provocou uma crise humanitária.

Mais cedo, o chanceler da Lituânia, Linas Linkevicius, disse ter ouvido relatos de que equipamento militar russo atravessaram a fronteira e entraram na Ucrânia durante a noite.

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"Nós estamos muito preocupados sobre a situação em andamento (na Ucrânia) porque, de um lado, está todo mundo falando muito sobre esse chamado comboio humanitário mas, ao mesmo tempo, vemos a escalada continuar, e temos relatos de que durante a noite 70 peças de equipamento militar entraram de novo pela fronteira", disse Linkevicius a repórteres ao chegar para uma reunião de emergência de ministros das Relações Exteriores da União Europeia.

Insurgência

Dois dos mais experientes rebeldes que combatem tropas do governo no leste da Ucrânia entregaram seus cargos na quinta-feira, aprofundando o caos no movimento separatista pró-Rússia, que vem sendo rechaçado pela ofensiva militar ucraniana.

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As demissões aconteceram no mesmo dia em que disparos de artilharia atingiram pela primeira vez desde o início do conflito o centro da cidade de Donetsk, principal bastião dos rebeldes no leste do país. Os revezes sofridos pelos separatistas podem forçar o presidente russo, Vladimir Putin, a adotar uma nova tática.

Embora tenha negado estar ajudando diretamente os rebeldes, sua estratégia de impedir a Ucrânia de se integrar ao Ocidente se beneficiou do fato de ter parte do país vizinho sob controle dos separatistas.

O mais destacado dos rebeldes a desistir da luta nesta quinta-feira usa o nome de coronel Igor Strelkov e era ministro da Defesa da autodeclarada República Popular de Donetsk.

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Apelidado de "Strelok" – atirador – pelos combatentes sob seu comando, ele levava uma vida pacata em um subúrbio de Moscou, onde era conhecido como Igor Girkin. Kiev alega que ele era um oficial da inteligência russa, o que Moscou nega.

Vladimir Antyufeyev, vice-primeiro-ministro da organização separatista da região de Donetsk, disse à Reuters que Strelkov foi demovido do posto e que ocupará outro, com menor importância, e que o novo ministro da Defesa será Vladimir Kononov, um nativo de Donetsk.

“O inimigo será derrotado. A vitória será nossa”, declarou Antyufeyev quando indagado sobre as perspectivas de sucesso dos rebeldes após a série de demissões.

O chefe do governo rebelde autoproclamado da região de Luhansk, vizinha a Donetsk, também anunciou que está abandonando a função. Valery Bolotov afirmou estar ferido e incapaz de realizar suas tarefas.

Uma semana atrás, Alexander Borodai, premiê da República Popular de Donetsk, também se demitiu. A sensação de que as forças governamentais estão apertando o cerco aos rebeldes ficou clara no quartel-general dos separatistas no centro de Donetsk na quinta.

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Um repórter da Reuters entrevistava Andrei Purgin, vice do novo premiê rebelde, quando tiros de artilharia caíram nas proximidades. Um homem gritou “vão para o porão!”, e quem estava no edifício rumou para as escadas, alguns correndo.

Em um discurso a ministros russos e membros do Parlamento reunidos em um hotel na Crimeia, Putin usou um tom mais discreto e conciliatório, dizendo querer fazer tudo que puder para deter o banho de sangue na Ucrânia.

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