Hamas diz que trégua era truque de relações públicas de Israel; cerca de 1.800 palestinos e mais de 60 israelenses já morreram

Vidro e entulho tomavam as ruas da casa de Ahed Marouf no norte de Gaza, nesta segunda-feira (4), enquanto ele tocava uma carroça levando a esposa e três filhos para ver a casa da família durante uma trégua de sete horas declarada por Israel.

Mais cedo: Israel inicia cessar-fogo parcial de sete horas em Gaza

Palestino chora após o corpo de sua mãe ser retirado de escombros de casa destruída por ataque aéreo israelense, segundo testemunhas, em Rafah, Gaza
Reuters
Palestino chora após o corpo de sua mãe ser retirado de escombros de casa destruída por ataque aéreo israelense, segundo testemunhas, em Rafah, Gaza


Dia 2: Mortes em Gaza desde fim de cessar-fogo já chegam a 100

O que eles viram quando chegaram a Beit Lahiya, perto da fronteira israelense, fez com que voltassem para o abrigo temporário em uma escola administrada pela ONU no campo de refugiados de Jabalya.

“Eu não me sinto seguro”, disse Marout, um agricultor de 30 anos. “Em nossa casa, as janelas foram estilhaçadas. Não há eletricidade nem água."

Junto a outros milhares de moradores da região, Marouf e sua família fugiram de Beit Lahiya durante as intensas batalhas na semana passada entre forças israelenses e militantes palestinos. Israel realizou ataques aéreos e por terra, ao passo que militantes atiraram dezenas de salvas de morteiros.

Violência: Soldado israelense é capturado em Gaza, diz exército de Israel

Israel disse que a breve trégua nesta segunda tinha a intenção de permitir que centenas de milhares de palestinos desabrigados há quase um mês devido ao conflito voltassem para casa. O grupo islâmico Hamas, que domina Gaza, disse que a trégua unilateral era um truque de relações públicas de Israel.

Na principal via de acesso a Beit Lahiya, um bloco de grandes prédios de apartamentos onde moravam centenas de famílias de baixa renda parecia ter sido atingido por tiros de tanque, com danos grandes demais para serem consertados.

“Apenas um cessar-fogo permanente de ambos os lados nos persuadiria a voltar para casa e ficar. Por enquanto, permanecemos na escola da ONU”, disse a esposa de Marouf, Mervat, de 23 anos.

Ela reclamou que não pode tratar a gripe e a dor de estômago de seus filhos em hospitais locais porque os locais estão lotados de pessoas feridas por conta dos bombardeiros de Israel. Na Cidade de Gaza, dezenas de pessoas faziam fila na frente de bancos e caixas eletrônicos para sacar dinheiro.

Dia 1: ONU condena Hamas por suposto desrespeito ao cessar-fogo

Fim da trégua: Israel retoma ataques em Gaza após cessar-fogo ser rompido

Outros se amontoavam em mercados durante o cessar-fogo, o qual, segundo palestinos, foi violado por Israel com um ataque a bomba que matou uma menina de oito anos e feriu outras 29 pessoas em um campo de refugiados de Gaza.

“A destruição toma conta de Gaza”, disse Mervat. “Viemos com nossa tristeza. Voltamos com essa tristeza também."

Acusações

Palestinos acusaram Israel de quebrar um cessar-fogo estabelecido nesta segunda pelo próprio governo israelense ao realizar um ataque sobre um campo de refugiados na Cidade de Gaza que matou uma menina de oito anos e deixou 29 pessoas feridas.

O porta-voz do Ministério da Saúde de Gaza Ashraf Al-Qidra disse que o ataque contra uma casa no campo Shati aconteceu depois do início previsto da trégua nesta segunda de manhã. Uma porta-voz do Exército israelense disse que estava checando a informação.

Israel anunciou um cessar-fogo para facilitar a chegada de ajuda humanitária e para permitir a entrada em casa de centenas de milhares de palestinos desabrigados devido ao conflito de quatro semanas.

Cenário: Entenda o atual conflito entre Israel e o Hamas

O anúncio foi recebido com desconfiança pelo grupo islamita Hamas, que controla Gaza, e foi feito após a incomum repreensão dos Estados Unidos em decorrência do aparente ataque israelense no domingo a um abrigo administrado pela ONU, que matou dez.

Uma autoridade de defesa israelense disse que o cessar-fogo, das 10h às 17h (4h às 11h no horário de Brasília), teria validade em todos os locais menos nas áreas ao sul da cidade de Rafah, onde forças terrestres intensificaram os ataques depois que três soldados foram mortos em uma emboscada do Hamas lá na sexta-feira.

Leia todas as notícias sobre a guerra em Gaza

As tensões têm aumentado entre árabes e judeus na região em meio a uma guerra que dura quase um mês entre Israel e os militantes palestinos do Hamas na Faixa de Gaza. Mais de 1.800 palestinos e ao menos 60 israelenses já foram mortos, de acordo com autoridades.

*Com Reuters e AP

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.