Não há vencedores no conflito em Gaza, segundo analista

Por BBC Brasil | - Atualizada às

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Não se pode afirmar que a atual trégua seja o fim da guerra, diz Jonathan Marcus, analista para assuntos de diplomacia da BBC

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Nem de longe é possível afirmar, a essa altura, que a atual trégua que predomina no conflito entre israelenses e palestinos significa o fim desta guerra.

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AP
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De fato, na falta de qualquer mudança fundamental nas circunstâncias que envolvem a vida dos palestinos na Faixa de Gaza, os choques atuais podem ser apenas isso: um episódio deste conflito brutal - que irá se repetir nos próximos meses ou anos.

Já está claro que não houve vencedores. O número de mortes entre os palestinos tem sido denunciado ao redor do mundo como desproporcional. Israel vem argumentando que muitos foguetes do Hamas estão estocados em áreas habitadas e dizendo que tem se esforçado para reduzir o número de vítimas civis.

Mas atingir alvos em uma área densamente povoada com o poder de fogo da aviação e da artilharia moderna é uma atividade que não permite erros. O número de instalações da ONU atingidas levanta dúvidas sobre as margens de erro e a habilidade de responder ao fogo de maneira discriminada.

Em termos militares há lições claras para ambos os lados. O Hamas e outros grupos palestinos claramente aprenderam com seus choques anteriores com forças israelenses.

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Seus combatentes foram bem treinados e preparados. Sua arma tradicional - foguetes de longo alcance - se provou muito menos efetivo do que seus usuários imaginaram, dada a performance do sistema de defesa aérea Iron Dome.

Esse sistema emergiu como uma grande história de sucesso. Entretanto, há críticos que levantam dúvidas sobre sua taxa de sucesso. Além disso, alguns foguetes fabricados pelo Hamas podem ser muito menos poderosos do que se imagina. Acredita-se que alguns deles tenham parte de sua carga explosiva removida para reduzir o peso e aumentar o alcance da arma.

Desorganizar o país

Os ataques com foguetes causaram um reduzido número de baixas. A maior parte delas foi causada por ataques de morteiro de curta distância perto da fronteira com Gaza. Mas o maior impacto dos foguetes, como sempre, é desorganizar o país – tornando a vida normal complicada com população sempre correndo para abrigos antiaéreos.

O Iron Dome cumpriu seu trabalho não apenas atingindo foguetes antes deles atingirem o solo, mas também reduzindo o número de vítimas ao ter retardado a ofensiva terrestre.

Além disso o Hamas conseguiu manter um ritmo intermitente de ataques com foguetes ao longo do conflito apesar da ofensiva da artilharia e da aviação israelense.

A inteligência de Israel estima que mais de 3.300 foguetes foram disparados em direção ao país. As Forças de Defesa de Israel afirmam que cerca de 3 mil foram destruídos e que outros 3 mil ainda estejam estocados em Gaza.

