Para Kiev, objetivo de comboio é aumentar a rebelião pró-Moscou; mais de mil morreram nas últimas semanas no país

Reuters

No mesmo dia em que a Organização das Nações Unidas (ONU) informou que quase mil pessoas, entre combatentes e civis, morreram na Ucrânia nas últimas duas semanas, Kiev acusou a Rússia de tentar insuflar a rebelião pró-Moscou ao enviar comboio de ajuda ao país, nesta quarta-feira (13).

Veja fotos das ações de militantes pró-Rússia no país do leste europeu:

Segundo o governo ucraniano, o comboio enviado pelos russos terá sua passagem bloqueada. Kiev sugeriu que um acordo pode ser alcançado, mas colocado sob o controle do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (ICRC, na sigla em inglês).

"Primeiro eles mandam tanques, mísseis Grad e bandidos que atiram em ucranianos, e depois mandam água e sal", declarou o primeiro-ministro, Arseny Yatseniuk, sobre o conflito que matou mais de duas mil pessoas desde meados de abril. "Não há limites para o cinismo russo."

Leia mais:
Número de mortos na Ucrânia dobra em duas semanas e passa de 2 mil, diz ONU
Ucrânia descarta cessar-fogo até que separatistas se rendam
Ucrânia diz ter impedido invasão russa e Moscou chama declaração de 'fábula'

As declarações refletem as suspeitas em Kiev e em capitais ocidentais de que a entrada do comboio em território ucraniano possa se tornar uma ação militar disfarçada para ajudar os separatistas do leste, que vêm perdendo terreno para as forças do governo. A Rússia rechaçou a acusação, afirmando que qualquer insinuação de uma ligação entre o comboio e um plano de invasão é absurda.

Os caminhões partiram da região de Moscou na terça-feira (12) e viajaram cerca de 500 quilômetros até a cidade de Voronezh, no sudoeste russo. Lá, pararam em uma base aérea.

Premiê ucraniano Arseny Yatseniuk discursa no parlamento de Kiev, Ucrânia
Reuters
Premiê ucraniano Arseny Yatseniuk discursa no parlamento de Kiev, Ucrânia

Uma porta-voz da ICRC em Genebra disse que a Rússia forneceu uma "lista generalizada" de bens no comboio para a entidade e as autoridades ucranianas, mas a agência pede um inventário detalhado.

"Uma série de temas importantes ainda precisa ser esclarecida entre os dois lados, como os procedimentos de cruzamento da fronteira, liberação na alfândega e outros", disse Anastasia Isyuk, enumerando como disponíveis na lista dos 260 caminhões alimentos, garrafas de água e geradores de energia.

Porta-voz de direitos humanos da ONU, Cécile Pouilly declarou que o número estimado de mortes saltou de 1.129 em 26 de julho para 2.086 em 10 de agosto. As cifras incluem soldados ucranianos, grupos rebeldes e civis, mas trata-se de "estimativa bastante conservadora". "Isto corresponde a uma tendência clara de escalada", disse ela.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.