Kerry pediu ao premiê Haider al-Abadi que forme rapidamente um novo governo para reconquistar a confiança dos iraquianos

Reuters

Os Estados Unidos vão considerar conceder mais assistência militar, econômica e política ao Iraque quando um novo governo inclusivo for formado, disse o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, nesta terça-feira (12).

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Secretário de Estado dos EUA, John Kerry fala na embaixada dos Estados Unidos em Sydney, Austrália
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Secretário de Estado dos EUA, John Kerry fala na embaixada dos Estados Unidos em Sydney, Austrália


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Kerry pediu ao novo primeiro-ministro do Iraque, Haider al-Abadi, que forme rapidamente um novo governo, dizendo que líderes iraquianos precisam reconquistar a confiança de seus cidadãos, tomando medidas para demonstrar sua determinação.

Os comentários de Kerry em Sidney foram feitos após uma declaração do presidente dos EUA, Barack Obama, de que o Iraque havia dado um "promissor passo adiante" ao designar Abadi como novo primeiro-ministro.

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"Estamos preparados para considerar opções adicionais políticas, econômicas e de segurança à medida que o governo do Iraque comece a ser reconstruído", disse Kerry em uma coletiva de imprensa junto ao secretário de Defesa Chuck Hagel e seus equivalentes australianos.

Hagel disse que os Estados Unidos estão preparados para considerar mais apoio militar ao Iraque. Kerry descartou a utilização de tropas terrestres dos EUA para combate.

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"Vamos esperar e ver quais futuros pedidos este novo governo vai fazer e vamos considerar (as opções) com base nestes pedidos", disse Hagel.

Os EUA defendem a saída do primeiro-ministro Nuri al-Maliki, que está no poder há oito anos, embora Maliki não tenha dado sinais de abrir mão do poder. Os norte-americanos culpam Maliki de fracassar em chegar a um consenso e em inflamar a violência sectária que tem fragmentado o Iraque.

Nos primeiros ataques aéreos no Iraque desde que as tropas dos EUA deixaram o país, em 2011, aviões de guerra norte-americanos bombardearam combatentes do Estado Islâmico como parte de um esforço para parar o avanço dos militantes, que tomaram o controle de grandes faixas de território.

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Os rebeldes extremistas agora parecem prontos para tentar tomar Arbil, capital do Curdistão, uma região autônoma do Iraque.

Extremistas

Na segunda, o Pentágono afirmou que a série de ataques aéreos dos EUA desde a semana passada diminuiu o ritmo operacional do Estado Islâmico, o grupo rebelde que tomou grandes áreas do norte do Iraque, mas é improvável que a operação enfraqueça substancialmente o grupo.

"Avaliamos que os ataques aéreos dos EUA no norte do Iraque têm contido o ritmo operacional do Estado Islâmico e interrompido temporariamente seus avanços em direção à província de Arbil [que inclui a capital da semiautônoma região curda do Iraque]", disse o tenente-geral William Mayville Jr., um alto funcionário do Pentágono.

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"No entanto, esses ataques não devem afetar as capacidades globais do Estado Islâmico ou suas operações em outras áreas do Iraque e Síria."

O governo dos EUA disse na semana passada que atacaria áreas no país para proteger norte-americanos do grupo militante, que ganhou força durante a guerra na vizinha Síria, e garantir que a minoria yazidis, do norte iraquiano, não seja alvo da violência sistemática dos militantes muçulmanos sunitas.

Os 15 ataques aéreos realizados até agora fazem parte da primeira ação militar direta dos EUA no Iraque desde que o governo Obama encerrou a retirada de suas tropas, no final de 2011, com a esperança de acabar com o o sangrento e longo envolvimento militar no país.

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