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Bola de fogo sobe de explosão na torre de apartamentos de al-Zafer depois de um ataque aéreo de Israel na Cidade de Gaza, no norte do território (23/8). Foto: APMilitantes do Hamas vendam palestino suspeito de colaborar com Israel antes de executá-lo na Cidade de Gaza (22/8). Foto: ReutersFumaça cobre Gaza após o que testemunhas disseram ter sido um ataque aéreo israelense (19/08). Foto: ReutersPalestinos preparam chá próximos às ruínas de sua casa em Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza (18/08). Foto: ReutersPalestina caminha pelas ruínas de casas que testemunhas disseram ter sido destruídas por ofensiva israelense na vila de Jöhr El-Deek, em Gaza (17/08). Foto: ReutersPalestina entre os restos de sua casa, que testemunhas disseram ter sido destruída durante a ofensiva israelense na vila Jöhr El-Deek, centro de Gaza (17/08). Foto: ReutersPalestino assiste às orações ao lado das ruínas de uma mesquita que testemunhas disseram ter sido destruída por ataque aéreo de Israel, em Gaza (15/08). Foto: ReutersPalestino carrega seu irmão ao lado dos restos de sua casa, que testemunhas dizem ter sido destruída por Israel, durante trégua em Gaza (13/08). Foto: ReutersSimone Camilli, 35, é o primeiro jornalista estrangeiro morto no conflito de Gaza (13/08). Foto: APSoldados israelenses patrulham Kibbutz Nahal Oz, perto da Faixa de Gaza cuja maioria dos moradores fugiu para se proteger de foguetes (10/08). Foto: Reutersmilitares israelenses retiram militante ferido após ataque a embarcação em israel (maio/2010). Foto: ReutersMulher chora durante funeral de familiar morto após ataque aéreo israelense no campo de refugiados de Nusseirat, Gaza (9/08). Foto: ReutersSoldados com a bandeira israelense em operação militar (8/08). Foto: APFumaça toma o céu na Faixa de Gaza após ataque israelense (8/08). Foto: ReutersFoto antiga mostra movimento na área onde hoje fica Israel (8/08). Foto: APPalestinos fogem de suas casas após ataque aéreo israelense nas proximidades, no norte da Faixa de Gaza (8/08). Foto: ReutersSoldado israelense carrega projétel perto da fronteira com a Faixa de Gaza (7/08). Foto: ReutersCerca de um quinto dos mortos durante a ofensiva israelense em Gaza são crianças (9/08). Foto: ReutersHomem com roupas manchadas pelo sangue é consolado em hospital em Khan Younis: cerca de 1.900 palestinos morreram em Gaza (9/08). Foto: ReutersA tia da palestina Yasmin al-Bakri, 11, a quem médicos disseram ter sido ferida em ataque aéreo israelense, segura a mão da  sobrinha em hospital de Gaza (6/08). Foto: ReutersO palestino Anas Shabat, 10, chora ao inspecionar os danos ao retornar para sua casa, destruída por ataques na cidade de Beit Hanoun, Faixa de Gaza (5/08). Foto: APPara pastor, ataques israelenses em Gaza são 'desumanos' (7/08). Foto: AFPPalestino chora após o corpo de sua mãe ser retirado de escombros de casa destruída por ataque aéreo israelense, segundo testemunhas, em Rafah, Gaza (4/08). Foto: ReutersConfronto atual pode ser apenas mais um episódio do conflito e se repetir nos próximos meses (6/08). Foto: APAtaque a escola matou ao menos dez pessoas (3/08). Foto: ReutersSoldado israelense em túnel construído pelo Hamas para atacar Israel (31/07). Foto: ReutersPalestino que, segundo os médicos, foi ferido após ataque israelense perto de mercado em Shejaia, aguarda atendimento em maca na Cidade de Gaza (30/07). Foto: ReutersPalestino carrega menina ferida no hospital Kamal Adwan. Ela recebeu tratamento após ataque israelense a uma escola da ONU, em Gaza (30/07). Foto: APPalestinos choram por um parente que os médicos dizem ter sido morto por bombardeio israelense perto de um mercado em Shejaia, em Gaza (30/07). Foto: ReutersFarah Baker, 16, mora ao lado do hospital Al-Shifa, em Gaza, e pede o fim dos conflitos pelas redes sociais (29/07). Foto: Reprodução/TwitterPalestino é amparado enquanto civis procuram por vítimas após casa ser destruída por ataque aéreo em