Renúncia foi anunciada exatamente três dias depois de o presidente iraquiano ter nomeado um substituto para ele

Pressionado principalmente devido à crise gerada por militantes radicais do Estado Islâmico no país, o primeiro-ministro do Iraque, Nuri al-Maliki, anunciou sua renúncia ao cargo, nesta quinta-feira (14). Ele será substituído por Haider al-Abadi, escolhido pela coalizão de partidos xiitas Aliança Nacional Iraquiana e nomeado ao posto no início da semana pelo presidente do país, Fouad Masum, no cargo há menos de um mês.

Ex-premiê iraquiano afirmou que irá apoiar seu substituto, nomeado nesta semana por presidente
Reuters
Ex-premiê iraquiano afirmou que irá apoiar seu substituto, nomeado nesta semana por presidente






Na segunda-feira (11), dia da nomeação, pairavam no país diversas dúvidas a respeito da possibilidade de Maliki não renunciar, principalmente por não ter havido uma negociação prévia para tanto com o presidente. Ainda assim, o agora ex-premiê, que ocupava o cargo desde 2006, afirmou que vai apoiar seu substituto.

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A decisão do curdo Masum tem como principal objetivo encerrar a carnificina praticada pelo grupo radical Estado Islâmico no território do país. Com a intenção de criar um califado islâmico na região que abrange parte do Iraque e da Síria, os militantes fundamentalistas têm promovido o terror, obrigando minorias locais a se converterem ao islã e exterminando-as quando não obedecidos. Além das execuções, há relatos que acusam os radicais de enterrar pessoas vivas e crucificá-las.

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Maliki vinha sofrendo uma enorme pressão para dar lugar a um líder menos polarizador capaz de combater os radicais, a maior ameaça à segurança do país desde a queda do ditador Saddam Hussein, em 2003. Críticos o acusavam de perseguir uma agenda sectária que isola a minoria sunita, empurrando alguns de seus membros a apoiarem os militantes do Estado Islâmico, cuja última investida contra o norte do Iraque tem alarmado o governo de Bagdá e seus aliados ocidentais.

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No momento atual, a renúncia pode pavimentar o caminho para que enfim haja um transição pacífica de poder baseada em eleições democráticas. A decisão de Maliki veio após dias de negociações com seus aliados, obrigando-o a abandonar o cargo à medida em que a oposição internacional, especialmente dos EUA e Irã, crescia. Internamente, líderes iraquianos a viam como necessária para unificar o país em meio à crise atual.

Agora, o premiê nomeado, Abadi, tem 30 dias para formar um novo governo. Até lá, Maliki permanece no cargo de primeiro-ministro e como comandante-chefe do Exército.

*Com agências de notícias

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