Polícia cede e revela nome do responsável pela morte de jovem negro

Por Reuters | - Atualizada às

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Darren Wilson, 28 anos, afirmou, no entanto, que desconhecia fato de Michael Brown ter roubado uma loja horas antes

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Minutos antes de um policial matá-lo a tiros, Michael Brown tinha se tornado suspeito de roubar cigarros em uma loja, de acordo com registros da polícia divulgados nesta sexta-feira (15), após dias de protestos em um subúrbio de St. Louis pela morte do jovem negro desarmado. Mas o policial que o matou não estava ciente do fato, informou o chefe de polícia de Ferguson, Tom Jackson, em coletiva de imprensa.

Veja casos de racismo ocorridos no Brasil:

Caso do ator Vinícius Romão chamou atenção no Rio de Janeiro no começo deste ano. Foto: ReproduçãoEle ficou 15 dias detido após ter sido erradamente reconhecido por uma vítima de assalto. Foto: Reprodução/ TV GloboO pai do ator, o militar reformado Jair Romão, comemorou a soltura do filho e o arquivamento do processo. Foto: Carlos MoraesCaso não foi o único no Rio. Em fevereiro, um jovem negro suspeito de assalto foi preso pelo pescoço por uma trava de bicicleta. Foto: Reprodução internetO futebol é outro campo em que casos de racismo ocorrem. O tema é preocupação do País para a Copa do Mundo. Foto: Divulgação/CBFO primeiro caso foi vivido por Tinga, no Peru, pela Libertadores. A torcida rival imitou som de macaco quando ele pegava na bola. Foto: VIPCOMM/DIVULGAÇÃOO jogador recebeu mensagens de apoio de diversas torcidas e de representantes da sociedade. Foto: Eugenio Savio/APO volnate Arouca do Santos, foi xingado de 'macaco' por torcedores em uma partida pelo Campeonato Paulista contra o Mogi Mirim. Foto: FLICKR OFICIAL/SANTOS/REPRODUÇÃO O árbitro Márcio Chagas recebeu ofensas durante jogo pelo Campeonato Gaúcho encontrou seu carro amassado, com bananas na lataria. Foto: Arquivo pessoalDilma Rousseff recebe o árbitro Marcio Chagas e o meia Tinga, do Cruzeiro. Foto: Site oficial da Presidência da República

Darren Wilson, 28 anos, disparou e matou o jovem durante uma discussão depois de pedir a ele que saísse da rua e subisse na calçada, declarou Jackson. A decisão do departamento de polícia, predominantemente branco, de divulgar o relatório sobre o roubo ocultando detalhes do tiroteio alimentou a revolta que já domina a área de St. Louis.

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Após identificar Wilson como o policial envolvido na morte, Jackson o descreveu como um “cavalheiro”, que está arrasado com a situação. A identidade do policial vinha sendo mantida em segredo desde o incidente de 9 de agosto, mas as autoridades estavam sofrendo pressão crescente para identificá-lo e fornecer detalhes sobre a investigação para apaziguar a comunidade de maioria negra.

Desde a morte, no sábado (9), manifestantes convergiram para Ferguson e atraíram as atenções para as tensões raciais na região. Milhares protestaram nas ruas da cidade e o inconformismo desencadeou embates de domingo (10) até quarta-feira (13).

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Grupos de direitos humanos se queixaram que a morte de Brown é o episódio mais recente de um longo histórico de tratamento diferenciado, prisões discriminatórias e assédio da polícia. Alguns moradores consideraram o relatório oficial sobre o roubo como o mais recente exemplo do padrão de comportamento policial.

"Esta é a forma como a polícia opera aqui. Eles sempre difamam o nome da vítima", disse o morador Arthur Austin, 39 anos. "Quanto mais eu ouço, menos confio no que a polícia está dizendo."

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Novo capitão da polícia do Missouri, Ron Johnson conversa com manifestantes, na quinta-feira

Relatos conflitantes
O presidente do grupo de direitos civis Rede Nacional de Ação, reverendo Al Sharpton, irá pagar o enterro de Brown e emitiu um comunicado, nesta sexta, criticando o que chamou de “campanha de difamação” contra o jovem.

Sharpton declarou que irá liderar uma manifestação em Ferguson no domingo (17) com a família de Brown, que expressou revolta com o relatório da polícia em uma declaração no Twitter, mas não comentou a alegação.

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A versão da polícia difere profundamente dos relatos de testemunhas. Em seu primeiro relatório, a instituição afirmou que Brown lutou com Wilson dentro da viatura antes de o policial sacar a arma e disparar várias vezes contra o jovem.

Mas Dorian Johnson, amigo de Brown, e mais uma testemunha afirmaram que o jovem tentava se afastar do policial, que tentou segurá-lo, e que ele estendeu as mãos para o alto como sinal de rendição, mas foi alvejado várias vezes.

A polícia admitiu que o corpo de Brown estava a mais de nove metros da viatura quando caiu e morreu e que vários cartuchos de bala foram encontrados no local.

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