Comentário do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país foi no dia em que Reuven Rivlin assumiu a presidência

Demorou um pouco, mas ela veio. Nesta segunda-feira (11), a presidente Dilma Rousseff recebeu um inusitado telefonema do presidente israelense, Reuven Rivlin, nO qual ele pediu desculpas pelo episódio em que o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Yigal Palmor, chamou o Brasil de "anão diplomático".

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Divulgada pelo Palácio do Planalto, a nota sobre a conversa afirma que Rivlin esclareceu que "as expressões usadas pelo funcionário não correspondem aos sentimentos da população de seu país em relação ao Brasil". Ao mesmo tempo, Dilma exaltou os laços históricos que unem brasileiros e israelenses desde o nascimento do Estado judaico, pouco depois do término da II Guerra Mundial, em 1948.

Chefe da delegação brasileira da então recém-criada Organização das Nações Unidas (ONU), Oswaldo Aranha foi decisivo na votação de um ano antes que levou à partilha da Palestina e à consequente criação do país no Oriente Médio, fortalecida após a revelação do genocídio nazista que deixou seis milhões de judeus mortos na Europa.

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Dilma e Rivlin também conversaram sobre a situação atual a Faixa de Gaza, onde de 1.900 palestinos e 66 israelenses morreram. A presidente voltou a condenar o uso desproporcional da força israelense contra os palestinos - principalmente por ter levado à morte de civis inocentes, mais notadamente de mulheres e crianças -, mas também condenou os ataques de palestinos a Israel. Para ela, é necessário haver uma coexistência entre os dois povos, "como dois Estados soberanos, viáveis economicamente e, sobretudo, seguros". A presidente também ressaltou que não se pode usar o conflito para dar vazão a manifestações de caráter racista.

Rivlin assumiu o cargo de presidente de Israel no último dia 24 de julho, exatamente no mesmo dia em que Yigal Palmor criticou o Brasil por suas declarações a respeito do conflito em Gaza. Na ocasião, ele afirmou que a posição do País, bem mais enfática em relação às ações israelenses do que às do Hamas, foi uma "demonstração infeliz do motivo pelo qual o Brasil, um gigante econômico e cultural, continua um anão diplomático".

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“O relativismo moral por trás dessa medida torna o Brasil um parceiro diplomático irrelevante, um que cria problemas em vez de contribuir para soluções", concluiu ele.

A Chancelaria brasileira respondeu pouco depois, afirmando que o País é um dos 11 do mundo com relações diplomáticas com todos os membros da ONU (Organização das Nações Unidas), além de ter "um histórico de cooperação pela paz e ação pela paz internacional. "Se há um anão diplomático, o Brasil não é um deles", afirmou o ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo. "E não contestamos o direito de Israel de se defender, jamais contestamos isso. O que contestamos é a desproporcionalidade das coisas."

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