Não escondo mais meu rosto, diz vítima de ataque com ácido ao posar para fotos

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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A indiana Rupa foi vítima da própria madrastra em 2008; este ano, a jovem lançou sua própria linha de roupas e integra ONG

Sobreviventes de ataques com ácido que costumavam esconder seus rostos decidiram posar para campanha de roupas desenhadas por outra vítima do crime. As informações são do Daily Mail.

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Reprodução/Youtube
Sobreviventes de ataques com ácido posam como modelos (da esq. para dir.: Laximi, Rita, Rupa)


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A sessão de fotos de Rahul Saharan teve como tema a coleção de roupas de Rupa, chamada Rupa Designs. Rupa, Rita, Sonam, Laxmi e Chanchal, também vítimas dos horrendos crimes, estrelaram a sessão.

Elas esconderam seus rostos por anos - Até agora. Para Rupa, 22, "Sempre quis ser uma estilista, mas após o ataque dei uma pausa na vida. Era tão insegura e envergonhada que usava meus lenços para esconder o rosto. Eu sempre corri atrás do meu sonho, mas nunca pensei que um dia isso seria possível."

O maior objetivo dessas jovens, porém, é mostrar a seus agressores que elas não vão mais esconder seus rostos e que merecem viver suas vidas com dignidade.

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Rupa, que abandonou seu sobrenome depois de renegar seu pai por apoiar a madrasta depois de ela a atacar com ácido, juntou-se a campanha Chega de Ataques com Ácido e decidiu lutar por justiça.

A Chega de Ataques com Ácido trabalha extensivamente com sobreviventes do crime, ajudando-as a voltar a sociedade e a reforçar suas auto-estimas. Elas também são assistidas pela Chhaon, ONG que apoia os sobreviventes do ataque.

Rupa foi atacada pela madrasta em 2008. Seu pai ficou ao lado da mulher, então a indiana renegou seu sobrenome. Foto: Reprodução/YoutubeRita se prepara para sessão de fotos. Foto: Reprodução/YoutubeRupa e Rita passaram anos escondendo seus rostos, mas deram a volta por cima durante sessão de fotos. Foto: Reprodução/YoutubeLaximi e Rita posam com vestidos desenhados por Rupa. Foto: Reprodução/YoutubeSessão de fotos mostra superação das vítimas do crime. Foto: Reprodução/YoutubeDupla supera os medos causados pelo ataque com ácido. Foto: Reprodução/YoutubeSobreviventes de ataques com ácido posam como modelos (da esq. para dir.: Laximi, Rita, Rupa). Foto: Reprodução/Youtube

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Além de ser um ambiente limpo, seguro e confortável para elas passarem o tempo enquanto recebem ajuda médica, a Chhaon tornou-se também uma casa de encontro para todos os sobreviventes onde elas podem conversar, cantar, dançar. E também sorrir.

Em agosto de 2008, Rupa dormia quando sua madrasta jogou ácido em seu rosto. A mulher foi considerada culpada e condenada à prisão, mas o sistema judicial pobre da Índia fez com que ela fosse libertada e tocasse sua vida sem sinais de remorso depois de cumprir apenas 18 meses da pena.

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Cliques

O fotógrafo indiano tem 24 anos e se mostrou agradecido pela responsabilidade de melhorar a auto-estima das vítimas.

"Tenho ajudado a Chhaon nos últimos dois anos e meio, mas esta é a primeira vez que sinto ter usado minhas habilidades para ajudar essas meninas encantadoras. Eu me sinto abençoada por ter conseguido essa oportunidade."

Rahul Saharan, que trabalhou de graça, acrescentou: "Eu dizia para as meninas 'não deixe que os outros lhes digam o que é beleza. Você é linda, toda mulher é bonita'". O fotógrafo espera fazer uma exposição sobre esse trabalho.

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Quanto a jovem estilista, Rupa tem pela frente três encomendas para os EUA - ela deve receber US$ 1.500, cerca de 3.400 reais por elas - e o pedido de uma empresária indiana para entregar um vestido.

"Espero que as encomendas continuem chegando. Seria um sonho se tornando realidade fazer disso [roupas] meu trabalho. Os últimos seis anos têm sido difíceis, então se eu puder montar minha própria loja e me tornar independente financeiramente, qualquer um pode. Nunca imaginei que meus sonhos poderiam se tornar realidade", comemorou.

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