Identificado, neto de líder da Avós da Praça de Maio posta foto com a matriarca

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Ignacio Hurbán descobriu que é neto da ativista Estela Carlotto, 83, cuja filha Laura Carlotto foi morta na época da 'guerra suja'

O músico e compositor argentino Ignacio Hurbán postou em seu Twitter nesta sexta-feira (8) foto do primeiro encontro com a avó, Estela Carlotto, ativista e líder da organização Avós da Praça de Maio, na Argentina.

Dia 7: 'Imensamente feliz', diz argentino sobre reencontro com avó 35 anos depois

Reprodução/Twitter
'Obrigado, muito obrigado', escreveu Ignacio Hurban, neto da líder do grupo de direitos humanos Avós da Praça de Maio, Estela Carlotto, na Argentina

Dia 5: Líder de grupo que busca desaparecidos na Argentina encontra neto 

Nesta semana, Estela descobriu que seu 14º neto estava vivo graças a sua luta frente à organização integrada por mulheres de mais de 70 anos que buscam ao menos 500 crianças desaparecidas no período da ditadura argentina, conhecida também como "guerra suja" (1976-1983).

Até agora, as avós da Praça de Maio encontraram 114 netos. O mais recente deles, Hurbán, é na verdade Guido Montoya Carlotto, filho de Laura Carlotto e Walmir Montoya, dois integrantes do grupo guerrilheiro Montoneros, assassinados na ditadura.

Laura, filha de Estela, estava grávida quando foi sequestrada, torturada e morta. O corpo foi entregue à família - caso raro na Argentina onde mais de 30 mil opositores ao regime desapareceram sem deixar rastro. Mas nunca houve qualquer informações sobre o que teria acontecido com a criança.

Com a volta da democracia, as ativistas criaram um banco de sangue com amostras genéticas de todos os parentes dos desaparecidos da ditadura para que as buscas continuassem depois da morte de algumas delas.

Hurbán, como muitos outros filhos de desaparecidos, começou a duvidar de suas origens e submeteu-se a um exame de DNA. Descobriu que, na verdade, era Guido e que suas duas avós estavam vivas: Estela Carlotto, 83, em Buenos Aires, e Hortensia Montoya, de 91 anos, em Santa Cruz, no extremo sul da Patagônia argentina.

Na quarta-feira (6), um dia após ter descoberto que seu décimo quarto neto estava vivo, Estela e seus três filhos se encontraram com ele. Na véspera, ela tinha dito que sempre teve esperança de poder "abraçá-lo antes de morrer". O abraço aconteceu após 36 anos de espera.

Pela legislação argentina, o desaparecimento de pessoas e o sequestro de crianças na ditadura são crimes que não prescrevem. Se os pais adotivos participaram direta ou indiretamente do ocultamento da verdadeira identidade das crianças sequestradas ou sabiam que eram filhos de desaparecidos são considerados "apropriadores" e processados.

Por essa mesma razão, muitos filhos de desaparecidos, com medo de ser responsáveis pela punição da única família que conheceram, temem fazer o teste de DNA ou esperam a morte dos pais adotivos para fazê-lo. No caso de Hurbán, seus "apropriadores" morreram e ele foi entregue a outro casal que trabalhava em uma fazenda. 

Investigação

O neto da líder do grupo de direitos humanos argentino deve depor na próxima semana sobre o caso, de acordo com autoridades. A data e horário do depoimento, porém, não foram divulgados pelo Ministério da Justiça.

A juíza Maria Servini de Cubria enviou uma ordem para Hurbán comparecer ao tribunal na quinta. Maria tem investigado casos de crianças levadas pelos militares durante a "guerra suja" e quer saber o que e se Hurbán sabe de sua história, segundo o funcionário.

Depois da morte de Laura, Estela se tornou a mais proeminente ativista de direitos humanos da Argentina enquanto tem pressionado pelas buscas de seu e outras centenas de "netos" que teriam desaparecidos em circunstâncias semelhantes.

Ela surpreendeu o país com seu anúncio na terça, dizendo que havia localizado o filho da ativista estudantil. A mulher de 83 anos se encontrou pela primeira vez com o neto na quarta, mas falou pouco sobre a reunião, dizendo que quer proteger a privacidade do argentino.

Um advogado de Avós da Plaza de Mayo, enviou uma carta ao juiz pedindo que Hurbán não seja obrigado a prestar depoimento agora que a identificação está recente.

*Com AP e Agência Brasil

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