Haider al-Abadi pediu para que seus compatriotas atuem juntos e também afirmou que não fará promessas irreais de governo

Reuters

O novo primeiro-ministro do Iraque, Haider al-Abadi, fez um apelo a seus compatriotas por união para enfrentar desafios perigosos, e alertou que o caminho pela frente será difícil, nesta sexta-feira (15).

Ontem: Pressionado, primeiro-ministro do Iraque renuncia ao cargo

Haider al-Abadi fala à imprensa depois de uma sessão do Parlamento iraquiano em Bagdá (julho/2014)
AP
Haider al-Abadi fala à imprensa depois de uma sessão do Parlamento iraquiano em Bagdá (julho/2014)


Obama: Cerco dos militantes sunitas no norte do Iraque foi quebrado

Em sua página no Facebook, Abadi disse que não faria promessas irreais, mas encorajou os iraquianos a trabalhar juntos para fortalecer o país, que enfrenta uma guerra civil sectária.

Para ajudar o país a enfrentar os extremistas sunitas do Estado Islâmico, a Grã-Bretanha vai considerar "positivamente" qualquer pedido de armas dos curdos, disse uma porta-voz do primeiro-ministro britânico nesta sexta. Os Estados Unidos pediram a países europeus que forneçam armas e munição aos combatentes curdos, de acordo com autoridades norte-americanas e europeias.

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O premiê britânico, David Cameron, tem dito até o momento que qualquer resposta britânica seria limitada a um esforço humanitário, mas Londres também tem transportado para as forças curdas certos equipamentos, como munição, fornecidos por outros países.

"Se nós recebêssemos um pedido, então consideraríamos positivamente", disse a porta-voz.

"Nosso entendimento é que eles preferem operar equipamentos em que são treinados, e é por isso que até agora temos transportado suprimentos de outros países", acrescentou.

Vários governos europeus, incluindo França, Alemanha, República Tcheca e Holanda, disseram que vão enviar armas aos curdos ou pretendem fazê-lo.

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Renúncia de Maliki

Pressionado principalmente devido à crise gerada por militantes radicais do Estado Islâmico no país, o primeiro-ministro do Iraque, Nuri al-Maliki, anunciou sua renúncia ao cargo na quinta-feira (14).

Na segunda-feira (11), dia da nomeação, pairavam no país diversas dúvidas a respeito da possibilidade de Maliki não renunciar, principalmente por não ter havido uma negociação prévia para tanto com o presidente. Ainda assim, o agora ex-premiê, que ocupava o cargo desde 2006, afirmou que vai apoiar seu substituto.

A decisão do curdo Masum tem como principal objetivo encerrar a carnificina praticada pelo grupo radical Estado Islâmico no território do país. Com a intenção de criar um califado islâmico na região que abrange parte do Iraque e da Síria, os militantes fundamentalistas têm promovido o terror, obrigando minorias locais a se converterem ao islã e exterminando-as quando não obedecidos. Além das execuções, há relatos que acusam os radicais de enterrar pessoas vivas e crucificá-las.

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Maliki vinha sofrendo uma enorme pressão para dar lugar a um líder menos polarizador capaz de combater os radicais, a maior ameaça à segurança do país desde a queda do ditador Saddam Hussein, em 2003.

Críticos o acusavam de perseguir uma agenda sectária que isola a minoria sunita, empurrando alguns de seus membros a apoiarem os militantes do Estado Islâmico, cuja última investida contra o norte do Iraque tem alarmado o governo de Bagdá e seus aliados ocidentais.

EUA

Na quinta, o presidente Barack Obama declarou que o cerco dos islâmicos ao monte Sinjar foi rompido e que a maioria dos militares de seu país enviada para avaliar a situação será retirada do Iraque nos próximos dias.

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Ele disse aos repórteres não esperar que os EUA tenham que realizar uma operação de retirada da montanha, onde milhares de membros da minoria religiosa yazidi foram encurralados pelos militantes, ou continuar a enviar ajuda humanitária por via aérea. “Rompemos o cerco do Estado Islâmico no monte Sinjar”, afirmou Obama.

“Ajudamos pessoas inocentes a chegar à segurança e a salvar muitas vidas inocentes. Por causa destes esforços, não esperamos que haja uma operação adicional para retirar pessoas da montanha, e é improvável que precisemos continuar com os envios aéreos de ajuda humanitária.”

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Kieran Dwyer, porta-voz do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da Organização das Nações Unidas (ONU), disse ser cedo demais para declarar o fim da crise. A melhora na segurança permitiu que um grande número de yazidis escapasse do monte Sinjar, declarou, mas “alguns milhares” ainda necessitam de ajuda.

“A crise na montanha não se encerrará até que todos possam chegar de maneira segura a uma localidade segura”, disse Dwyer.

Obama afirmou que a maioria dos militares que conduziram a avaliação no monte Sinjar deixarão o Iraque dentro de alguns dias.

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Os Estados Unidos enviaram 130 militares para Arbil, capital do Curdistão iraquiano, para analisar as opções, que iam de um corredor de segurança para os yazidis até um resgate aéreo. Uma equipe de menos de 20 pessoas voou ao local para avaliar a situação.

Os combatentes da região semiautônoma do Curdistão iraquiano estão lutando contra os militantes melhor armados do grupo Estado Islâmico, que varreu o norte do Iraque nas últimas semanas, empurrando para trás as forças curdas e forçando dezenas de milhares de pessoas das minorias yazidi e cristã a deixar suas casas.

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