Segundo a Unicef, ação matou 419 crianças palestinas; número supera as 350 mortes durante ação israelense feita 5 anos atrás

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Tudo que Yasmin Al-Bakrim, de 11 anos, se lembra é que sua mãe estava fazendo pão.

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A tia da palestina Yasmin al-Bakri, 11, a quem médicos disseram ter sido ferida em ataque aéreo israelense, segura a mão da  sobrinha em hospital de Gaza
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A tia da palestina Yasmin al-Bakri, 11, a quem médicos disseram ter sido ferida em ataque aéreo israelense, segura a mão da sobrinha em hospital de Gaza


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Em seguida, ela acordou em um leito de hospital em Gaza e encontrou suas pernas e braço direito cobertos por ataduras. Além disso, descobriu ter sofrido fraturas e queimaduras graves após sua casa ser atingida por um ataque aéreo de Israel e que grande parte de sua família morreu.

Yasmin sobreviveu, mas dados divulgados nesta quarta-feira (6) pela Unicef, a agência da Organização das Nações Unidas para a infância, informam que 419 crianças palestinas não tiveram a mesma sorte e morreram durante a guerra de quase um mês na Faixa de Gaza. O número superou as 350 crianças que morreram na invasão terrestre de três semanas conduzida por Israel no enclave cinco anos atrás.

Ao menos seis crianças israelenses foram registradas como feridas em decorrência de foguetes lançados de Gaza contra Israel no mês passado, de acordo com estatísticas preliminares da Unicef.

Yasmin disse ter sido informada que sua mãe, irmã de seis anos e irmão de três meses morreram, assim como seu tio e primo, quando um míssil israelense atingiu sua casa há dois dias.

Desde então, Gaza voltou a ficar tranquila com a obediência por parte de palestinos e israelenses a um cessar-fogo que, espera-se, possa resultar em uma trégua mais duradoura na sequência de uma guerra que devastou grande parte do enclave densamente povoado.

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"Eu estava ajudando minha mãe enquanto ela fazia pão, então não sei o que aconteceu. Quando acordei no hospital eles me contaram", disse Yasmin à Reuters enquanto se preparava para uma cirurgia em seu braço quebrado.

"Minha mãe morreu, minha irmã, que deveria começar a primeira série na escola, além do meu irmão bebê. Meu tio e primo também", disse Yasmin com uma voz tênue, esforçando-se para tomar fôlego.

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Ofensiva militar

O Ministério da Saúde de Gaza afirma que 1.869 palestinos, a maioria civis, morreram durante a ofensiva militar de Israel contra a Faixa de Gaza. Do lado israelense, 64 soldados e três civis morreram.

Em outro leito do hospital Shifa, em Gaza, Mohammed Wahdan, de apenas 18 meses de idade, chorava sempre que seu primo tentava retirar seu dedo da pequena mão da criança.

"Essas crianças perderam suas mães, seus pais ficaram gravemente feridos e foram transferidos para outro hospital, sua casa ficou destruída", disse Ahlam Wahdan, primo de Mohammed, referindo-se também aos dois irmãos do bebê, que convalesciam em leitos ao lado.

Naturais da cidade de Beit Hanoum, perto da fronteira norte com Israel, a família havia se abrigado em uma escola da ONU após ter a casa bombardeada. Mas a escola acabou atacada e 17 pessoas que se refugiavam ali morreram. Israel alega ter atirado em militantes palestinos.

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"A família então alugou uma casa no campo de refugiados de Jabalya, mas, naquela mesma noite, a casa foi bombardeada e aconteceu a tragédia", contou Ahlam à Reuters.

Em frente ao hospital Shifa, famílias desabrigadas pelas forças israelenses no distrito de Shejaia, no leste de Gaza, onde 72 pessoas foram mortas há duas semanas, usavam cobertores para montar tendas provisórias nas calçadas, no jardim e no estacionamento.

Crianças brincavam descalças, algumas dormiam na sombra de suas tendas e outras eram alimentadas por suas mães.

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"Qual futuro têm essas crianças? Quais memórias Israel implantou nelas?", indagou uma mulher idosa sentada nas proximidades. "As crianças estão com medo o tempo todo, elas não dormem e às vezes acordam no meio da noite gritando", disse a mulher.

A Unicef estima que cerca de 400 mil crianças necessitem de atendimento psicológico em Gaza.

Enquanto isso, Yasmin não quer chorar pela perda de sua família. "Eles estão no céu", disse ela. "Eu tenho paciência."

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