Caças lançaram bombas contra militantes do Estado Islâmico, diz Pentágono; EUA enviaram suprimentos a civis na quinta (7)

Caças americanos lançaram bombas contra militantes islâmicos no Iraque nesta sexta-feira (8), de acordo com o Pentágono, colocando em prática a promessa do presidente Barack Obama de usar forças militares para combater os militantes que avançam e ameaçam a vida de civis iraquianos e americanos.

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Tropas curdas patrulham em um tanque durante operação contra militantes do Estado Islâmico em Makhmur, nos arredores da província de Nínive, Iraque (7/08)
Reuters
Tropas curdas patrulham em um tanque durante operação contra militantes do Estado Islâmico em Makhmur, nos arredores da província de Nínive, Iraque (7/08)


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O secretário de imprensa do Pentágono, o contra-almirante John Kirby, disse que dois jatos F/A-18 lançaram bombas de 227 quilos sobre o norte do país.

Em um discurso televisionado na quinta, Obama ameaçou renovar o envolvimento militar americano na longa guerra sectária do Iraque. Ele disse que os aviões militares norte-americanos já haviam realizado ações de comida e água, a pedido do governo iraquiano, para dezenas de milhares de minorias religiosas iraquianas no topo de uma montanha cercada por militantes e que precisavam desesperadamente de suprimentos.

“Os EUA estão chegando com ajuda”, disse o presidente durante pronunciamento na Casa Branca.

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Os Yazidis, que seguem uma religião antiga com laços com o zoroastrismo, fugiram de suas casas depois que o grupo Estado Islâmico lançou um ultimato para o grupo se converter ao Islã, pagar multa religiosa, fugir de suas casas ou encarar a morte.

"No início desta semana, um iraquiano na área gritou ao mundo: 'Não há ninguém vindo para ajudar'. Bem, hoje os EUA estão chegando para ajudar ", disse Obama.

"Também estamos consultando outros países - e as Nações Unidas - que pediram medidas para resolver essa crise humanitária."

O anúncio reflete o profundo envolvimento americano com o Iraque desde que as tropas dos EUA se retiraram do país no final de 2011 depois de quase uma década de guerra. Obama, que fez seu discurso em um tom firme, apostou grande parte de seu legado como presidente em acabar com o que ele chamou de "guerra estúpida" no Iraque.

Consciente da aversão do público a outra longa guerra, Obama reconheceu que a perspectiva de uma nova rodada de ação militar dos EUA no país seria um motivo de preocupação entre muitos americanos. Ele prometeu novamente não enviar tropas de combate norte-americanas ao Iraque e disse que não haverá solução militar do país para a crise.

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"Como comandante chefe, não vou permitir que os Estados Unidos se arrastem em uma outra guerra no Iraque", disse Obama.

Mesmo assim, ele esboçou uma justificativa para os ataques aéreos. Segundo ele, a ação impediria que os militantes do Estado Islâmico avançassem sobre as tropas americanas no norte da cidade de Erbil e do consulado dos EUA na região curda do Iraque.

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As tropas foram enviadas para o Iraque no início deste ano, como parte da resposta da Casa Branca ao movimento rápido do grupo extremista do outro lado da fronteira com a Síria.

"Quando a vida de cidadãos norte-americanos está em risco, tomaremos medidas", disse Obama. "Essa é a minha responsabilidade como comandante chefe."

Ele disse que também havia autorizado o bombardeio a alvos, se fossem necessários, para ajudar as forças de segurança iraquianas a proteger seus civis.

Obama se pronunciou um dia após discussões urgentes com sua equipe de segurança nacional. Ele falou à nação somente após o avião militar americano que entregou alimentos e água para os iraquianos deixar, com segurança, o norte do Iraque.

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O Pentágono disse que os ataques aéreos foram realizados por um C-17 e dois C-130 de carga que, juntos, entregaram um total de 72 pacotes de comida e água. Eles foram escoltados por dois F/A-18 de uma base aérea não revelada na região. Os aviões entregaram 5.300 galões (20 mil litros) de água potável e 8 mil refeições pré-embaladas.

O presidente lançou a missão de ajuda aos yazidis como parte do objetivo americano de ajudar, quando os EUA têm capacidade de evitar um massacre. Nesses casos, disse Obama, "podemos agir com cuidado e responsabilidade para evitar um potencial ato de genocídio."

Autoridades disseram que os EUA estavam preparados para realizar lançamentos aéreos humanitárias adicionais, se necessário, embora eles não tenham dito o quão rapidamente essas missões podem ocorrer.

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Funcionários do governo disseram acreditar que ataques unilaterais dos EUA seriam consistentes com o direito internacional, em parte porque o governo iraquiano pediu a Washington uma intervenção militar. Eles também disseram que Obama tinha autoridade constitucional para agir por conta própria a fim de proteger os cidadãos norte-americanos.

Ainda assim, não havia garantia de que a ameaça de ataques militares seriam realmente seguidas de uma ação. Obama também autorizou bombardeios na Síria no verão passado depois de armas químicas terem sido implantadas no país, mas os ataques nunca foram realizados, em parte devido a preocupações políticas internas, e também por causa de um acordo internacional para tirar da Síria seus estoques de gases mortais.

O presidente também tem enfrentado chamadas persistentes para tomar uma ação militar na Síria por razões humanitárias, já que mais de 170 mil foram mortos no país. Os críticos, incluindo alguns republicanos no Congresso, têm argumentado que a abordagem cautelosa de Obama sobre a Síria permitiu que o grupo Estado Islâmico se fortalecesse e crescesse até ultrapassar a fronteira rumo ao Iraque e fazer rápidas ocupações no país.

Senadores republicanos como John McCain, do Arizona, e Lindsey Graham, da Carolina do Sul, elogiou as ações propostas por Obama na noite de quinta, mas disseram que muitas outras seriam necessárias.

"Isso deve incluir ajuda militar e outros tipos de assistência aos curdos, iraquianos, sírios e outros parceiros" que estão lutando contra militantes, ataques aéreos, entre outros, além de apoiar forças iraquianas sunitas que procuram resistir aos extremistas, disseram eles por meio de comunicado.

Em função das ações dos militantes, Obama despachou cerca de 800 forças dos EUA ao Iraque no início deste ano, soldados em grande parte divididos entre os centros de operações conjuntas em Bagdá e Erbil.

Mais da metade fornece segurança para a embaixada e pessoal dos EUA. Membros do serviço americano também estão envolvidos na melhoria da inteligência dos EUA, fornecendo cooperação de segurança.

*Com AP

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