Rafah, sul da Faixa de Gaza (29/07). Foto: ReutersHomem observa estrago em única usina elétrica de Gaza (29/07). Foto: AFPA mãe de uma criança palestina chora ao saber da morte de seu filho em hospital na cidade de Gaza (28/07). Foto: ReutersSoldado israelense detém arma sobre veículo blindado após cruzar fronteira de Gaza para Israel (28/07). Foto: ReutersCrianças palestinas seguram armas de brinquedo em frente ao Domo da Rocha durante protesto na cidade velha de Jerusalém (28/07). Foto: ReutersParentes de militante palestino da Jihad Islâmica Hazem Abu Shamala choram durante seu funeral em Khan Younis, sul de Gaza (27/7). Foto: ReutersDestroços de casa de família cristã atingida por ataque de Israel são vistos na Cidade de Gaza (27/7). Foto: ReutersSoldados israelenses são vistos durante enterro em Jerusalém de seu companheiro Amit Yeori, morto durante combates em Gaza (27/7). Foto: ReutersFumaça sobe depois de explosão no norte de Gaza (27/7). Foto: ReutersPalestinos se reúnem ao redor de escombros de prédio onde membros de uma mesma família foram mortos em ataque de Israel em Khan Younis (26/7). Foto: APPalestina carrega seus pertences após ter casa destruída (26/7). Foto: ReutersPalestinos choram durante funeral de Eid Fadhelat, 32, que foi atingido por soldados israelenses durante confronto na sexta na Cisjordânia. Foto: APMédicos palestinos retiram corpo de escombros de casa destruída por ataque de Israel em Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza (25/7). Foto: APPessoas vão ao velório do palestino Mohammed al-Araj, morto por tropas israelenses, de acordo com médicos da região (25/7). Foto: ReutersPalestino ferido por ataque de Israel contra escola da ONU em Beit Hanoun, norte da Faixa de Gaza, grita em hospital (24/5). Foto: ReutersMenino palestino chora ao ver parentes feridos sendo levados à sala de emergência no hospital de Nasser após ataque em Khan Younis, sul de Gaza (24/7). Foto: APMãe do palestino Mahmoud al-Shawamrah chora durante seu funeral na cidade de Al-ram, Cisjordânia (22/7). Foto: ReutersPalestinos procuram por sobreviventes sob os escombros de uma casa destruída por um míssil israelense na Cidade de Gaza (21/7). Foto: APEquipe de resgate e civis palestinos removem corpo sem vida dos escombros de uma casa destruída por um míssil israelense na Cidade de Gaza (21/7). Foto: APPolicial israelense de fronteira mira sua arma durante confrontos com palestinos que protestam na Cisjordânia contra ofensiva na Faixa de Gaza (18/7). Foto: APTanque de Israel manobra para tomar posição ao longo da fronteira entre Israel e a Faixa de Gaza (17/7). Foto: APFamiliares reagem à morte de quatro crianças vítimas de ataque aéreo israelense em Gaza (16/7). Foto: ReutersMenina chora enquanto palestinos fogem de suas casas no bairro de Shajaiyeh da Cidade de Gaza City depois de alerta de ataque de Israel (16/7). Foto: APParentes de quatro crianças palestinas que, segundo médicos, foram mortos por ataque de Israel choram na Cidade de Gaza (16/7). Foto: ReutersParentes de quatro meninos mortos na praia em ataque israelense choram durante funeral na Cidade de Gaza (16/7). Foto: APPalestino inspeciona danos a posto de polícia após ataque de míssil israelense que matou quatro meninos da mesma família na Cidade de Gaza (16/7). Foto: APParentes choram enquanto seguram corpo de Sarah Omar el-Eid, 4, que foi morta por ataque de Israel contra Gaza (15/7). Foto: APFumaça sobe após ataque aéreo de Israel contra a Faixa de Gaza (15/7). Foto: APBombeiro israelense inspeciona local atingido por fogo de militantes em Ashdod (15/7). Foto: APPalestino é visto perto de destroços de construção destruída por ataque aéreo israelense em Beit Lahiya, norte da Faixa de Gaza. Foto: APParentes de menina de 4 anos morta em ataque israelense choram durante enterro em Rafah, sul da Faixa de Gaza (15/7). Foto: ReutersParentes de menina de 4 anos morta em ataque israelense choram durante enterro em Rafah, sul da Faixa de Gaza (15/7)
