Administração Federal da Aviação emitiu nota sobre o assunto nesta sexta; Turkish Airlines cancelou voos para a cidade de Irbil

A Administração Federal da Aviação (FAA, sigla em inglês) proibiu companhias aéreas dos EUA e outras transportadoras comerciais de sobrevoar o Iraque após o país americano ter lançado seus primeiros ataques aéreos contra grupo extremista sunita nesta sexta-feira (8).

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Passageiro confere painel de partidas e chegadas em um aeroporto dos EUA (julho/2014)
AP
Passageiro confere painel de partidas e chegadas em um aeroporto dos EUA (julho/2014)


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Segundo a FAA, a ordem se justifica pela "situação potencialmente perigosa criada pelos combates entre militantes associados ao Estado Islâmico no Iraque e forças de segurança do Iraque e Levante e seus aliados."

A proibição aplica-se a todos os voos registrados nos EUA, exceto aqueles operados por companhias estrangeiras e pilotos licenciados pela FAA. Há uma exceção para voos operados sob a permissão do governo dos Estados Unidos e para situações de emergência.

Os voos haviam sido previamente limitados pela FAA sobre o território iraquiano a altitudes não inferiores a 30 mil pés (10.000 metros).

Essa proibição foi definida apenas três semanas depois de um avião da Malaysia Airlines com quase 300 pessoas a bordo ter sido abatido sobre a Ucrânia oriental. Nenhum aviso foi emitido para as companhias aéreas antes de o voo ter sido derrubado. Outras companhias aéreas sobrevoavam a região.

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Funcionários da Inteligência e de aviação disseram que os EUA não sabiam da possibilidade de os separatistas alvejarem aeronaves civis, já que a primeira indicação de que os separatistas detinham o sistema de mísseis ​​SA-11 foi em 17 de julho, dia do acidente.

Turquia

Além dos EUA, a Turkish Airlines também suspendeu os voos para a cidade iraquiana de Irbil até novo aviso. A empresa disse nesta sexta que suspendeu os voos por motivos de segurança após jatos dos EUA lançaram bombas sobre militantes islâmicos que estavam rebocando artilharia para fora da capital regional curda perto de militares norte-americanos.

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Voos da Turkish Airlines para outras cidades iraquianas não foram imediatamente afetados pela decisão. Os ataques aéreos têm como alvo o grupo extremista Estado Islâmico, que controla grandes áreas da Síria e do Iraque.

Tensão

O principal clérigo do Iraque pediu a seus compatriotas nesta sexta-feira que se unam contra o "grande perigo" representado pelos militantes do Estado Islâmico, cujo avanço levou o presidente dos EUA a autorizar ataques aéreos sobre o território iraquiano.

Em seu sermão semanal desta sexta, proferido através de um porta-voz na cidade sagrada xiita de Kerbala, o grão-aiatolá Ali al-Sistani culpou os políticos iraquianos pela pior crise no país desde a queda de Sadam Hussein em 2003, dizendo que são motivados pelo interesse pessoal.

"Todos os iraquianos deveriam unificar as frentes e intensificar esforços em face desse grande perigo que ameaça nosso presente e futuro", disse Sistani.

O sermão de sexta-feira é a segunda vez que Sistani pediu aos iraquianos para enfrentarem o Estado Islâmico, que tem ameaçado invadir Bagdá e quer redesenhar o mapa do Oriente Médio para impor sua ideologia radical.

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Sistani disse que os políticos que se agarram a seus cargos estão cometendo um "grave erro", aumentando a pressão pela renúncia do primeiro-ministro xiita, Nuri al-Maliki, em seu terceiro mandato.

"Todos os partidos políticos deveriam saber que conflitos e diferenças entre si --que muitas vezes não têm nenhuma justificativa se não o interesse pessoal ou sectário ou interesses nacionais-- têm causado o enfraquecimento de todos e aberto a porta aos terroristas", disse ele.

*Com Reuters e AP

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