Ao menos seis profissionais que trabalhavam em ambulâncias e 13 voluntários foram mortos ao resgatarem vítimas em Gaza

A Anistia Internacional informou nesta quinta-feira (7) que há indícios de que hospitais e profissionais de saúde foram alvos de ataques deliberados do Exército israelense na Faixa de Gaza.

Mais cedo: Israel aceita ampliar cessar-fogo, mas acordo ainda não foi fechado

O palestino Mahmoud al-ghol acamado no Hospital Europeu em Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza (5/08)
Reuters
O palestino Mahmoud al-ghol acamado no Hospital Europeu em Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza (5/08)

Ontem: Israel concorda em prolongar trégua, mas Hamas diz que "não existe acordo"

Divulgada no site da organização humanitária, a nota fala que relatos de médicos, enfermeiros e paramédicos compõem um "quadro preocupante".

A entidade atribui ao Ministério da Saúde palestino a informação de que, desde o dia 8 de julho, quando Israel lançou a ofensiva contra a Faixa de Gaza, ao menos seis profissionais que trabalhavam em ambulâncias e outros 13 voluntários foram mortos enquanto resgatavam mortos e feridos. O número de profissionais de saúde feridos chega a 49 e o de trabalhadores humanitários, 33.

Segundo o documento, dados do escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários informa que dos cerca de 1,8 mil palestinos mortos, 86% eram civis. O escritório da ONU estima ainda que cerca de 9,4 mil ficaram feridos, muitos gravemente, e que cerca de 485 mil foram deslocados por causa do conflito.

No Brasil: Líderes evangélicos saem em defesa de Israel e criticam Dilma

Muitos dos desalojados buscam refúgio em hospitais e escolas. Entre os depoimentos colhidos pela Anistia Internacional, há relatos de que soldados israelenses têm atirado contra ambulâncias identificadas e contra profissionais de saúde vestindo coletes fluorescentes no exercício das suas funções.

Quarta: Cessar-fogo em Gaza é mantido enquanto Egito retoma negociações de paz

O órgão Internacional identifica ao menos cinco hospitais e 34 clínicas hospitalares que foram forçadas a interromper as atividades devido aos danos causados pelo ataque israelense ou pela hostilidade.

Além disso, hospitais de toda a Faixa de Gaza sofrem com a escassez de combustível e a falta de água, medicamentos e energia elétrica - agravada depois que a única central elétrica da Faixa de Gaza parou de funcionar após um bombardeio do Exército israelense.

"A Anistia Internacional tem apelado repetidamente a Israel que cesse imediatamente o bloqueio à Faixa de Gaza, que está punindo coletivamente toda a população de Gaza, em violação das obrigações de Israel sob a Lei Internacional Humanitária e de Direitos Humanos", declara a organização em nota.

Terça: Trégua de 72h começa e Israel anuncia retirada de tropas da Faixa de Gaza

Comunicado fala também dos tratados internacionais que obrigam países signatários a respeitar e proteger os feridos, permitindo a movimentação de pessoal médico e a remoção de mortos e feridos das áreas sitiadas.

"A obstrução deliberada de pessoal médico para evitar que feridos recebam atenção médica pode constituir uma grave violação da Quarta Convenção de Genebra [sobre a Proteção das Pessoas Civis em Tempo de Guerra, de agosto 1949] e um crime de guerra", segundo o texto.

Desde o início dos confrontos, Israel alega que os militantes palestinos da Hamas adotam, como estratégia militar, a prática de se esconder e armazenar armamentos em escolas e hospitais, além de usar crianças e mulheres como "escudos humanos". Segundo autoridades israelenses, isso explicaria, em parte, o número de civis mortos.

Analistas: Não há vencedores no conflito em Gaza

Os confrontos deixaram ao menos 1.800 palestinos mortos e, de acordo com a ONU, aproximadamente 1.300 eram civis e mais de 400, crianças. Israelenses tiveram 67 baixas - dois civis e 65 soldados. Um tailandês que estava em Israel também foi morto.

*Com Agência Lusa, Agência Brasil e BBC

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.