. Foto: ReutersMenino chora morte de criança de 4 anos por ataque israelense em Rafah, sul da Faixa de Gaza (15/7). Foto: ReutersSoldados israelenses dormem no chão ao lado de um veículo blindado fora da Faixa de Gaza (15/7). Foto: ReutersPalestinos se reúnem em mesquita ao redor de corpo de homem morto por ataque aéreo de Israel (14/7). Foto: APMenina descansa no colo do pai depois de fugir de ataques aéreos israelenses na Faixa de Gaza (14/7). Foto: APPalestinos verificam danos em mesquita 
atingida por ataque de Israel durante a madrugada na Faixa de Gaza (14/7). Foto: APFumaça e destroços sobem durante ataque 
aéreo de Israel contra prédio no campo de refugiados de Jabalya, norte da Faixa de Gaza (14/7). Foto: APPalestina reage diante de destroços de sua casa, que a polícia diz ter sido destruída em ataque aéreo israelense em Rafah, sul da Faixa de Gaza (14/7). Foto: ReutersPalestinos fogem de suas casas para se abrigar em escola da ONU na Cidade de Gaza (13/7). Foto: APPalestinos levam corpo de Mohammed Sowelim, militante morto em ataque de Israel a Gaza (12/7). Foto: APIsrael tem à disposição arsenal mais sofisticado e soldados treinados (11/7). Foto: AFPPalestinos carregam seus pertences em uma casa depois de ela ser destruída por ataque de míssil de Israel na Faixa de Gaza (11/7)
. Foto: APIsraelenses em Tel Aviv procuram abrigo enquanto sirenes avisam sobre lançamento de foguete da Faixa de Gaza (11/7). Foto: APCarros destruídos são removidos de posto de gasolina na cidade de Ashdod, Israel, que foi atingido por foguete lançado da Faixa de Gaza. Foto: APParentes de família de oito palestinos mortos em ataque de Israel choram durante velório em Khan Younis, sul da Faixa de Gaza. Foto: APFumaça sobe depois de ataques aéreos de Israel (10/7). Foto: APPalestinos fazem buscam em destroços de casa destruída onde oito membros da mesma família morreram em ataque de Israel (10/7). Foto: APParentes de oito membros de uma família palestina choram durante velório em Khan Younis, sul da Faixa de Gaza (10/7). Foto: ReutersFumaça sobe depois de ataque contra a Cidade de Gaza (10/7). Foto: APPalestinos se reúnem ao redor de destroços de carro que, segundo a polícia, foi alvo de ataque de Israel no norte da Faixa de Gaza (10/7). Foto: ReutersPessoas rezam perto de corpos de oito membros de uma mesma família palestina em Khan Younis, sul da Faixa de Gaza (10/7). Foto: ReutersMãe segura menina palestina de 4 anos que funcionários de hospital dizem que foi morta por ataque israelense em Jabaliya, norte da Faixa de Gaza (10/7). Foto: ReutersMísseis israelenses atingem túneis de 
contrabando entre o Egito e a Faixa de Gaza em Rafah, sul da Faixa de Gaza (9/7). Foto: APParentes de cinco membros de uma família do Hamas mortos por Israel choram em sua casa em Beit Hanoun, norte da Faixa de Gaza (9/7). Foto: APFumaça e destroços sobem depois de 
ataque aéreo de Israel na Faixa de Gaza (9/7). Foto: APFoguete disparado por militantes palestinos a partir da Faixa de Gaza é visto em direção a Israel. Foto: APFumaça e fogo sobem de ataque aéreo de Israel em Rafah (8/7). Foto: APPalestinos levam ferido a hospital na Cidade de Gaza (8/7). Foto: APPalestinos fazem buscas em destroços de veículo depois de ataque aéreo de Israel em Gaza (8/7). Foto: APFumaça sobe depois de ataque de míssil de Israel na Cidade de Gaza (8/7). Foto: APPalestinos fazem buscas em destroços de veículo depois de ataque aéreo de Israel em Gaza (8/7). Foto: APPalestinos tentam salvar o que podem de seus pertences de destroços de casa destruída por ataque de Israel em Gaza (8/7). Foto: APPalestinos fazem buscas em destroços de casa destruída por ataque aéreo de Israel em Gaza (8/7)
. Foto: APPalestinos olham casa destruída depois de ataque de míssil de Israel em Khan Younis, Faixa de Gaza (8/7). Foto: APIncursões em Gaza ocorreram em retaliação a ataques com foguetes contra Israel no domingo (7/7). Foto: AFPIluminador do Exército de Israel explode sobre a fronteira entre Israel e Gaza (7/7). Foto: AP

