Estado Islâmico cercava minoria no Monte Sinjar; o presidente acredita não ser preciso montar operação de retirada na região

Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta quinta-feira (14) que o cerco de militantes islâmicos a iraquianos no Monte Sinjar foi rompido, e que ele não espera ser necessário montar uma operação de retirada ou continuar com o envio aéreo de ajuda humanitária.

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"Ajudamos pessoas vulneráveis a atingir a segurança e ajudamos a salvar muitas vidas inocentes", disse Obama a jornalistas.

"Graças a esses esforços não esperamos que haja uma operação adicional para retirar as pessoas da montanha, e é improvável que a gente precise continuar com as entregas aéreas humanitárias na montanha", acrescentou.

Obama disse que os EUA vão continuar com os ataques aéreos para proteger instalações norte-americanas no Iraque, e pediu aos iraquianos que se unam para derrotar os militantes islâmicos.

Em busca de apoio

governador da província sunita de Anbar, no Iraque, pediu e recebeu apoio dos Estados Unidos na batalha contra militantes do Estado Islâmico, considerando que os oponentes do grupo podem não ter força suficiente para uma luta prolongada.

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Ahmed Khalaf al-Dulaimi disse à Reuters que seu pedido, feito em reuniões com diplomatas dos EUA e de um alto oficial militar, incluía apoio militar contra os militantes que têm o controle de diversas partes de Anbar e do norte do país. Dulaimi disse que os norte-americanos prometeram ajudar.

“Nossa primeira meta é o apoio aéreo. Sua capacidade tecnológica nos oferecerá muita informação de inteligência e monitoramento do deserto e muitas coisas das quais precisamos”, disse ele em uma entrevista por telefone.

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“Ainda não foi decidida nenhuma data, mas terá que ser muito em breve e haverá presença de norte-americanos na região oeste", acrescentou. Autoridades dos EUA não comentaram imediatamente a questão.

Um avanço do Estado Islâmico pelo norte do Iraque até a fronteira da região semi-autônoma do Curdistão preocupa Bagdá e levou os Estados Unidos a realizarem os primeiros ataques aéreos sobre o Iraque desde a retirada de tropas norte-americanas em 2011.

O envolvimento dos Estados Unidos em Anbar é uma questão bem mais sensível. A região era amplamente anti-EUA durante a ocupação, e quase todos, desde iraquianos comuns até poderosas tribos sunitas e a Al Qaeda, levantavam armas contra tropas dos EUA.

Os EUA realizaram sua maior ofensiva da ocupação contra uma grande variedade de militantes islâmicos na cidade de Falluja, em Anbar, e seus soldados passaram pelo combate mais brutal desde a Guerra do Vietnã.

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Eventualmente, as forças militares norte-americanas foram capazes de persuadir alguns de seus mais assíduos oponentes sunitas a se voltarem contra a Al Qaeda, que, inclusive, é vista como mais moderada do que o Estado Islâmico.

Dulaimi parecia especialmente preocupado com a determinação dos militantes de tomar o controle da represa de Haditha, em Anbar, considerando que os rebeldes recentemente tomaram a maior represa do Iraque, um quinto campo de petróleo, mais cidades e áreas que são vitais para a agricultura no norte do país.

“A situação em Haditha, onde fica a represa, é controlada por forças de segurança e tribos. Mas o problema é: por quanto tempo eles aguentam a pressão?”, disse Dulaimi.

Além do domínio no norte do Iraque e do controle de partes do oeste, o Estado Islâmico tem ameaçado marchar contra Bagdá.

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O grupo quer redesenhar o mapa do Oriente Médio, e tem utilizado túneis construídos por Saddam Hussein nos anos 1990 para movimentar seus combatentes, armas, munição e suprimentos para as cidades ao sul de Bagdá, disseram oficiais de inteligência iraquianos à Reuters.

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