Antes da chegada de Francisco ao país, Coreia do Norte lançou ao menos cinco projéteis ao mar, segundo informações de Seul

O papa Francisco pediu nesta quinta-feira (14) para que a Coreia do Sul renove seus esforços em promover a paz na península, dividida pela guerra e por ambos os lados da Coreia,  para evitar críticas "inúteis" e demonstrações de força, mensagem que abre sua visita de cinco dias ao país enquanto o rival de Seul, Coréia do Norte, disparou cinco projéteis ao mar.

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Papa Francisco saúda fieis enquanto a presidente sul-coreana Park Geun-hye sorri em Seongnam, Coreia do Sul
Reuters
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A Coreia do Norte tem um longo histórico de se fazer lembrar durante os eventos de alto nível no Sul, e provou isso novamente nesta quinta, realizando o disparo a partir de sua costa oriental.

Os foguetes foram disparados de lançadores múltiplos na cidade norte-coreana de Wonsan e percorreram 220 quilômetros antes de caírem no mar a leste da península coreana, disse um funcionário do ministério. O último foguete foi lançado 35 minutos antes da hora marcada para a chegada do papa à base aérea de Seul, onde o pontífice começou sua visita de cinco dias à Coreia do Sul.

Esses disparos ocorrem antes de exercícios militares conjuntos entre Estados Unidos e Coreia do Sul, marcados para começar na segunda. Seul e Washington disseram que os exercício têm natureza defensiva, mas a Coreia do Norte emite frequentes reclamações sobre as manobras, que considera um ensaio para uma guerra.

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A Coreia do Norte havia lançado mísseis de curto alcance anteriormente em julho, mas desde então tem dito reiteradamente que os lançamentos são respostas a tais exercícios.

Durante pronunciamento, o papa argentino falou em Inglês, o primeiro de seu pontificado. Normalmente ele fala em italiano ou seu espanhol nativo, mas o Vaticano disse que iria entregar pelo menos quatro discursos em Inglês na viagem para o público asiático.

Ao chegar no aeroporto ao sul de Seul na primeira visita papal em um quarto de século, o papa cumprimentou quatro parentes de vítimas do naufrágio de uma balsa que deixou mais de 300 mortos e dois descendentes de mártires coreanos que morreram ao invés de renunciarem à sua fé. Francisco planeja beatificar 124 mártires coreanos que fundaram a igreja na península no século 18.

China

O papa Francisco enviou um telegrama de saudação ao presidente da China, Xi Jinping, e ao povo chinês enquanto sobrevoava o país cujo governo comunista não permite que os católicos reconheçam a sua autoridade.

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O papa, que está a caminho da Coreia do Sul para uma visita de cinco dias, sempre envia telegramas aos líderes dos países pelos quais passa no seu espaço aéreo. As mensagens de rotina raramente são notícia, mas desta vez não havia expectativa de que o papa se dirigisse a China.

"Ao entrar em espaço aéreo chinês, estendo meus cumprimentos à Vossa Excelência e aos seus concidadãos e invoco as bênçãos divinas de paz e bem-estar sobre a nação", disse o papa em seu telegrama.

O fato de que o papa foi autorizado a atravessar o espaço aéreo chinês foi visto como um passo positivo, porém pequeno, nas relações muitas vezes tensas entre o Vaticano e a China. O papa João Paulo 2º teve que desviar do espaço aéreo chinês em sua viagem pela Ásia.

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O Vaticano não teve relações formais com a China desde logo depois que o Partido Comunista tomou o poder em 1949. A Igreja Católica na China é dividida em duas comunidades: uma Igreja "oficial" conhecida como "Associação Patriótica" que responde ao partido, e uma Igreja clandestina que jura fidelidade apenas ao papa em Roma.

*Com AP e Reuters

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