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Mas a reposição desse estoque deve ser complicada devido à hostilidade do governo Egípcio, na fronteira com Gaza, e ao fato de que muitos locais de fabricação foram destruídos.

O Hamas inovou nesta campanha usando túneis (e também pequenas unidades de combatentes que atacam a partir do mar) para se infiltrar em Israel. Foi a interceptação de um desses grupos de combate que emergiu de um desses túneis no meio de julho que foi usada para justificar a invasão terrestre da faixa de Gaza – operação cujo maior objetivo, diz Israel, é destruir o máximo possível de túneis.

E Israel descobriu a um alto custo que os túneis não eram usados apenas para ataques além das fronteiras de Gaza, mas também para defender o território contra os assaltos israelenses. Eles formam uma grande rede de corredores subterrâneos, com múltiplos acessos.

Erros

Inevitavelmente houve erros na ação de Israel. Analistas criticaram por exemplo o uso de blindados de transporte de tropas M-113, considerados ultrapassados e vulneráveis – um dos quais foi destruído ocasionando elevado número de mortes.

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Mas os túneis parecem ter causado os maiores problemas de Israel. Eles não eram uma surpresa e as tropas chegaram rápido a muitos que já haviam sido identificados pela inteligência israelense.

O problema foi que as forças israelenses não entenderam o significado de tão ampla rede de túneis e treinaram pouco para lidar com ela. A maior parte das baixas do lado israelense ocorreu em áreas densamente construídas, em choques com combatentes palestinos emergindo de esconderijos e em seguida desaparecendo no subsolo.

Um analista israelense ligou a questão dos túneis com o desafio imposto por mísseis antitanque egípcios que devastaram os blindados israelenses nos primeiros estágios da guerra de 1973. Israel sabia daquelas armas, viu os egípcios treinando com elas, mas não compreendeu seu significado operacional mais amplo.

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O Hamas claramente aprendeu lições da última incursão israelense na Faixa de Gaza. Israel pensou que essa seria uma reedição da última incursão, que foi rápida e teve poucas baixas. As mais de 60 mortes de combatentes são significantes, dada a cultura militar israelense e inevitavelmente haverá questionamentos sobre a campanha.

Conflitos como o de Gaza são frequentemente descritos como assimétricos no sentido em que lidam com adversários que possuem grandes diferenças de habilidades e poder de fogo. Mas também há algo muito assimétrico nos objetivos dessa operação.

Poder de fogo

Para o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, os alvos eram essencialmente táticos: para atingir um cenário de calma e neutralizar o máximo possível de túneis. Ele foi criticado por supostamente não ter visão estratégica e sinalizar para os líderes palestinos que o objetivo da operação não era a derrota do Hamas.

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Israel está aprendendo rápido que a utilidade de um alto poder de fogo em um conflito assimétrico é circunscrita – especialmente quando a infraestrutura militar do oponente está enterrada em áreas civis e a reputação do país está sendo julgada internacionalmente.

Já o Hamas sacrificou equipamento militar acumulado com esforço por anos (túneis e foguetes) para tentar acertar um alvo mais estratégico. O grupo desejava alterar a situação em Gaza e acabar com o que entende ser um cerco contínuo a seu território.

O Hamas sabia que essa estratégia poderia causar várias vítimas civis e talvez esperasse que a opinião pública internacional parasse a ofensiva israelense mais cedo.

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Poucos atores regionais parecem estar dispostos a assumir riscos pela paz nos atuais dramas em Gaza, na Síria e no Iraque. E há um desgaste amplo com a região que fez um comentarista americano comparar a situação no Oriente Médio com a da Europa na Guerra dos Trinta Anos.

* Jonathan Marcus, analista para assuntos de diplomacia da BBC

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